USO DE MESA CONCENTRADORA VISANDO À VALORIZAÇÃO DE AREIAS RECICLADAS

  • Kamila Viana
  • Regis Sebben Paranhos
Rótulo Mesa, concentradora, construção, civil, areia, reciclada

Resumo

Os Resíduos de Construção e Demolição (RCD) são entulhos gerados pelo setor da construção civil, através de reformas, obras de infraestrutura e demolições. A disposição desses entulhos em lugares inadequados contribui para a degradação ambiental, em razão disso, o setor de construção civil torna-se um agente impactante ao meio ambiente. Visando essa problemática, elaborou-se este projeto de pesquisa com a pretensão de aplicar técnicas de processamento mineral na área da reciclagem de RCD, em especial às areias recicladas. Propõe-se o uso de uma mesa concentradora, através do controle e da manipulação da densidade das partículas, em função da quantidade de argamassa de cimento aderida em sua superfície. As mesas concentradoras usadas são baseadas na configuração desenvolvida e patenteada por Arthur Wilfley nos Estados Unidos em 1895. A mesa instalada no LATRAM, no campus de Caçapava do Sul, consiste de uma superfície plana com formato retangular, coberta parcialmente por riffles, e é oscilada com um movimento diferencial na direção desses. Ela apresenta inclinações reguláveis que variam tipicamente de 0 a 6° em relação à horizontal na direção transversal aos riffles, com uma pequena elevação no sentido oposto ao mecanismo que gera as oscilações. Água de lavagem é distribuída ao longo de toda a mesa, na extremidade junto à alimentação, formando uma película que escoa perpendicularmente aos riffles, na direção transversal do deque. O material a ser concentrado é alimentado em uma extremidade por meio de uma caixa de distribuição, e se espalha ao longo da mesa como resultado da agitação produzida pelas oscilações e pelo escoamento da água de lavagem. As oscilações são aplicadas de forma assimétrica, de modo a permitir o transporte diferencial das partículas no deque. As partículas densas são descarregadas na extremidade oposta ao mecanismo de acionamento, onde um desviador ajustável é normalmente usado para separá-las em um produto de alto teor e um misto. As partículas leves, por outro lado, são descarregadas ao longo do lado oposto da alimentação. O objetivo do projeto é realizar, em escala laboratorial, uma separação da fração de areia reciclada contida em RCD, usando mesa concentradora e equipamento de abrasão Los Angeles. As frações mais finas dos RCDs podem ser separadas/concentradas, visando eliminar impurezas e, o mais importante, classificadas em função de sua densidade e sua porosidade. A porosidade é uma característica fundamental quanto ao quesito qualidade e utilização de agregados na construção civil, devendo ser compatível com os agregados virgens para uso em estruturas em concreto armado. Para a implementação da metodologia, foi necessário desenvolver um processo com diversas etapas de manipulação. Para a produção dos traços de argamassa de laboratório, foram utilizados areia média e areia fina comerciais, cimento Portland (Pozolânico a sulfato CP IV-32RS) e água. A argamassa foi produzida, a partir de dois traços, traço A (1:3), uma parte de cimento para três partes de areia (média e fina) e a metade da quantidade utilizada de cimento para a medida da água. E traço B (1:2), uma parte de cimento para duas partes de areia (média e fina) e a metade da quantidade de cimento para medida da água. O processo de reciclagem foi desenvolvido em etapas, em especial a britagem e a moagem em moinho de bolas, realizadas com o objetivo de diminuir o tamanho das partículas, resultando em 100% do material passante na fração 1,7mm. Uma última etapa consistia na separação da areia, em função de suas densidades, utilizando uma mesa concentradora. Na sequência, para cada fração obtida, foram realizados ensaios de caracterização, análises de liberação, ensaios de granulometria e cálculo de densidade. Até o momento foram realizados ensaios preliminares em mesa concentradora a partir da produção dos traços finos e médios e reciclagem desse material, resultando em frações leves, intermediárias e densas de areias. Os primeiros resultados indicaram para o traço com areia fina, uma fração leve com densidade média de 2,2250 g/cm³ e 2,0859 g/cm³. Para a fração densa, as densidades foram de 2,2998 g/cm³ e 2,2544 g/cm³. Para os traços com areias médias, uma fração leve com densidade média de 1,5375 g/cm³ e 1,8354 g/cm³. Para a fração densa, as densidades foram de 2,4171 g/cm³ e 2,3148 g/cm³. Estes resultados preliminares indicaram que a metodologia desenvolvida foi adequada, e a mesa concentradora, como esperado, conseguiu separar as areias recicladas em diversas frações de densidades presentes no material. Espera-se que seja possível separar agregados minerais miúdos (areias recicladas) em função de sua densidade, e consequentemente, de sua porosidade, com precisão passível de serem classificadas e separadas em escala industrial, e de maneira econômica, valorizando a reutilização da areia reciclada em estruturas.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
VIANA, K.; SEBBEN PARANHOS, R. USO DE MESA CONCENTRADORA VISANDO À VALORIZAÇÃO DE AREIAS RECICLADAS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.