CRIPFACE E CAPACITISMO NO AUDIVISUAL

  • Larissa Araujo
  • Gabriela Almeida Abreu
  • Cristiani Gentil Ricordi
Rótulo Cripface, Capacitismo, Acessibilidade, Inclusão, Audiovisual

Resumo

O meio de comunicação mais presente nos lares brasileiros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a televisão, sendo o caminho de propagação de informações mais utilizado no Brasil. A produção audiovisual difundida é responsável pela construção de imaginários, formação de discursos e consolidação de crenças de toda uma nação. Atualmente, a população estimada no Brasil é de cerca de 215 milhões de pessoas, e pouco mais de 8% possui alguma deficiência, esse número representa cerca de 17,3 milhões de pessoas, mas, ainda assim, há pouca ou nenhuma representatividade de pessoas com deficiência (PcD) nas produções televisivas e exibidas em televisão. Em 2019, um levantamento constatou que dos 100 filmes de maior bilheteria no exterior somente 2,3% apresentavam algum personagem com deficiência em suas narrativas. Recentemente iniciou-se um debate que busca conscientizar a população da importância de Pessoas com Deficiência (PcD) ocuparem espaços de formação de discurso como novelas, filmes, séries e outras produções audiovisuais. O que observamos nesses lugares hoje em dia é conhecido como cripface, surgido da junção de dois termos em inglês crippled (em inglês é sinônimo de disable, deficiência) e face (rosto), o termo muito recente na cultura estadunidense é utilizado para apontar quando pessoas sem deficiência interpretam pessoas com deficiência. A expressão se baseia na ideia de blackface, onde pessoas brancas pintavam o rosto e outras partes do corpo para se parecerem e/ou interpretarem pessoas negras, sendo assim, mais uma estratégia capacitista de fingir inclusão. Isto posto, surgem algumas inquietações, entre elas: Como podemos reconhecer essas atitudes?, Existem atores com deficiência preparados para ocupar esses espaços de produção?, Já houve produções com pessoas com deficiência?. À vista disso, este trabalho tem por objetivos: realizar uma análise da forma como o Cripface e o Capacitismo são disseminados através dos meios de comunicação, refletindo sobre a forma como a televisão acaba por construir discursos e crenças em nossa sociedade; e, apontar o porquê de PcDs, apesar de representarem um número significativo da população brasileira, não possuírem representação nas produções televisivas. Para a realização deste estudo utilizamos a pesquisa bibliográfica com o intuito de compreender melhor esse fenômeno e os discursos capacitistas que perpetuam uma forma de preconceito em nossa sociedade, e a pesquisa documental que, por sua vez, nos proporcionou a análise de obras envolvendo a atuação de atores fazendo cripfacing e também de atores com deficiência. Pode-se comprovar, por meio da pesquisa documental, que existem pessoas capacitadas para interpretarem suas próprias existências, e por mais que os atores e as atrizes sem deficiência se esforcem para interpretar personagens com deficiência de uma forma responsável, a melhor opção ainda é contratar um ator ou uma atriz PcD. A exemplo disso temos algumas novelas e séries que fizeram sucesso por acreditarem se tratar de uma forma positiva de representação, mas os atores eram pessoas sem deficiência. Entre elas destacamos a série Atypical, produção da Netflix, que contou com 4 temporadas e um grande público, e a novela juvenil Malhação, edição 2017-2018, com o tema Viva a Diferença, que acabou ganhando um spin-off por sua capacidade de representação do jovem. Ambas foram positivamente avaliadas no meio audiovisual, mas pessoas com deficiência apontaram diversos aspectos negativos da construção dos personagens, que em ambas as narrativas são autistas. Em contraponto a essas produções podemos citar a telenovela Um Lugar Ao Sol (2021), que apresenta a história da personagem Mel, uma jovem com síndrome de Down, ao interpretar a adolescente Mel, a atriz Samantha Quadrado mergulhou na própria história. Na narrativa a personagem luta por independência e tem o apoio do pai para construir uma vida mais autônoma, passa a morar sozinha, estudar, cuidar da sua saúde e ter relações com outros personagens, mesmo a mãe acreditando que ela não seria capaz. Outro exemplo positivo é a série documental Amor no Espectro produção australiana lançada em 2019, que apresenta pessoas no espectro do autismo e as tentativas de iniciarem relações românticas. A série retrata bem o porquê do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ser considerado um espectro, mostra que existem muitas diferenças e desafios que permeiam algumas das pessoas, mas não outras, ajuda pessoas neurotípicas a compreenderem as diversas existências no espectro. Uma primeira aproximação aos dados coletados sinalizam que os fatores que levam ao adoecimento dos estudantes universitários incluem não unicamente aspectos biológicos, mas tem uma determinação de classe, com impactos em outros aspectos, tais como: sociais, culturais, econômicos, políticos e psicológicos.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
ARAUJO, L.; ALMEIDA ABREU, G.; GENTIL RICORDI, C. CRIPFACE E CAPACITISMO NO AUDIVISUAL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.