INCLUSÃO ESCOLAR: UM ESTUDO DE CASO NA EDUCAÇÃO BÁSICA

  • Janaina Teixeira Leão Perceval
  • Ângela Maria Hartmann
Rótulo Necessidades, Educacionais, Especiais, Ensino, Fundamental, Aprendizagem

Resumo

Geralmente, ao se pensar em inclusão, a preocupação é garantir a acessibilidade física dos alunos com Necessidades Educacionais Especiais (NEE). Entretanto, garantir o acesso ao espaço escolar também envolve a capacitação de professores e funcionários e o trabalho conjunto entre pais ou responsáveis, professores e profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Diante deste contexto, este resumo apresenta o resultado de um estudo de caso sobre a inclusão de uma aluna com NEE em uma turma de 8º Ano do Ensino Fundamental. O estudo fez parte das atividades de prática pedagógica do componente curricular Diversidade Cultural e Inclusão, ofertado no curso de Ciências Exatas - Licenciatura da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Campus Caçapava do Sul. O estudo de caso buscou responder à questão: Como contribuir para a inclusão de crianças com NEE na escola? O objetivo foi avaliar quais estratégias podem ser desenvolvidas para incluir crianças com NEE nas atividades escolares. Este estudo foi desenvolvido concomitantemente com o estágio de Regência I em Matemática, o qual teve a duração de cinco semanas. Durante esse período, a licencianda estagiária atuou em uma turma com 26 alunos de uma escola pública estadual, localizada na zona urbana do município de Caçapava do Sul, RS. Foi possível observar que havia uma aluna com severas dificuldades em Matemática, visto que, para resolver a operação matemática da multiplicação, ela desenhava pauzinhos no caderno. Em uma atividade em que foi proposta a multiplicação 7 x 8, a aluna desenhou sete vezes oito pauzinhos e depois contou a quantidade total. Devido à demora para realização das atividades, a aluna acabava se atrasando em relação aos colegas. Ao realizar a chamada, a licencianda observou que havia asteriscos em alguns nomes, dentre os quais estava o dessa aluna. A professora regente da turma explicou que os alunos com asteriscos possuem NEE, no entanto, não possuem laudos diagnosticando seu problema. Para a realização do estudo, foram elaborados questionários destinados aos pais, aos professores e para o AEE, com o objetivo de investigar como era seu processo de inclusão nas atividades escolares. A análise das respostas dos professores, revelou que era a primeira vez que ministravam aulas para essa aluna e que não havia um atendimento diferenciado em sala de aula, ou seja, não eram realizadas atividades especialmente direcionadas para essa aluna. Revelou, ainda, que os professores precisam auxiliar na nota alcançada pelos alunos com NEE para que eles sejam promovidos de um Ano para outro. Os professores também consideram que, se houvesse um diagnóstico do tipo de deficiência ou transtorno dos alunos com NEE, eles conseguiriam promover a inclusão desses alunos de forma mais efetiva. A maioria dos professores não conseguiu opinar sobre o que mais a escola poderia fazer para auxiliar na inclusão. A estagiária observou que o professor do AEE mantém um acompanhamento frequente aos alunos com NEE. As respostas dos pais ao questionário revelaram que eles estão satisfeitos com o suporte que a filha tem recebido da escola e que preferem não comentar sobre as limitações dela. Durante o período de estágio, foi observado que a aluna falta muito às aulas, o que ocasiona falhas no entendimento e na sequência dos conteúdos. A professora regente comentou que a aluna tem auxílio de outro professor nas atividades realizadas em casa. As atividades promovidas sobre sequências figurais, recursivas, não recursivas, de crescimento, de repetição e a representação de sequências no plano cartesiano buscavam estimular o raciocínio lógico, porém, a aluna só as realizava com auxílio contínuo da estagiária. A aluna precisava que a atividade fosse lida e que lhe fosse dito o que devia fazer. Para estimular sua autonomia, ao invés de explicar a atividade, a estagiária realizava questionamentos, fazendo com que a aluna pensasse no que precisava fazer para realizá-la. Foi possível observar que, quando a atividade era detalhada, a aluna a executava, no entanto, ficava esperando que a estagiária retornasse até sua classe para iniciar a próxima. Na avaliação realizada no final do estágio, a aluna conseguiu atingir a média esperada para aprovação. Através deste estudo de caso, foi possível perceber que a inclusão escolar é um grande desafio para os professores, visto que eles precisam dar atenção especial para os alunos com NEE ao mesmo tempo que para o resto da turma. Destaca-se, ainda, a falta de um diagnóstico profissional, o que poderia ser útil para identificar as reais necessidades educacionais dessa aluna. Ressalta-se a importância de, no processo de inclusão, o professor buscar estratégias que estimulem os alunos a criar e experimentar, proporcionando a interação entre os alunos, possibilitando que todos participem de forma ativa, respeitando o tempo e o ritmo de cada um, sendo imprescindível refletir e repensar a prática quantas vezes for necessário.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
TEIXEIRA LEÃO PERCEVAL, J.; MARIA HARTMANN, ÂNGELA. INCLUSÃO ESCOLAR: UM ESTUDO DE CASO NA EDUCAÇÃO BÁSICA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.