USO DA VIOLÊNCIA NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS

  • Ana Carolia Alves Minuzzo
  • Elisângela Maia Pessôa
Rótulo Infanto-juvenil, Violência, Educação

Resumo

Não raro, a violência tem sido utilizada como forma de ensinar/corrigir, ou seja, para educar crianças e adolescentes no contexto familiar, é por vezes também no meio escolar. Considerando impactos e consequências, que tal postura pode acarretar, ao longo da história brasileira de proteção de crianças e adolescentes, legislações vem sendo elaboradas com intuito de garantir o menor prejuízo possível para o desenvolvimento e qualidade de vida infantojuvenil. A relevância da pesquisa, apresentada, em primeiro lugar se dá ao fato de quase não existir material bibliográfico sobre o assunto em específico, pois a maioria das publicações recentes, tem focado nas diversas manifestações de violência atreladas a outros tipos de expressões da questão social, não dando maior abrangência a violência como forma de educar. Ainda, dar visibilidade ao tema, pode mostrar que existem outras formas de educar, diferente da imposta pela sociedade tradicional, que atribui padrões conservadores as ramificações familiares. A pesquisa em tela, foi realizada a partir da elaboração de projeto de pesquisa executado no componente curricular de Pesquisa Social II do Curso de Serviço Social em 2022. O projeto de pesquisa teve como objetivo geral entender por que a violência infanto-juvenil ainda vem sendo utilizada enquanto possibilidade de educação por pais ou responsáveis, mesmo com todas as leis e avanços em defesa da criança e do adolescente, para dar visibilidade as consequências que podem ser ocasionados. Metodologicamente foi realizada pesquisa com enfoque qualitativo portanto não se levou em conta percentuais, estatísticos, por exemplo, mas as percepções indicadas no material coletado online e analisado exploratório com levantamento bibliográfico em três artigos que responderam aos critérios de inclusão/exclusão do projeto de pesquisa e análise documental em legislações brasileiras que tecem considerações sobre a violência infanto-juvenil . Tanto os documentos analisados, quanto os artigos fazem menção a violência praticada contra crianças e adolescentes, portanto, abrangendo idades entre 0 a 18 anos conforme determinação do Estatuto da Criança e Adolescente (1990). Foi utilizada como técnica a observação indireta, sendo a coleta de dados realizada via instrumento denominado roteiro norteador que buscou responder as questões como: Quais consequências a violência como meio de educação causa no desenvolvimento escolar e social de crianças e adolescentes? O problema histórico-cultural da violência como possibilidade de educação afeta crianças e adolescentes até os dias atuas? Quais as políticas públicas que agem em defesa de crianças e adolescentes vítimas da violência como processo de educação? Foi utilizado o método Materialista Histórico e Dialético para análise da realidade, assim como análise de conteúdo para compilação dos resultados. Em termos de resultados ficou evidente a partir dos três artigos analisados que quando se pensa o que leva um pai ou responsável a utilizar-se da violência para educar um filho/a, emergem questões transgeracionais, ou seja, perdura a cultura dos maus tratos, devido ao fato da sociedade, chamada tradicional, ter origens muito violentas, sendo a violência uma maneira de corrigir aqueles/as que não seguem os padrões, o que torna difícil, as possibilidades de resistência a tal postura. Sendo assim, a negligência aparece como uma categoria empírica na pesquisa, sendo essa, responsável por traumas físicos e psicológicos na saúde de crianças e adolescentes, podendo levar a consequências de médio e longo prazo que nem sempre são fáceis de identificar, pois depende do nível intelectual e da proximidade da vítima com o/a agressor/a. Entre as principais consequências da violência no âmbito doméstico estão a ansiedade, depressão, dificuldade em se relacionar, comportamento agressivo, isolamento social, timidez e alguns distúrbios do sono e alimentação. As obras não apresentaram percentuais estatísticos ou situações específicas individualizadas, mas generalizações a partir de estudiosos da área, bem como de demais pesquisadas sobre violência realizadas. O cenário, acima indicado, pode ser agravado pelo fato de que crianças e adolescentes educados com violência pode vir a se tornar adultos que fazem uso abusivo de álcool e drogas, assim como reprodutores de mais violências, uma vez que os artigos analisados, apontam que não raro, agressores quando questionados, relatam terem sofrido violência quando crianças ou adolescentes. Em termos dos resultados da pesquisa documental mostrou que houveram grandes avanços legislativos que contribuíram para elaboração de políticas públicas, como o Estatuto da Criança e Adolescente (1990) e as outras tantas leis, como a Lei da Palmada - Lei do Menino Bernardo (2014). Porém ainda, persiste a necessidade de avanços e ações a serem colocadas em prática. Conclui-se, mediante a pesquisa que não esgota ou encerra a discussão, considerando seu limite de tempo.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
CAROLIA ALVES MINUZZO, A.; MAIA PESSÔA, E. USO DA VIOLÊNCIA NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.