COLECIONADORES E ANTIQUÁRIOS: O CONSUMO DE OBJETOS ANTIGOS NA CIDADE DE PELOTAS

  • Taciana Casanova Kurz
  • Diego Lemos Ribeiro
Rótulo Colecionismo, Memória, Poder, Antiguidade

Resumo

A cidade de Pelotas é reconhecida através de seu significativo patrimônio histórico e arquitetônico, oriundo de um período de grande desenvolvimento econômico: o ciclo do charque. A valorização deste patrimônio é percebida nos antigos casarões e prédios públicos, onde é possível ter uma noção da riqueza e cultura da cidade durante o século XIX e início do século XX. Também é possível perceber uma grande quantidade de antiquários, briques e sebos e brechós, ou seja, o consumo de antiguidades é nítido nesta cidade, por este móvito, surge a curiosidade de saber o porquê da existência e do crescimento deste comércio, e entender melhor o mundo dos colecionadores, pois se há o comércio de antiguidades é porque deve haver muitos compradores, sendo muitos deles colecionadores. Como colecionadora, sempre admirei o mundo do colecionismo, minha monografia na graduação no curso de museologia, realizado UFPel no ano de 2010, foi sobre este assunto, intitulada de Coleções, Memória e Poder: análise de dois museus pelotenses (Museu da Baronesa e Museu Farmacêutico Moura) , foi tratado a origem do colecionismo, e sua importância no surgimento dos museus. Porém como este é um tema muito amplo houve a pretensão de aprofundar mais o estudo, e por isso foi escolhido para trabalhá-lo recentemente. Este trabalho é um desdobramento do primeiro capítulo da dissertação em desenvolvimento será sobre o colecionismo. O termo brique, não está no dicionário formal, significa comercio de móveis e objetos usados, é encontrado neste trabalho escrito brique, bric, brik e Brick, conforme os proprietários utilizaram em seus estabelecimentos. Porque colecionar? O que é uma coleção? Respondendo, (ou tentando), talvez haja tantas coleções espalhadas pelo mundo porque, sendo a memória falha, se homem dependesse apenas dela para imortalizar seus feitos e suas histórias, provavelmente quase tudo seria apenas lembranças. Então se vê obrigado a acumular objetos, pois as dissipações desses referenciais seriam prejudiciais para uma meditação sobre sua própria vida. Respondendo a segunda questão, uma coleção é segundo POMIAN, 1997 qualquer conjunto de objetos mantidos temporária ou definitivamente fora do circuito das atividades econômicas sujeitas a uma proteção especial num local fechado preparado para este fim e exposta ao olhar. As coleções estabelecem relações entre dois mundos: o visível e o invisível, ou seja, entre o passado e presente, memória e esquecimento. Os objetos, mesmo nos remetendo ao passado apresentam novas verdades, pois passado e presente não são independentes e sim estão em uma trajetória contínua em que a cada passo adquirimos conhecimentos capazes de olhar o passado com outros olhos, outros sentimentos, outras lembranças. A preservação dos objetos pode ser justificada pela perda da memória, pela ameaça do esquecimento. Nessa perspectiva está envolvida uma força chamada poder e ele é o promotor de memória e esquecimento, pois, a memória sempre é seletiva. O presente trabalho consiste da utilização de fontes primarias: (entrevistas orais com os donos de antiquários e com colecionadores) e secundarias: os teóricos principais que usarei serão Plilipp Blom e Krzyztof, Pomian. Primeiramente foi realizada uma leitura de diversas fontes, sobre assuntos relacionados ao colecionismo e ao uso de fonte oral. Após as leituras foram realizadas as entrevistas que foram gravadas em aparelhos adequados e depois transcritas, após a transcrição foi feito a análise das entrevistas e sua relação com as fontes. Os resultados foram baseados no levantamento do comércio de antiguidades na cidade, (atualmente é encontrado na cidade de Pelotas, 34 comerciantes de antiguidades, sendo 6 sebos, 17 briques e 11 antiquários), e também nas entrevistas realizadas com o proprietário do Antiquário Lalique e também colecionador: Ricardo Osório Magalhães, o proprietário do Brick Quebra Galho Eduardo Fagundes, e do colecionador José Gilberto Peres de Moura. Foi constatado que realmente a cidade de Pelotas vive um período de grande valorização dos objetos antigos, motivo este que levou muitos briques a se tornarem antiquários, mesmo mantendo o nome original, como foi possível perceber no caso do brique quebra galho, vários motivos teriam levado a este grande impulso no comercio de antiguidades, é possível que seja devido a desfeitas dos novos proprietários herdeiros dos casarões, com os objetos antigos, ou seja eles não são valorizados no sentido do afeto, pois não há o gosto decorativo para tais objetos, e até mesmo (pouco provável, mas alguns casos) de falência de algumas famílias ricas que se viram obrigadas a se desfazer de seus objetos e móveis. Seja qual for o motivo o fato é que os negociadores de antiguidades das cidades se veem abarrotados de velharias para alguns, mas verdadeiras preciosidades para os donos de antiquários e principalmente para muitos colecionadores que não precisam ir muito longe para achar mais um item para sua coleção.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2022-11-23
Como Citar
CASANOVA KURZ, T.; LEMOS RIBEIRO, D. COLECIONADORES E ANTIQUÁRIOS: O CONSUMO DE OBJETOS ANTIGOS NA CIDADE DE PELOTAS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.