OS DESDOBRAMENTOS DO ASSÉDIO SEXUAL NO COTIDIANO DA MULHER NEGRA

  • Thaliene de Aquino
  • Lauren Adrielly de Almeida Melo
  • Maria Eduarda de Leon Trindade
  • Monique Soares Vieira
Rótulo Assédio, Sexual, Gênero, Raça

Resumo

Atualmente vivemos em uma sociedade a qual mulher é colocada em lugar de subalternanidade comparada ao homem, sendo possível perceber que ela acaba sendo subjugada pelo domínio patriarcal, contribuindo assim para a naturalização da objetificação de seus corpos, fazendo com que o assédio sexual aconteça de diversas maneiras. O sexismo existente em nosso meio se torna comum diariamente, fazendo com que piadas e brincadeiras de cunho sexual coloquem as mulheres em situações constrangedoras em qualquer âmbito da sociedade, até mesmo na universidade, pois o assédio sexual é uma questão naturalizada perante a sociedade, sendo muitas vezes passando despercebido ou identificado como alguma brincadeira que tendem a envergonhar ainda mais a mulher que sofreu com a ação. sta ideia coloca a mulher negra numa posição de vulnerabilidade, impedindo de ter liberdade sobre o seu corpo e sendo alvos de comentários carregados de piadinhas e de duplo sentido, olhares sugestivos e toques inadequados. Um exemplo que expõe com clareza este mito, a presença da democracia racial, é o carnaval, onde a mulher negra é adorada e tratada como uma soberana pelo seu samba no pé e beleza, porém é um perigo que esconde a violência que expressa o racismo na sua forma mais perversa. Reforça-se também a necessidade de políticas públicas que assumam a existência do assédio sexual as mulheres negras, para remediar os danos da opressão vivênciada por essas mulheres e conscientização para o futuro, pois de acordo com as respostas das participantes entrevistadas nesse trabalho, que apontam a reprodução do assédio sexual racista as mulheres que frequentam a universidade, mostra também nesse mesmo ambiente da Unipampa deveria começar a luta contra esse tipo de violência, pois é preciso promover a desnaturalização de todo um legado discriminatório contra as mulheres em relação a supostos papéis de gênero e padrões rígidos e desiguais de exercício da sexualidade. As mulheres vão enfrentar barreiras de todos os tipos para acessar serviços e políticas públicas pensadas a partir da realidade, por exemplo, dos grandes centros urbanos e de um perfil específico de mulher vítima de violência, e que não consideram e muitas vezes não possuem profissionais preparados para atender as demandas das mulheres em toda a sua diversidade. Compreender e desnaturalizar estigmas sexuais em relação às mulheres são essenciais nesse sentido, não só para que as instituições de saúde, segurança e justiça estejam melhor preparadas para acolher uma mulher que sofre uma violência sexual, como para que a própria população questione padrões normativos que hierarquizam vidas e corpos. Apreende-se que as mulheres pertencentes às classes que são subalternizadas, podendo identificar que esses relatos destacaram a necessidade de mudança, sugerindo a intersecção de desigualdades entre gênero, classe e raça, e enfatizaram o papel que as práticas de liderança desempenham na manutenção ou promoção de uma cultura que apoia o abuso de poder sobre as mulheres sob a forma de má conduta sexual. A decisão de registrar a denúncia abre debate para muitas possibilidades e uma delas, talvez a mais marcante, seja o desacredito da vítima. Quantos relatos são desvalorizados por profissionais que deveriam oferecer segurança e acabam por duvidar, aumentando com o sentimento de vergonha e impotência da mulher que buscou ajuda. Além de que, o processo de recolhimento de informações e entre outros aspectos necessários para a efetivação da denúncia é bastante burocrático, tornando frustrante e angustiante para a vítima que fica na espera de um resultado.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
DE AQUINO, T.; ADRIELLY DE ALMEIDA MELO, L.; EDUARDA DE LEON TRINDADE, M.; SOARES VIEIRA, M. OS DESDOBRAMENTOS DO ASSÉDIO SEXUAL NO COTIDIANO DA MULHER NEGRA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.