MINORIAS SOCIAIS: UMA MICROINVESTIGAÇÃO COM ESTUDANTES DE UMA LICENCIATURA

  • Vitoria Moreira
  • Vitoria Moreira da Costa
  • Angela Maria Hartmann
Rótulo Graduação, Preconceito, Racismo, Universidade, Discriminação

Resumo

Minorias sociais são grupos sociais como, por exemplo, negros, idosos, mulheres, homossexuais, transsexuais, moradores de periferia, entre outros, em desvantagem social em relação a outro grupo maioritário e que podem, por vezes, enfrentar tratamento discriminatório ou preconceituoso. Mesmo podendo constituir uma maioria numérica, as minorias sociais são coletividades que costumam sofrer processos de estigmatização e discriminação, que podem acarretar exclusão ou desigualdade em relação a oportunidades de participação social. A escolha de realizar uma microinvestigação sobre a temática Minorias Sociais surgiu a partir de estudos sobre inclusão no componente curricular Diversidade Cultural e Inclusão do Curso de Ciências Exatas Licenciatura da Universidade Federal do Pampa, campus Caçapava do Sul, RS. O problema da microinvestigação com graduandos da Licenciatura foi: quantos deles se identificam como minoria social e quantos enfrentam situações de discriminação ou preconceito no ambiente universitário? Os objetivos da microinvestigação foram dar visibilidade e espaço de expressão a integrantes desses grupos e analisar possíveis situações de preconceito ou discriminação social. Em um primeiro momento, foi elaborado um questionário com nove questões, sendo oito delas de múltipla escolha e uma descritiva. Na sequência, o formulário foi encaminhado para a professora orientadora e para as assistentes sociais do Núcleo de Desenvolvimento Educacional (NuDE) do campus, para que fizessem sugestões em relação a termos utilizados e sobre a formulação das questões. Feito isso, o formulário foi postado em um grupo do WhatsApp do qual participam os estudantes do curso de Licenciatura. Na mensagem que acompanhou o formulário, foi solicitado que aqueles que se sentissem à vontade, respondessem e registrassem suas opiniões, deixando claro que as respostas conservariam o anonimato, pois não foi solicitado que cadastrassem o e-mail ou colocassem seu nome. As questões iniciais tiveram por objetivo identificar o perfil dos estudantes, solicitando idade, sexo e sua cor/etnia. As questões seguintes eram mais especificas e tinham por objetivo analisar se os licenciandos se identificam com algum grupo de minoria social, se já presenciou alguém que pertença a esse grupo ser humilhado dentro do ambiente universitário, além de relatar qual teria sido sua reação caso tivesse presenciado alguma situação de agressão. O questionário teve 19 respostas, sendo que 52 pessoas tiveram acesso a ele. A taxa de respostas é considerada baixa (36,5%), porém aceitável. A maioria das respostas chegou depois de poucos minutos de enviado o formulário. Na questão 1, dos dezenove alunos respondentes, 21,1% têm entre 17 e 20 anos, 31,6% entre 21 e 30 anos, 26,3% entre 31 e 40 anos, 15,8% entre 41 e 50 anos e 5,3% mais de 50 anos. Na questão 2, 94,7% dos alunos responderam que sua cor/etnia é branca e 5,3% responderam que sua cor/etnia é preta. Na questão 3, dos dezenove alunos, 63,2% identificaram-se como do sexo mulher/feminino e 36,8% como homem/masculino. Na questão 4, 36,8% dos alunos disseram que se identificam como parte de um grupo de minoria e 63,2% não se consideram parte deste grupo. Na questão 5, dos alunos que afirmaram pertencer a um grupo minoritário (7 alunos), seis deles pertencem ao grupo de mulheres e um pertence ao grupo de população de periferia. Na questão 6, quando questionados se já foram vítimas de algum tipo de preconceito dentro da Universidade, apenas dois responderam afirmativamente. Na questão 7, solicitava-se que aqueles que assinalaram sim na questão indicassem de quem veio a ofensa. Eles marcaram que a ofensa partiu de um professor. Na questão 8, quando questionados se já presenciaram alguém do grupo minoritário ser menosprezado ou humilhado, 73,7% dos 19 respondentes disseram que não e 26,3% afirmaram que sim. Na questão 9, os que assinalaram sim na questão 8, justificaram suas respostas, dizendo que presenciaram agressão física, racismo, falta de respeito e de empatia. Um dos respondentes afirmou que: A primeira vez que aconteceu, fiquei sem reação. Não imaginei que acontecia isso em um ambiente universitário. (...) Depois comecei a me manifestar, exigir respeito (...). Outro relatou que, ao presenciar uma situação racista, minha reação foi de repúdio, pois somos todos iguais (...). Analisando as respostas dos licenciandos, conclui-se que apesar de não serem frequentes ou tão visíveis, ainda acontecem atos de racismo, agressão, e falta de empatia para com o grupo de minorias no ambiente universitário. Consideramos que situações como as descritas são inadmissíveis, pois são de adultos dos quais se espera exemplos de boa convivência com pessoas pertencentes a grupos de minorias sociais. Os licenciandos um dia também serão professores. Eles precisam ter bons exemplos dentro da universidade e não atos racistas e desrespeitosos, que talvez sejam espelhados nas salas de aula futuramente, tornando esse ciclo interminável.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2022-11-23
Como Citar
MOREIRA, V.; MOREIRA DA COSTA, V.; MARIA HARTMANN, A. MINORIAS SOCIAIS: UMA MICROINVESTIGAÇÃO COM ESTUDANTES DE UMA LICENCIATURA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.