AS COMUNIDADES DO CAMPO E AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

  • Elena Carvalho Dumer
  • Annie Brito
Rótulo representações, sociais, comunidades, campo, resistência

Resumo

AS COMUNIDADES DO CAMPO E AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS Elena Carvalho Dumer, discente de graduação, Universidade Federal do Pampa, Campus Dom Pedrito Annie Mehes Maldonado Brito, docente, Universidade Federal do Pampa e-mail primeiro autor- elenadumer.aluno@unipampa.edu.br Este estudo teve como objetivo descrever as representações sociais de assentados e quilombolas do campo para públicos diversos, a partir da teoria das representações sociais de Moscovici. Na história brasileira, no passado, as comunidades quilombolas eram a possibilidade de liberdade, e contemporaneamente, espaço de resistência. Na etapa Nacional, Região Sul, do Congresso Internacional da Educação em Territórios Rurais, Educação do Campo, das Águas, das Florestas e dos Povos Originários, a ativista Djankaw, da Comunidade Quilombola Paiol de Telha/PR, afirma que abordar essa temática é acessar as raízes do povo brasileiro na medida em que a construção sócio-histórica do Brasil, a partir da colonização e posterior colonialidade foi imposta a inúmeros povos, inclusive para estas comunidades. Por sua vez, os assentamentos significam um recomeço de uma vida, um recomeço de história, pois a partir da conquista da terra, passa a se construir, produzir e colocar em prática os ensinamentos passados de geração em geração, com todo amor à mãe terra. Neste sentido, acessar os conteúdos representacionais sobre esses grupos é desvelar aspectos do imaginário social sobre o que constitui o povo brasileiro. A metodologia da presente pesquisa sofreu alteração devido à pandemia Covid-19, priorizando os cuidados de saúde preconizados neste contexto. Assim, a pesquisa que se previa de campo, com realização de entrevistas semiestruturadas e com público específico, tornou-se revisão bibliográfica com público diverso, utilizando a base de dados scielo, revistas de pós-graduação e anais de congressos. Os descritores utilizados foram: representação social, pensamento social, preconceito, estigma, comunidade quilombola, quilombola, assentamento, assentado. Foram encontrados quinze artigos, os quais foram estudados e somente dois deles utilizados nesta pesquisa por atenderem ao menos parcialmente o objetivo que se buscava. Em pesquisa realizada sobre o ser quilombola, com 20 pessoas moradoras da comunidade remanescente de Tijuaçu/BA, constatou que o grupo se representa como composto por iguais, porém enfrentam preconceito e discriminação vinda de fora da comunidade. Sentem que externo à comunidade são percebidos como negros ignorantes e sofredores. Buscam valorizar e desenvolver a auto estima por parte dos integrantes da comunidade. Expressam que internamente tanto mulheres quanto homens são vistos como trabalhadores e esforçados. Outra representação saliente é da valorização e respeito pelos mais velhos, os quais são responsáveis por contar as vivências às crianças e repassar a história da comunidade. Já em estudo de 2010, realizado no Assentamento Horto Bela Vista/SP, as representações sociais de mulheres sobre o assentamento e a identidade feminina referem sentimentos de desvalorização e menosprezo em relação ao trabalho desenvolvido por elas, evidenciando a invisibilização do trabalho reprodutivo, com marcas de sobrecarga e não reconhecimento do trabalho cotidiano realizado no assentamento. Constata-se a necessidade de desenvolver atividades que promovam essa reflexão sobre como se dividem os papéis sexuais e o que envolve a jornada de trabalho feminino, bem como a compreensão difundida sobre feminilidades e masculinidades que retira a permissão de alguns trabalhos aos homens, delegando-os exclusivamente às mulheres. Essas duas comunidades do campo têm como luta o fortalecimento dos laços internos, seja para que possam caminhar na direção do rompimento das colonialidades impostas e que repercutem dentro da própria comunidade, seja para construírem juntamente com toda a sociedade, forças contra hegemônicas que possam fazer frente a várias forças opressoras, como o racismo e o machismo através do patriarcado e que nos atravessam, conforme os estudos desenvolvidos na Bahia e em São Paulo. Agradecimentos: CNPq Palavras-chave: Representação social; comunidades do campo, resistência

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
CARVALHO DUMER, E.; BRITO, A. AS COMUNIDADES DO CAMPO E AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.