VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA PANDEMIA

  • Bruna Ferreira
  • Julia Arnt Machado
  • Daniela Moreira de Oliveira
  • Eduardo Cechin da Silva
  • Jaina Raqueli Pedersen
Rótulo Violência, intrafamiliar, Covid-19, Isolamento, social

Resumo

O presente resumo apresenta reflexões referente a pesquisa que tem como tema de estudo a violência doméstica e/ou intrafamiliar no contexto da Covid-19. O objetivo principal é analisar de que maneira se manifesta a violência doméstica e/ou intrafamiliar em tempos de isolamento social de modo a compreender a complexidade dos processos sociais que fazem com que ocorra essa violência no contexto pandêmico. Trata-se de um estudo exploratório com enfoque qualitativo, realizado com base em artigos científicos disponíveis na plataforma Scielo, quando utilizado o descritor de pesquisa violência contra mulheres na pandemia. A partir dessa busca, foram encontrados quatro (4) artigos sobre o tema, mas foram selecionados apenas três (3), que tratam sobre os impactos do isolamento social no que diz respeito ao aumento da violência doméstica e intrafamiliar no contexto brasileiro durante a pandemia de Covid-19, dando ênfase para as violências praticadas contra as mulheres. Os estudos nos trazem que o distanciamento social, necessário para conter o avanço do virus da Covid-19 contribuiu para o aumento da violência contra as mulheres, sobretudo, por ocorrer predominantemente nas relações conjugais. Artigos revelam que houve um grande índice de violência contra a mulher, uma vez que a vítima acaba ficando em isolamento por conta da pandemia, fazendo com que a vítima e o agressor estejam compartilhando do mesmo local. Observa-se que o ambiente doméstico tornou-se o lugar mais seguro para conter a transmissão da Covid-19, no entanto, acabou trazendo desdobramentos em todas as esferas da sociedade, inclusive para muitas mulheres, visto que é justamente no espaço privado onde elas estão mais vulneráveis para as diferentes formas de violência, evidenciando assim, que ficar em casa não é necessariamente sinônimo de proteção. No Brasil, houve um aumento de 18% nas denúncias aos serviços Disque 100 e Ligue 180, segundo a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), entre os dias 1 e 25 de março de 2020. Tendo em vista esse aumento das situações de violência, é necessário compreender quais motivos que precipitaram e/ou intensificaram tal fenômeno de maneira que possam ser pensadas medidas de prevenção e enfrentamento da problemática. Um dos elementos precipitadores e/ou intensificadores da violência conjugal, em tempos de pandemia da Covid-19, diz respeito à instabilidade econômica, pois é expressado pela redução dos salários, desemprego, falta de recursos e dependência econômica feminina, o que acaba contribuindo para gerar desentendimentos e, consequentemente, violência conjugal. Ou seja, a perda do emprego durante a pandemia e a consequente queda da renda familiar tornam o espaço doméstico estressante, potencializando comportamentos violentos. A pandemia ocasionada pelo novo coronavírus acabou intensificando as crises que já faziam parte das realidades mundial e nacional. Na realidade brasileira, quando considerado os meses de março e abril de 2020, identificou-se um aumento de 27% das denúncias de violência contra a mulher no ligue 180. No entanto, os registros de lesão corporal tiveram uma redução, quando comparado ao ano anterior. (Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2020). Os dados indicam diferentes realidades no território nacional apontando para heterogeneidades, mas deixando claro que, para muitas mulheres aprisionadas junto à seus agressores/as, as dificuldades de se fazer uma denúncia nos equipamentos públicos se intensificaram. Nesse âmbito, se fazem necessárias e urgentes políticas públicas que possibilitem efetivamente a prevenção e o enfrentamento dessas violências. Para isso, é preciso orçamento, pois dados também informam que, do ano de 2020 para 2022, os recursos para combater a violência contra a mulher reduziram 90%. Portanto, os resultados apontam para a importância de olhar para o processo histórico e cultural da sociedade capitalista, que é de um caráter patriarcal, onde trata-se a mulher como um objeto sexual submisso ao gênero masculino. É necessário criar espaços onde se analise o lugar da mulher nesta sociedade para mudar a forma como elas são vistas e tratadas, de forma a evitar que ocorram violações de direitos.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
FERREIRA, B.; ARNT MACHADO, J.; MOREIRA DE OLIVEIRA, D.; CECHIN DA SILVA, E.; RAQUELI PEDERSEN, J. VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA PANDEMIA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.