A PERCEPÇÃO DO SURDO SOBRE O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM NO ENSINO REMOTO.

  • Taise Gomes dos Santos Cá
Rótulo Palavras-chave, Surdez, Inclusão, Deficiência

Resumo

A partir do estabelecimento das atividades remotas emergenciais (AREs), no contexto da Universidade Federal do Pampa, surge a seguinte problemática como estariam sendo estabelecidas as aulas remotas para acadêmicos com deficiência. Nessa perspectiva, foi realizado um estudo de caso com uma acadêmica surda do sétimo semestre do curso de administração, com a articulação entre pares desse processo inclusivo: um docente que atua com a mesma e a Tradutora intérprete de Libras (TILS). Sendo assim, o objetivo geral do estudo compreende entender de que forma o ensino remoto está sendo organizado para que a aprendizagem acadêmica aconteça de forma eficaz. Esta pesquisa justifica-se pelo fato de compreender as estratégias de aprendizagem de uma pessoa que comunica-se através de uma Língua visual espacial e que necessita de constantes ajustes para que o conhecimento aconteça. METODOLOGIA Na perspectiva de conseguirmos responder aos objetivos deste estudo procuramos utilizar uma abordagem qualitativa, sob o enfoque do estudo de caso, como método de pesquisa. Sendo assim, para pesquisar o fenômeno de interesse, a relação entre ensino e aprendizagem no ensino remoto, conduzimos o estudo de caso de uma aluna com surdez, realizado no ano de 2021, na Universidade Federal do Pampa, campus Santana do Livramento, no curso de administração. A fim de coletar as informações necessárias, foram aplicadas entrevistas semi-estruturadas com um docente da acadêmica, a TILS que trabalha com a mesma e a própria aluna surda. RESULTADOS E DISCUSSÕES Primeiramente a entrevista foi direcionada a acadêmica surda, com o interesse em compreender como está ocorrendo a sua aprendizagem durante o ensino remoto. Relato da aluna surda: Durante as aulas tenho o acompanhamento da intérprete, porém os professores continuam a fazer a sua aula como se estivessem presencialmente, longos diálogos, pouco uso de recursos visuais, as aulas são feitas na maioria das vezes de forma síncronas pelo google mett durante uma hora ou uma hora e meia, também há aulas assíncronas onde os professores enviam vídeo aulas, quase sempre sem legendas, necessitam da tradução da TILS, ou a colocação de legendas por monitores, muitas vezes dificultando minha aprendizagem, pois espero que sejam feitos esses ajustes para poder assisti-los atrasando minhas atividades. Sendo assim, há a necessidade de competências dos professores para perceberem que o processo é distinto das aulas presenciais, no relato da aluna torna-se massivo ficar diante do computador por horas com diálogos, longos e persistentes, talvez em sala de aula esse espaço seja envolvido por uma dinâmica totalmente diferente, e que lhe traga proximidade com os docentes. Em relação a TILS a mesma aponta que: Neste processo que o ensino remoto as exigências transformaram-se, assim como as altas demandas de trabalho, pois agora todo o ato .comunicativo é mediado seja simultâneamente ou a distância, os professores têm dificuldades em enviar as aulas com antecedência e também de criar um ambiente colaborativo entre o TILS, algo que já acontecia no presencial,até enviam as primeiras aulas, mas depois é necessário insistir, preciso muitas vezes interpretar certos conteúdos que aluna não deu conta no momento das aulas síncronas, para os professores somente a presença do TILS já é um aspecto para a inclusão,. Quanto a perspectiva do docente o mesmo coloca que: É a primeira vez que trabalho com uma discente surda, tudo é novo, tento usar tecnologias diferenciadas, como o uso da lousa digital para explicar o conteúdo mas percebo que a acadêmica surda precisa dividir sua atenção entre a minha explicação e a TILS, estou usando a plataforma Elearning onde disponibilizo as aulas gravadas, porém sei que não fica gravada a figura da TILS, também deixo o livro da disciplina, e o print da lousa que usei durante a aula da semana. Irei realizar provas no final do semestre. Dessa forma, ponderar sobre as singularidades de cada acadêmico, percebe-se a emergência de adequações pedagógicas que melhorem o desempenho, sendo uma perspectiva a ser usada em sala de aula presencial, quanto para o ensino remoto, pois os acadêmicos precisam sentir-se motivados e assim não serem prejudicados por um planejamento que não o inclui. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante da realidade apresentada fica evidente a necessidade de discussões no que tange ao processo de inclusão. A aluna coloca sua segurança na presencialidade, pois sente-se mais próxima dos docentes, porém os mesmos choques da TILS e professores acontecem, as mesmas inversões de papéis enfim só foram transferidas para o ensino remoto. Sendo assim, esta pesquisa possibilitou um entendimento sobre a inclusão de alunos com surdez em tempos de pandemia, compreendendo que para a efetivação de um processo de ensino-aprendizagem efetivo.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
GOMES DOS SANTOS CÁ, T. A PERCEPÇÃO DO SURDO SOBRE O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM NO ENSINO REMOTO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.