MEMBRANAS BIOPOLIMÉRICAS COM CARVÃO ATIVADO COMO POTENCIAL CURATIVO CUTÂNEO

  • Luana Vaz Tholozan
  • Estefanie Hasse Tonet
  • Gabriela Silveira da Rosa
  • Alaor Valério Filho
Rótulo Gelatina, Cicatrização, Curativos, alternativos, Propriedades, físicas

Resumo

As feridas cutâneas são causadas por lesões epiteliais e logo após seu surgimento o corpo humano inicia um processo biológico, denominado cicatrização, que tem como função regenerar o tecido danificado. Por ser um processo natural, a cicatrização pode acontecer de forma lenta, podendo resultar em infecções, formar cicatrizes e até mesmo comprometer funções do tecido atingido. Uma alternativa para acelerar esse processo é o uso de curativos, que se tratam de materiais usualmente de origem polimérica que possuem propriedades que auxiliam no processo de cicatrização. Dentre os polímeros utilizados no desenvolvimento de curativos, pode-se citar a gelatina, um polímero natural que apresenta como principais características a flexibilidade, estabilidade e biocompatibilidade com tecidos humanos. Devido à natureza hidrofílica da gelatina, o desenvolvimento de membranas a partir desse polímero deve ser associado a técnicas que tornem os materiais maleáveis e não quebradiços, podendo citar como exemplo o uso do plastificante glicerol. Além dos plastificantes, alguns compostos são utilizados para melhorar as propriedades físicas e mecânicas desses filmes, tal como o carvão ativado (CA), um material poroso utilizado em curativos devido à sua capacidade de adsorver exsudatos e gases liberados durante o processo de cicatrização. Dessa forma, o presente trabalho teve como objetivo produzir membranas biopoliméricas de gelatina contendo CA e avaliar suas propriedades físicas. Foram produzidas duas membranas a partir do método de casting, sendo uma delas apenas com gelatina e glicerol (MG) e a outra com gelatina, glicerol e CA (MCA). Para a formulação da MG, foram utilizados 10 g de gelatina em pó que solubilizada em 100 mL de água destilada sob agitação de 200 rpm a 45 ºC por 30 min. Em seguida, foram adicionados 25 mL do plastificante glicerol e, por fim, a solução filmogênica foi despejada em placas de Petri (90 mm) mantendo a massa constante de 20 g. As amostras foram secas em estufa a 40 ºC por 24 h. A membrana MCA foi desenvolvida de forma análoga a MG, contando apenas com o acréscimo de 1 g de CA logo após a adição do glicerol. As membranas foram caracterizadas quanto a espessura, com medidas obtidas em 10 partes diferentes da amostra utilizando um micrômetro com precisão de 0,001 mm e capacidade de intumescimento, onde amostras de 2 cm² dos filmes foram submetidas a secagem por 24 h a 50 °C e posteriormente imersas em água destilada por 10 min. Os resultados de espessura obtidos para MG e MCA foram de 0,767 mm ± 0,166 e 0,926 mm ± 0,078, respectivamente. Pode-se observar que a membrana MCA é mais espessa, resultado esperado tendo em vista a adição de um composto em sua formulação. Os resultados obtidos para intumescimento para MG e MCA foram de 59,15 e 78,24 %, respectivamente, o que indica que a adição de CA provocou uma alteração positiva na propriedade do material, visto que um elevado valor de intumescimento em um curativo beneficia a absorção de líquidos liberados na cicatrização. A partir dos resultados obtidos, pode-se inferir que o uso de CA como aditivo possibilitou a obtenção de um material com potencial para ser usado como curativo cutâneo, visto que esse composto traz benefícios à cicatrização e não compromete as propriedades físicas da membrana. Devido a esses resultados, são previstas como etapas futuras do presente trabalho o estudo da influência da adição do CA em outras propriedades físicas, químicas e antibacterianas do potencial curativo, além do uso de extrato natural como composto ativo.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2022-11-23
Como Citar
VAZ THOLOZAN, L.; HASSE TONET, E.; SILVEIRA DA ROSA, G.; VALÉRIO FILHO, A. MEMBRANAS BIOPOLIMÉRICAS COM CARVÃO ATIVADO COMO POTENCIAL CURATIVO CUTÂNEO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.