DO CONDADO À MONTANHA DA PERDIÇÃO! O CINEMA COMO RECURSO PARA O TURISMO: “O SENHOR DOS ANÉIS” NA NOVA ZELÂNDIA

  • Vanilson Pereira Silveira
  • Thaís Gomes Torres
  • Milena Behling Oliveira
  • Maria Luiza Cardinale Baptista
  • Maria Luiza Cardinale Baptista
Rótulo Turismo, Cinematográfico, Cinema, “O, Senhor, dos, Anéis”

Resumo

O estudo da relação entre turismo e formas midiáticas de comunicação vem demonstrando a relevância das produções cinematográficas, como significativo recurso de promoção e divulgação dos destinos. Em decorrência, diversos países estão utilizando os filmes, como estratégia para atrair visitantes, adaptando sua oferta turística e criando produtos e atrativos turísticos. Apesar de possuir diferentes definições, o termo turismo cinematográfico, utilizado pelo Ministério do Turismo Brasileiro, envolve a visitação dos lugares escolhidos como cenários de produções cinematográficas ou televisivas, estúdios de produção, lugares ícones da cinematografia, festivais de cinema, entre outros. Nesse contexto, o tema visa tratar da sinergia entre turismo e cinema e tem objetivo de evidenciar as ações adotadas pela Nova Zelândia, para promover os filmes, e incentivar o turismo através da trilogia O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings). A proposta tem perspectiva interdisciplinar com metodologia qualitativa e exploratória, envolvendo aproximações entre o referencial teórico, observação das produções cinematográficas e rodas de conversas com os autores da pesquisa. Nesse sentido, o tema representa um assunto relevante para o campo do turismo, uma vez que as imagens divulgadas por meio das produções cinematográficas são capazes de criar, reforçar ou alterar a imagem de determinado destino. A trilogia, baseada nos livros do escritor John Ronald Reuel Tolkien, aconteceu na mítica Terra Média e foi reconstituída na Nova Zelândia pelo diretor Peter Jackson. A adaptação para o cinema resultou em três filmes: O Senhor dos Anéis: Sociedade do Anel (2001), As Duas Torres (2002) e O Retorno do Rei (2003). Na história, o hobbit Frodo Bolseiro é o personagem responsável pela destruição do anel do poder no fogo da Montanha da Perdição, onde foi forjado. Em termos de faturamento, estima-se que a trilogia tenha arrecadado mais de US$ 3 bilhões de dólares, sendo indicada em mais 30 de categorias do Oscar, conquistando 17 estatuetas, entre elas, de melhor filme com O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, em 2004. Na época, o impacto econômico gerado foi chamado de Economia Frodo e o governo criou, inclusive, um cargo de Ministro dos Anéis (Minister of the Rings). A estratégia para divulgar os filmes e atrair visitantes envolveu uma criativa campanha de marketing, por meio dos lançamentos dos filmes, ornamentação das ruas e estabelecimentos comerciais, instalação de cópias dos personagens no aeroporto internacional de Wellington (capital do país), personalização de aeronaves da companhia aérea nacional (Air New Zealand), lançamentos de inúmeros produtos licenciados, pacotes turísticos e roteiros, por exemplo, a visitação ao Hobbiton Movie Set, conjunto de casas que compõem o Condado dos hobbits . Segundo pesquisas realizadas, anualmente, o país tem recebido milhares de turistas interessados em conhecer as locações para viver suas próprias experiências. Em 2016, conforme o Observatório de Cinema, foi lançada pela Nova Zelândia a campanha Uma Viagem pela Terra-Média, 100% Pure New Zealand, para comemorar os 15 anos dos lançamentos dos filmes. O plano de incentivos fiscais, a qualidade da infraestrutura, a exuberância da paisagem e a rede de serviços especializados tornaram a Nova Zelândia um dos países mais competitivos no mercado internacional. O país possui ainda programas de apoio à indústria audiovisual e conta com a NZFC (New Zealand Film Commission), responsável pelo incentivo e apoio ao mercado audiovisual. Dez anos depois foi lançado O Hobbit, trilogia que antecede a história do O Senhor dos Anéis, composta pelos filmes: Uma Jornada Inesperada (2012), A Desolação de Smaug (2013), A Batalha dos Cincos Exércitos (2014). Assim, considera-se que os filmes contribuíram, de forma significativa, para a construção da imagem turística da Nova Zelândia. As ações apresentadas neste texto, podem ser adaptadas para outros destinos dependendo de aspectos, tais como, o projeto audiovisual, os acordos estabelecidos, entre outros. Desse modo, o filme não pode ser compreendido, somente, como um mero condutor de imagens, mas como um sistema complexo, capaz de mobilizar o espectador, de tal modo a fazê-lo desejar, na prática, os mesmos locais mostrados na tela, ou seja, possibilita o contato emocional do público com o lugar, o que pode gerar o desejo e a expectativa da viagem. Nessa perspectiva ao trazer reflexões sobre a relação entre turismo e cinema, a proposta pretendeu contribuir para ampliar a discussão teórica sobre o tema. Assim, pesquisas futuras sobre os efeitos econômicos gerados nos destinos sedes de produções, envolvem questões emergentes e com amplo campo de investigação. Em 2022, foi lançada a série spin-off de O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder. A proposta pode trazer novos capítulos sobre o tema e levando-se em conta que algumas produções têm continuação. Esta também! Continua..

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
PEREIRA SILVEIRA, V.; GOMES TORRES, T.; BEHLING OLIVEIRA, M.; LUIZA CARDINALE BAPTISTA, M.; LUIZA CARDINALE BAPTISTA, M. DO CONDADO À MONTANHA DA PERDIÇÃO! O CINEMA COMO RECURSO PARA O TURISMO: “O SENHOR DOS ANÉIS” NA NOVA ZELÂNDIA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.