A CONDENAÇÃO DO USO DA CANNABIS COMO UMA QUESTÃO DE PRECONCEITO RACIAL SECULAR NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

  • Camila Costa Lamberti
  • Natalia Novacoski Silva
  • Giovana de Aquino Camello
  • Laura de Lima Cadaval
  • Ana Elíria Bonafé de Moura
  • Rafael Balardin
Rótulo Condenação, Cannabis, Preconceito, Relações, Internacionais

Resumo

A guerra contra a legalização da maconha que atualmente acomete as várias regiões do globo, inclusive o Brasil, é pautada não em uma guerra contra às drogas, mas sim em uma guerra contra as minorias - negros, pobres e imigrantes. Devido a uma série de razões ideológicas, políticas-econômicas, mas principalmente raciais, a Cannabis e seus usuários foram não só criminalizados como também condenados na sociedade atual, ocasionando uma crescente marginalização e o uso da violência para com esses grupos. Traçando um panorama geral, a maconha sempre se fez presente nas mais diversas regiões: seu uso recreativo e medicinal foi introduzido na branquitude pelos negros africanos durante a época de colonização e escravidão. Após a abolição internacional da escravidão, a herança do racismo derivada desse período permaneceu na sociedade, assim como a perseguição das culturas e costumes dessa parcela da população. A Cannabis não saiu ilesa dessa caçada e se tornou o disfarce perfeito para justificar o preconceito nesse meio. Sua popularização em meio aos grupos de jazz nos Estados Unidos durante o século XX, fez com que muitas fake news passassem a circular, veiculadas principalmente pelo governo, onde o uso da maconha foi associado à prática de crimes como estupros e assassinatos, sem nenhuma comprovação científica. Nos governos de Richard Nixon e Ronald Reagan, uma política de guerra às drogas foi imposta e influenciou o mundo inteiro a adotar a mesma postura, somado às conferências internacionais realizadas, como a Conferência Internacional do Ópio em 1924, a comunidade internacional passou a aderir uma visão conservadora sobre o uso e comercialização da planta. Além disso, as indústrias de algodão e de petróleo, receosas de um produto concorrente que dominasse o mercado, já que a fibra de cânhamo tem diversas aplicações e um elevado potencial, se tornaram as principais financiadoras da criminalização da maconha. Em relação à legitimação das causas, a partir do movimento hippie em 1970, com a crescente aderência dessa cultura pela comunidade branca, as movimentações pela descriminalização da Cannabis passaram a se tornar mais legítimas, além do progresso nos estudos científicos acerca dos benefícios medicinais da planta no combate às diversas doenças e também nos estudos econômicos que avaliam a lucratividade e a geração de renda que a comercialização da maconha traria à economia. Desse modo, o presente trabalho busca investigar os motivos da maconha ser condenada na sociedade atual e como essa condenação da planta tem ligação direta com o preconceito racial por meio de uma análise do contexto histórico e movimentações internacionais ocorridas desde meados do século XVI, assim como traçar um panorama da conjuntura internacional atual. O método utilizado na pesquisa foi a abordagem qualitativa por meio de pesquisas bibliográficas e documentais em artigos científicos, notícias e documentários selecionados de acordo com sua pertinência na investigação. Portanto, os documentos analisados frequentemente indicam que o uso da cannabis não é um problema de saúde pública, pois não há relatos de overdose decorrentes de seu uso, além de ser atrelada a muitos benefícios medicinais, e que caso fosse, o álcool e o cigarro também deveriam ser criminalizados em decorrência de seus malefícios e dependência. Desse modo, se torna evidente que a guerra contra a maconha no início do século passado se configurou como um movimento movido pelo racismo, conservadorismo e preceitos capitalistas que ainda são muito presentes na sociedade. Na conjuntura internacional, identifica-se um relativo progresso, todavia muito lento, quanto à flexibilização de leis que adiram ao movimento da legalização da Cannabis em algumas localidades, visto que a própria ONU a desclassificou como uma droga perigosa, enquanto em outras, nota-se um crescente retrocesso nesse meio, com ideais conservadores que são pautados ora na religião e desinformação, ora no preconceito enraizado no corpo social.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
COSTA LAMBERTI, C.; NOVACOSKI SILVA, N.; DE AQUINO CAMELLO, G.; DE LIMA CADAVAL, L.; ELÍRIA BONAFÉ DE MOURA, A.; BALARDIN, R. A CONDENAÇÃO DO USO DA CANNABIS COMO UMA QUESTÃO DE PRECONCEITO RACIAL SECULAR NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.