MEMBRANAS BICAMADAS À BASE DE QUITOSANA E ALGINATO DE SÓDIO COMO POTENCIAL TRATAMENTO EM FERIDAS CUTÂNEAS

  • Marco Antônio da Fonseca Sobrinho
  • Luisa Bataglin Avila
  • Larah Gondim Santos Paulino
  • Gabriela Silveira Da Rosa
Rótulo Biodegradável, Biopolímero, Extrato, natural, Folhas, oliveira, Curativo, cutâneo

Resumo

O curativo é o tratamento tópico mais utilizado na reconstrução fisiológica da pele em casos de lesões cutâneas, tendo como função proteger e auxiliar na cicatrização e reparação do tecido. Comumente esses curativos são provenientes de polímeros sintéticos ou naturais. Os curativos sintéticos, quando descartados na natureza, ocasionam grande acúmulo devido à sua lenta degradação. Sendo assim, membranas biopoliméricas têm sido uma alternativa eficiente para o tratamento. O alginato de sódio e a quitosana são biopolímeros fundamentais no desenvolvimento desses curativos naturais, por suas estruturas que potencializam a cicatrização, como hidrofilicidade, atividade antimicrobiana, antifúngica e antiviral. Os curativos modernos são desenvolvidos a partir de propriedades biológicas, sendo classificados como passivos, ativos, inteligentes e biológicos. Nos curativos bicamadas, a camada externa é projetada para se prevenir a invasão de bactérias e demais agente patogênicos enquanto a camada interna é projetada para aderência ao tecido. Geralmente tais curativos são desenvolvidos com a camada superior densa, controlando a umidade, evitando contaminação e proporcionando proteção física e uma camada inferior fina, absorvendo os exsudatos e tendo participação ativa da cicatrização do ferimento. As membranas ativas são obtidas a partir da aditivação de compostos de fonte natural como flores, frutos e folhas. A oliveira(Olea europaea L.) é uma planta arbórea nativa da região extensa do mediterrâneo, que produz uma frutos comestíveis-azeitona. O estado do Rio Grande do Sul é o maior produtor de oliveiras do território nacional, onde a região da Campanha Gaúcha apresenta mais de 70% da produção local. As folhas das oliveiras são fontes ricas de compostos fenólicos, como a oleuropeína, na qual apresenta efeito antioxidante, antibacteriano, antiviral e anti-inflamatório. Diante deste cenário, o presente trabalho teve como base avaliar a influência do uso de extrato de folhas de oliveiras nas propriedades das membranas bicamadas de quitosana e alginato de sódio, tendo em vista a capacidade da incorporação de compostos bioativos. As folhas foram coletadas na Estância Guarda Velha, localizada em Pinheiro Machado- RS e passaram por processo de secagem, moagem e peneiramento. Para a extração das folhas de oliveira (EFO), foi pesado 1 g de pó de folhas para cada 50 mL de água destilada. A extração foi realizada em banho metabólico Dubnoff, com uma temperatura de 88ºC por 2 h. Ao final da extração os extratos passaram por filtração a vácuo. As membranas de quitosana e alginato de sódio foram obtidas através da técnica casting, usando 1 g de cada polímero e 0,5 g de glicerol em cada solução. A membrana com extrato de folhas de oliveira foi obtida pelo mesmo método descrito acima, apenas substituindo a água destilada por 75 mL do extrato da folha de oliveira. As membranas bicamada foram submetidas a análises, para avaliar sua espessura e suas propriedades mecânicas. A membrana de quitosana e alginato de sódio controle (MBC) apresentou espessura média de 0,145 ± 0,018 mm, tensão máxima de 4,214 ± 0,905 MPa e alongamento na ruptura de 9,990 ± 3,011 %. A membrana bicamada de quitosana e alginato de sódio com extrato de folha de oliveira (MBE) apresentou espessura média de 0,218 ± 0,015 mm, tensão máxima de 2,994 ± 0,239 MPa e alongamento na ruptura de 14,686 ± 1,700 %. Através dos dados obtidos, conclui-se que a membrana com extrato de folhas de oliveira (EFO), apresentou-se como um potencial material a ser aplicado na forma de curativo cutâneo. Como sugestão para trabalhos futuros, cabe produzir as membranas por diversos métodos, realizar testes in vitro e in vivo, realizar novas análises das propriedades mecânicas e permeabilidade de vapor de água, além de estudar a incorporação de outros compostos junto ao extrato de folha de oliveira.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
ANTÔNIO DA FONSECA SOBRINHO, M.; BATAGLIN AVILA, L.; GONDIM SANTOS PAULINO, L.; SILVEIRA DA ROSA, G. MEMBRANAS BICAMADAS À BASE DE QUITOSANA E ALGINATO DE SÓDIO COMO POTENCIAL TRATAMENTO EM FERIDAS CUTÂNEAS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.