CROMATROGRAFIA LÍQUIDA DE ALTA EFICIÊNCIA NA DETERMINAÇÃO DOS COMPOSTOS BIOATIVOS DO EXTRATO DA CASCA DE JABUTICABA

  • Renata Kuhn
  • Alaor Valério Filho
  • Luisa Bataglin Avila
  • Douglas Hardt Lacorte
  • Vanessa Rosseto
  • Renata Donini Kuhn
  • Gabriela Silveira da Rosa
Rótulo Biomassa, Extração, Antocianinas, Compostos, bioativos

Resumo

Os compostos bioativos estão presentes em frutas, cascas, folhas e raízes e caracterizam-se por sua abundância na natureza e benefícios para a saúde humana. No Brasil, é gerada uma alta carga de subprodutos ricos em compostos bioativos, visto isso, torna-se interessante o seu aproveitamento. Entre os diversos subprodutos gerados pelas atividades industriais, a casca da jabuticaba ganha destaque, visto que este resíduo é obtido principalmente pelo processamento da fruta para produção de sucos, geleias e licores. A casca da jabuticaba é conhecida por suas propriedades antioxidantes e antimicrobianas e quando extraídos esses compostos podem ser utilizados como aditivos naturais. Para que essas substâncias sejam utilizadas faz-se necessário a realização de pré-tratamentos. Um dos métodos mais utilizados é a secagem por convecção, entretanto, a utilização de altas temperaturas pode promover a degradação de compostos bioativos. Neste aspecto, a liofilização mostra-se como uma alternativa para desidratação de substâncias ativas mais sensíveis. Outra etapa importante é a extração dos compostos bioativos e nesse sentido os solventes verdes têm se destacado, já que apresentam um menor impacto ambiental e menores restrições de segurança em certas aplicações. Em vista disso, este estudo teve como objetivo avaliar a influência do tipo de solvente na extração dos compostos bioativos presentes na casca da jabuticaba, através da identificação e quantificação de compostos bioativos individuais por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE). Para isso, foram coletadas cascas de jabuticaba no período de outubro a dezembro de 2020 e as análises foram realizadas em 2021. A biomassa foi obtida em uma propriedade rural localizada no distrito de Santa Flora, em Santa Maria - RS. As cascas foram manualmente separadas, e submetidas à higienização, liofilizadas, moídas e peneiradas (dp<250 µm). A biomassa foi submetida ao processo de extração de compostos bioativos pela técnica de maceração sólido-líquido, usando um banho metabólico a 88 ºC durante 2 h. A extração foi realizada em duplicata na proporção de 1:100, na qual foi utilizada água destilada e uma solução etanólica 40% como solventes. Para a análise dos compostos bioativos por CLAE os extratos foram centrifugados, filtrados por meio de um filtro de seringa de 0,45 µm e transferidos para frascos específicos para a cromatografia. A separação foi realizada a 30 ºC usando uma coluna de fase reversa. A coluna foi eluída a uma taxa de fluxo de 1 mL min-1 e a quantidade de amostra utilizada foi de 20 µL. A separação foi conseguida com um gradiente de solvente de 0,2% de ácido acético, metanol PA e acetonitrila PA, onde a detecção de compostos foi realizada em 280 e 520 nm. Os compostos fenólicos e antocianinas foram identificados por comparação de seus tempos de retenção com o de padrões puros e quantificados por meio de curvas de calibração. Através das análises de CLAE, foram encontrados os valores de 1,23 e 0,32 mg g-1 de ácido gálico utilizando água e etanol como solventes, respectivamente. Já para o ácido cafeico encontrou-se 0,23 mg g-1 para extração com água e 0,47 mg g-1 para o solvente etanólico. O ácido p-cumárico foi encontrado nas concentrações de 0,39 e 0,59 mg g-1 para os solventes água e etanol. Para o flavonóide kaempferol, foram obtidos os valores de 0,42 e 0,43 mg g-1 e para a cianidina-3-glicosídeo quantidades de 8,22 e 8,83 mg g-1. Pode-se observar, através dos resultados obtidos, que a extração dos compostos fenólicos foi favorecida com a utilização da solução etanólica, com exceção para o ácido gálico. Tal comportamento foi relatado anteriormente na literatura e está relacionado com a polaridade do etanol, fazendo com que seja melhorada a solubilidade dos compostos fenólicos hidrolisáveis. Conclui-se que a biomassa da jabuticaba é uma boa fonte de compostos fenólicos e antioxidantes. Entre as substâncias detectadas, destaca-se como antocianina majoritária a cianidina-3-glicosideo. Esses resultados indicam que o extrato da casca de jabuticaba, rico em compostos bioativos, pode ser usado como corante natural e como conservante de alimentos, sendo promissor para aplicação na indústria alimentícia, farmacêutica e cosmética.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
KUHN, R.; VALÉRIO FILHO, A.; BATAGLIN AVILA, L.; HARDT LACORTE, D.; ROSSETO, V.; DONINI KUHN, R.; SILVEIRA DA ROSA, G. CROMATROGRAFIA LÍQUIDA DE ALTA EFICIÊNCIA NA DETERMINAÇÃO DOS COMPOSTOS BIOATIVOS DO EXTRATO DA CASCA DE JABUTICABA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.