LIDERANÇAS NA ÁFRICA: POTÊNCIAS REGIONAIS E PERSPECTIVAS PARA O FUTURO

  • Maria Melo
  • Maria Cecilia de Miranda Ferreira Gomes de Melo
  • Thamires Andrade de Carvalho
  • Nathaly Silva Xavier Schutz
Rótulo África, Sul, apartheid, política, externa, hegemonia, regional

Resumo

O presente trabalho busca evidenciar como se iniciou a influência da África do Sul na África Austral, procurando em fatos históricos a desenvoltura da política externa sul-africana no cenário pós-Apartheid e como, aplicando suas políticas descentralizadoras, o país evoluiu para uma força hegemônica frente aos seus vizinhos. Nesse sentido, a hipótese levantada pela pesquisa sugere que com a liderança de Nelson Mandela, por meio das suas políticas externas, promoveu o constante avanço econômico da região meridional africana, o que fez com que a África do Sul ganhasse um destaque frente aos outros países. Tendo isso em vista, objetiva-se expor o início da política externa sul-africana, baseando-se em teorias hegemônicas regionais, a fim de encontrar argumentos que possam definir a África do Sul como uma potência hegemônica regional. No que diz respeito à metodologia, utilizando o método hipotético-dedutivo, o trabalho assume caráter qualitativo. Por sua vez, quanto à natureza, a pesquisa se qualifica como básica. Quanto aos objetivos, a pesquisa se caracteriza como exploratória e descritiva e no que concerne os procedimentos de execução, serão utilizados o estudo de caso, revisão bibliográfica, bem como a análise documental de fontes primárias e secundárias. Historicamente, o período do Apartheid, conhecido como momento histórico de extrema segregação racial implementada na África do Sul, apresentou como base da sua política externa que, ainda enraizada no colonialismo inglês, atuava estimulando desavenças com os países próximos, uma vez que devida desestabilização de parcerias promovia a continuidade do regime segregacionista na região. Como resultado deste processo histórico, em 1948, se iniciou os primeiros movimentos de oposição à política segregacionista, que ganharam destaque graças ao papel de Nelson Mandela junto ao Congresso Nacional Africano (CNA), no qual era líder. O processo de abolição do Apartheid foi extenso, contando com a prisão de Mandela e com intensas manifestações contra o sistema, apenas tendo seu encerramento no mandato do presidente Frederick de Klerk em 1991, que trouxe a volta da eleição multiracial, responsável por eleger o primeiro presidente negro da África do Sul, acrescentando a criminalização de preconceitos raciais na sua legislação. Já na fase democrática, quando Nelson Mandela assumiu a presidência, a política sul-africana implementou uma estratégia buscando uma agenda positiva para o continente, no qual foi denominada política do Renascimento Africano. Logo, as condutas que caracterizavam a nova estratégia diplomática pautavam-se na defesa dos direitos humanos, integração regional e desenvolvimento econômico baseado em uma cooperação tanto regional quanto internacional. A participação sul-africana na região meridional se iniciou com a integração em organizações regionais, em destaque, a Conferência de Coordenação de Desenvolvimento da África Austral (SADCC, sigla em inglês), que existia com a intenção de excluir a África do Sul da região, já que os países que faziam parte dessa conferência eram em sua maioria governados por homens negros no qual repudiavam o regime segregacionista que vigorava no país. Por sua vez, com o fim do Apartheid, há a integração da África do Sul, sendo dissolvida e refundada a Comunidade de Desenvolvimento da África do Sul (SADC, sigla em inglês). Portanto, o SADC tornou-se então, um ponto estratégico utilizado pelo país para promover a sua política de integração regional. Este movimento diplomático foi visível para os vizinhos fronteiriços do país, que apesar de reconhecerem o poder positivo que o país trazia para a organização, receavam sua predominância. Reforçando seu papel regional, há o envolvimento sul-africano em conflitos, tanto pelo seu poderio militar quanto por meio da diplomacia silenciosa, na Nigéria, Congo, Zimbábue, Lesoto, Angola e Burundi. Em alguns casos, sendo alvo de críticas por suas ações de imposição militar, como em Lesoto; e outros observados de maneira positiva, como na invasão ao Congo, através do acordo de cessar-fogo em 2002. Contudo, apesar de toda a sua influência atual na África Austral, a África do Sul encontrou dificuldades em iniciar sua dominância na região, à vista disso, estabeleceu uma política externa mais avantajada no âmbito de intervenção nos países vizinhos com o objetivo de exercer e impor sua influência. Conclui-se assim, que a direção do foco da política externa sul-africana no período pós-Apartheid foi a integração pan-africana e a constante tentativa de democratização nos países vizinhos, além da imposição de valores e a propaganda da boa imagem do país, consequentemente iniciando o período da hegemonia regional da África do Sul que perpetua até o século XXI, sendo reconhecido externamente e internamente como um dos países mais importantes do continente africano.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
MELO, M.; CECILIA DE MIRANDA FERREIRA GOMES DE MELO, M.; ANDRADE DE CARVALHO, T.; SILVA XAVIER SCHUTZ, N. LIDERANÇAS NA ÁFRICA: POTÊNCIAS REGIONAIS E PERSPECTIVAS PARA O FUTURO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.