INFLUÊNCIA DA ADIÇÃO DE UM AGENTE DE CURA INTERNA NA RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO E RETRAÇÃO DE CONCRETO DE ALTA RESISTÊNCIA.

  • Enrique Oliveira
  • Fernanda Bianchi Pereira da Costa
Rótulo Retração, concreto, polímero, superabsorvente, Resistência

Resumo

O concreto de alta resistência vem sendo, cada vez mais, utilizado como solução para a construção de edifícios mais esbeltos e complexos. Este concreto possui uma microestrutura densa e refinada, podendo proporcionar vantagens econômicas e estruturais. Contudo, está sujeito ao efeito da autodessecação, fenômeno responsável pela retração autógena, que pode gerar fissuração e perda de desempenho do material. A retração autógena é a variação macroscópica do volume de concreto, que ocorre sem a troca de umidade com o meio externo. Esta retração ocorre em todos os tipos de concretos, porém só se torna relevante em misturas com relação a/c inferiores a 0,42, pois quando a hidratação do cimento consome toda a água capilar disponível, ocorre uma diminuição da umidade relativa interna, ocasionando a retração autógena. Uma das formas de mitigar este tipo de retração, é a utilização de um método de cura interna, o qual é responsável pela liberação de água no interior do concreto à medida que as reações de hidratação acontecem e consomem a água dos poros capilares, o que provoca o efeito de autodessecação. A utilização de agregados porosos ou Polímeros Superabsorvente (SAP) são exemplos de agentes de cura interna. O SAP tem a capacidade de absorver grandes quantidades de água. Assim, quando o concreto está passando pelo processo de hidratação, o polímero fornece água aos capilares, reduzindo então a retração autógena. O uso deste material no concreto é reconhecido como a solução mais eficaz no combate deste tipo de retração. Porém, alguns estudos mostram que a sua adição no concreto pode causar perda de resistência mecânica. Para esclarecer o efeito deste polímero nas propriedades mecânicas e de durabilidade do concreto, realizou-se o ensaio de resistência à compressão axial em amostras com e sem SAP, e também ensaios de retração autógena. O traço utilizado foi de 1:1,96:2,72 (cimento:areia:brita) com relação a/c de 0,36, 0,40% de aditivo superplastificante e, para o concreto com cura interna, 0,32% de polímero superabsorvente. A confecção dos concretos foi realizada em betoneira, adensado em mesa vibratória e após a desmoldagem, as amostras foram mantidas em cura úmida até a idade de ensaio desejada. Os materiais utilizados no estudo foram: Cimento CP-V ARI RS, areia média, brita 1, aditivo Silicon ns HIGH 200 e polímero superabsorvente a base de poliacrilato de sódio. Para o ensaio de resistência à compressão, doze espécimes de 10 x 20 cm (diâmetro x comprimento) foram moldadas para cada concreto, sendo quatro amostras para cada idade de ensaio que ocorrem após 7, 14 e 28 dias de cura. Enquanto que para o ensaio de retração autógena, foram moldadas quatro amostras para cada mistura. Para garantir que apresentem apenas retração autógena, foi realizado um envelopamento dos corpos de prova com duas camadas de plástico filme e uma camada de manta asfáltica, impossibilitando então a troca de umidade com o ambiente externo e minimizando o efeito da retração por secagem. Como resultado do ensaio de retração autógena, observou-se uma maior retração do concreto sem polímero, apresentando uma retração duas vezes maior que a mistura com SAP aos 28 dias. Também foi possível observar que na idade de 4 dias, o concreto com adição polimérica não apresentava retração, enquanto a outra mistura possuía cerca de 60 με de retração. Já para o ensaio de resistência à compressão axial, o concreto sem adição, obteve-se valores médios de resistências de 56,21 MPa, 55,44 MPa e 63,28 MPa, para as idades de 7,14 e 28 dias, respectivamente. Já para o traço com adição de polímero, foram obtidos valores médios de resistências de 41,85 MPa, 47,84 MPa e 51,08 MPa. Tendo estes valores, foi possível observar que o traço sem a adição do polímero obteve maior resistência em todas as idades analisadas. O traço com SAP apresentou uma redução de resistência à compressão de 25,55%, 13,71% e 19,28%, para 7, 14 e 28 dias, respectivamente. Também, observou-se uma tendência de crescimento de resistência com o prolongamento do processo de cura. A resistência do concreto com SAP evoluiu até os 14 dias e o concreto sem esta adição evoluiu até os 28 dias. Com estes dados, foi possível concluir que esta diferença de tempo de evolução pode estar associada à continua liberação de água do polímero que deu continuidade ao processo de hidratação, antecipando então a cura do concreto. Já a redução de resistência à compressão pode estar relacionada ao aumento de porosidade causado pela adição do SAP, pois quando saturado, o polímero incha e após liberar a água, tem seu volume reduzido, formando vazios no concreto. No caso da retração autógena, os valores encontrados mostram a eficácia do polímero como agente de cura interna, reduzindo a retração em todas as idades ensaiadas. Foi possível observar que o efeito do polímero se mostrou mais significante na idade de 4 dias. Tal fato evidencia que grande parte da água de cura interna é disponibilizada nas idades inicias.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
OLIVEIRA, E.; BIANCHI PEREIRA DA COSTA, F. INFLUÊNCIA DA ADIÇÃO DE UM AGENTE DE CURA INTERNA NA RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO E RETRAÇÃO DE CONCRETO DE ALTA RESISTÊNCIA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.