O HIDROGÊNIO COMO UMA ALTERNATIVA PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

  • Christian Lyrion de Barros Fontão
  • Flavio Augusto Lira Nascimento
Rótulo Crise, Climática, Energias, Renováveis, Hidrogênio, Política, Internacional, Transição, Energética

Resumo

A crise climática vem piorando como reflexo da ação antrópica, existem diversos problemas relacionados ao intenso aproveitamento de recursos naturais e à poluição da natureza, mas as principais razões dessa poluição estão relacionadas à forma de produção e consumo de energia. A partir da Primeira Revolução Industrial, a utilização de combustíveis fosseis aumentou exponencialmente e resultou na poluição atmosférica com gases causadores do efeito estufa e que proporcionam grande instabilidade climática. A mudança do uso de fontes energéticas poluentes e não renováveis para renováveis e limpas é um movimento que vem se desenvolvendo atualmente. Ou seja, existe um esforço conjunto de modificar a realidade da utilização de energia, seja ela derivada do carvão, gás natural, nuclear e, principalmente, do petróleo para fontes verdes como hidrelétrica, biomassa, solar, eólica, maremotriz e hidrogênio. Este último, vem recebendo importante visibilidade devido a características que favorecem seu uso como combustível limpo. Portanto, o objetivo da pesquisa foi analisar o papel do hidrogênio na política internacional como uma alternativa de combustível sustentável para a transição energética. Os objetivos específicos incorporam: a) compreender a utilização do hidrogênio como fonte energética; b) caracterizar os tipos de hidrogênios existentes; c) avaliar a viabilidade econômica de seu transporte d) descrever os principais países que desenvolvem políticas de incentivo à sua produção; e) estimar como sua utilização impacta na concretização das metas de emissão de carbono. A metodologia foi organizada a partir de uma abordagem de caráter qualitativo e com natureza de pesquisa aplicada, assim como a utilização do método hipotético-dedutivo. Quanto aos procedimentos, a pesquisa foi feita a partir da análise documental e da revisão bibliográfica de livros, artigos, policy papers, notícias e sites relacionados ao tema, assim como relatórios de organismos como a Agência Internacional de Energia, o Departamento de Energia dos Estados Unidos, a Empresa de Pesquisa Energética Brasileira e outros. Os resultados são: a) o hidrogênio é um elemento com características físico-químicas únicas, além de ser o quarto mais abundante no planeta, ele é o elemento mais leve conhecido. Suas propriedades proporcionam versatilidade e alto rendimento calorifico, além de ser uma fonte de energia renovável. Outro fator relevante é que sua geração de energia por células de combustível é no mínimo duas vezes mais eficaz do que a obtida tradicionalmente e ele tem um potencial energético três vezes maior que da gasolina; b) existem três principais formas ou cores do hidrogênio, elas representam diferentes aspectos de sua produção. O Hidrogênio cinza é obtido através da queima de combustíveis fosseis e capturado como um resíduo. Essa forma é a mais barata comercialmente e domina grande parte da produção no mundo. O problema dessa produção é a quantidade de poluentes que é liberada quando ele é extraído. O segundo é o azul, ele é obtido da mesma maneira que o cinza, a partir de combustíveis fosseis, principalmente gás natural. Entretanto, existe a captura de gases, sobretudo carbono, como uma etapa extra do processo de produção, fazendo com que seja menos poluente. O terceiro e mais promissor é o verde, ele é gerado a partir da eletrólise da água e, devido a isso, não tem nenhum tipo de resíduo poluente. Ademais, a energia utilizada na eletrólise vem de fontes renováveis como eólicas e solares, garantindo a pureza de todo processo; c) existem algumas alternativas viáveis para o transporte de hidrogênio, como em forma liquefeita e tanques de gás, entretanto, a mais efetiva é por meio de gasodutos, que podem ser aproveitados a partir da infraestrutura preexistente, principalmente do gás natural, conseguindo transportar maior quantidade de gás por longas distancias e com baixos custos; d) existem Estados que têm importantes capacidades de armazenamento e volume de produção de energias renováveis ou familiaridade com a produção e utilização de gás natural e derivados do petróleo, o que facilita a produção de hidrogênio azul ou verde, como os Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Reino Unido, França, Países Baixos e Suécia; e) mesmo com estratégias para a inserção de hidrogênio na economia global, existem certas defasagens e falhas nas atuais iniciativas para cumprir com o objetivo de emissão zero de poluentes. As prospecções utilizando os acordos atuais demonstram que a capacidade de produção de hidrogênio é menos que 50% do ideal. Dessa forma, é possível concluir que apesar de não ser o mais utilizado atualmente, o hidrogênio é sim uma alternativa viável para a transição. Sua capacidade de substituir outras fontes, ser utilizado na indústria, no armazenamento e transmissão de energia proporcionam atributos únicos para o desenvolvimento sustentável, principalmente se utilizado a partir do hidrogênio verde.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
LYRION DE BARROS FONTÃO, C.; AUGUSTO LIRA NASCIMENTO, F. O HIDROGÊNIO COMO UMA ALTERNATIVA PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.