''''SABOTAGE'''' E SUA RELAÇÃO COM AS CRIANÇAS DAS PERIFERIAS BRASILEIRAS

  • Jose Henrique Martins Biazi
  • Juan Brandi Prado
  • Angelo Santos Alberti
  • Rafael Balardim
Rótulo Rap, Sabotage, Crianças, Crime, Brasil

Resumo

O tráfico de drogas e o crime organizado são obstáculos que afetam toda a América Latina, e no Brasil não é diferente, com Mauro Mateus dos Santos, o Sabotage, também foi assim. Devido ao seu envolvimento com esses problemas, o rapper e sua influência foram fundamentais para uma interpretação mais aprofundada de como as crianças periféricas vivem e reagem diante desta realidade, através de suas obras tanto musicais quanto cinematográficas nos anos 1990, período no qual os rappers brasileiros não tinham visibilidade ou sequer espaço nos meios de comunicação da época. O objetivo da presente pesquisa é analisar as obras de Sabotage e sua relação com as crianças das periferias brasileiras, mais especificamente, discorrer a vida de Sabotage e como ele queria que as crianças à sua volta tivessem uma vida diferente, com mais oportunidades. Foi usada como metodologia de estudo uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória, utilizando como base o documentário dirigido por Ivan Vale Ferreira, da Produtora 13 produções (13p): Sabotage: Maestro do Canão (2015) e de outras leituras complementares como Um Bom Lugar: biografia oficial de Mauro Mateus dos Santos, escrita por Toni Carlos, da editora LiteraRUA. Diante de tanto crime e pobreza, torna-se interessante o estudo de como é possível evitar que esses males façam parte da vida das crianças da periferia através da arte, como Mauro, artista negro, que nasceu e morreu na favela fez. Durante sua vida, enfrentou diversos problemas estruturais que até os anos atuais, ainda afetam diversas crianças e consequentemente os jovens e adultos. Sempre se preocupou em fazer uma discussão social ao falar dos marginalizados e não sobre o racismo, esta forma de pensar influenciou bastante a sua relação para com os brancos, que sempre o receberam bem. Cresceu sem pai fazendo com que sua mãe assumisse o papel materno e paterno, tendo que aceitar a responsabilidade de um adulto muito cedo para manter a casa e os irmãos, não podendo aproveitar sua infância. Assim como ele, diversas crianças e jovens da periferia precisam começar a trabalhar muito cedo, aumentando casos de trabalho infantil e abusos onde 62,7% são crianças negras. Diante de tantas fragilidades, Mauro foi para o mundo do crime organizado, onde participava do tráfico de drogas e fazia parte de pequenos concursos de rap, que acabaram não tendo mais a participação do rapper, pois aos 15 anos ele foi acusado de roubo, o que resultou em prisão. Ao sofrer uma violenta abordagem policial perdeu os dentes da frente, e quando as crianças perguntavam o que tinha acontecido, ele respondia que passou a viver e comer música através de toca-fitas, por conta disso acabou perdendo os dentes da frente, para de algum modo tentar manter a inocência dessas crianças por mais tempo. Ao falar sobre a pobreza, Sabotage está sempre sozinho, consolidando com a ideia de que sua condição social era encarada por ele como algo que o mantinha distante e o fazia carregar uma forte dor ao refletir sobre a injustiça presente em sua realidade. E quando isso acontecia, ele procurava refúgio no convívio social, muitas vezes próximo das crianças, pois eram suas fiéis seguidoras que o admiravam, assim com os apóstolos a Cristo. Sabotage foi e é uma das figuras mais importantes na luta contra as desigualdades e ao crime organizado na cena do rap brasileiro, mesmo demorando para ser reconhecido. Ele foi morto em 23 de janeiro de 2003, por um traficante que declarava que Mauro estava atrapalhando o tráfico de drogas da área, mesmo com alegações de que ele já não estava no mundo do tráfico há anos. O assassinato ocorreu um dia antes do que seria um dos maiores feitos da sua carreira, pois ele seria uma das principais figuras no Fórum Social Mundial em Porto Alegre, onde ocorreria o encontro de diversos movimentos sociais do mundo inteiro, onde ele teria uma grande projeção internacional e que se aproximaria de ideias de esquerda. Os resultados dessa pesquisa são que através da sua arte, Sabotage tinha uma mensagem bem clara, falando sobre todas essas dificuldades e que o melhor era manter-se afastado do mundo do crime organizado, atingindo muitas crianças e jovens da periferia, que mesmo tendo o tráfico de drogas como uma das principais fontes de renda desses locais, lutam todos os dias por uma vida honesta e respeitável, ainda que tenham mais incentivo de facções criminosas do que do Estado. Suas obras também servem para a conscientização de pessoas que não são da periferia, contribuindo com a reparação social histórica. Concluindo, a arte e a cultura podem ser grandes artefatos no combate às desigualdades e ao crime organizado, fomentando que devem ser feitos investimentos da parte do Estado nessas áreas, assim crianças e jovens suburbanos teriam influências e visões de mundo não envolvidas com o crime organizado.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
HENRIQUE MARTINS BIAZI, J.; BRANDI PRADO, J.; SANTOS ALBERTI, A.; BALARDIM, R. ''''SABOTAGE'''' E SUA RELAÇÃO COM AS CRIANÇAS DAS PERIFERIAS BRASILEIRAS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.