FENÔMENO DA JUVENILIZAÇÃO DA EJA

  • Thais Reder
  • Sonia Maria da Silva Junqueira
Rótulo EJA, juvenilização, ingresso, precoce, novas, demandas

Resumo

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma das modalidades de ensino da Educação Básica, que se destina aos discentes que não tiveram acesso à escola na idade correta ou ainda, aos que ingressaram nos bancos escolares e por algum motivo precisaram abandoná-los, conforme descreve o artigo 37 da Lei 9394/96. O público que necessita dessa modalidade de ensino está inserido em uma sociedade letrada, em que a informação circula de forma rápida, sendo altamente urbanizada e tecnológica. Por esses motivos, o domínio da leitura, escrita e principalmente da interpretação se faz fundamental, pois a falta dessas habilidades causa grande exclusão e dificuldade de acessar condições básicas de uma cidadania plena. Nesse contexto, as turmas de EJA geralmente são heterogêneas, formadas por adolescentes, adultos e idosos, com histórico de vulnerabilidade social, marginalizados, mesmo que na maioria dos casos alguns já se encontrem inseridos no mundo do trabalho, geralmente carregam uma trajetória de vida cheia de experiências e saberes constituídos fora dos bancos escolares. Diante de tal problemática, o presente estudo tem o objetivo de identificar e analisar aspectos da realidade educacional que promovem o fenômeno da juvenilização na EJA. Esse processo de juvenilização se caracteriza pela evidência da diminuição da idade dos estudantes matriculados na EJA, e aponta que esses sujeitos iniciam seu caminho nessa modalidade cada vez mais jovens e próximos do período em que deveriam estar plenamente inseridos no ensino regular. Esta investigação se justifica quanto à relevância social da pesquisa, pois a EJA é a modalidade de ensino que se caracteriza por ser a última oportunidade de escolaridade na escalada de abandono escolar. A compreensão e o fortalecimento das pesquisas em EJA são, portanto, importantes vias de desenvolvimento humano para o encontro de novas oportunidades no âmbito da aprendizagem, além de acesso a direitos para a reconstrução da realidade social de seus alunos. A metodologia deste estudo é qualitativa, compreendida por uma revisão bibliográfica, a partir da busca e análise de dissertações que abordam a temática da juvenilização na EJA. Na análise, encontrou-se escritos recentes, dentre os quais, optou-se por trazer neste resumo um texto da pesquisadora Emeline Dias Lódi, que apresenta, através de um estudo de caso, as características dos alunos estudantes da EJA no município de Ponte Serrada-SC, com o objetivo de identificar os motivos que levam os jovens a migrarem para EJA. Os resultados alcançados pela autora versam que o fenômeno da juvenilização representa a nova identidade da EJA e merece atenção e engajamento dos gestores escolares e professores para este movimento, como forma de aprimorar as estratégias para não perder o aluno novamente. A pesquisadora identifica causas apontadas pelo público juvenil na sua pesquisa, a fim de justificar o abandono da escola regular, e sinaliza: a necessidade de entrar para o mercado de trabalho, algum dissabor com processo de escolarização como repetidas reprovações ou notas baixas e fatos pessoais ocorridos de forma inesperada, como gravidez, mudança de cidade ou problemas de saúde. O estudo também destaca que a mudança na legislação em 1996, com a redução da idade de ingresso para a EJA, dá início a esta renovação do público assim como à trajetória de insucesso vivida por alguns alunos, no ambiente escolar. Desse modo, conclui-se com este estudo, a verificação de um novo perfil de EJA e, portanto, é necessário ampliar os estudos sobre esta nova realidade, a fim de acolhê-la, tornando a EJA própria para todas as idades que essa modalidade abarca. A organização inicial dessa modalidade pode ter sido pensada para atender prioritariamente o público de jovens adultos ou idosos, mas o que se identifica é um público cada vez mais jovem de ingressantes na EJA, com necessidades também cada vez mais próximas das mesmas demandas dos estudantes do ensino regular. Assim, os atores escolares, como professores, orientadores pedagógicos, diretores e gestores públicos precisam estar cientes sobre este processo de redução da idade do público da EJA e proporcionar aos estudantes as condições de ingresso e de permanência com êxito nessa modalidade que se constitui para muitos a sua última chance de retomar seu processo educacional.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2022-11-23
Como Citar
REDER, T.; MARIA DA SILVA JUNQUEIRA, S. FENÔMENO DA JUVENILIZAÇÃO DA EJA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.