CARACTERIZAÇÃO DA MORTALIDADE FETAL EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

  • Daíse Vargas
  • Angélica Haefliger Reineri
  • Eloísa Manzan Florencio
  • Gustavo Kolling Konopka
  • Luciane Flores Jacobi
  • Cristine Kolling Konopka
Rótulo Assistência, obstétrica, neonatal, Saúde, Materno-infantil, pública

Resumo

O óbito fetal é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como a morte de um produto da concepção, antes da expulsão ou da extração completa do corpo da mãe, independentemente da duração da gravidez. A mortalidade fetal tem sido utilizada como indicador para avaliar a assistência obstétrica e perinatal, bem como, a utilização dos serviços de saúde, a fim de destacar o problema e identificar ações de prevenção para a diminuição dos índices. Na maioria dos casos, a mortalidade fetal ode ser evitada mantendo um acompanhamento sistemático, e de qualidade, do pré-natal, fornecendo orientações de mudanças de hábitos de vida e cuidados na gestação, bem como diagnosticando e tratando corretamente as patologias associadas, que podem causar morte fetal. A mortalidade perinatal é compreendida como os óbitos ocorridos entre a 22ª semana de gestação e o sexto dia completo de vida após o nascimento. Ou seja, engloba a mortalidade fetal e a neonatal precoce (0 a 6 dias). A análise conjunta dessas mortalidades é importante porque as causas de mortes fetais e neonatais precoces são similares e, frequentemente, relacionadas às condições do pré-natal, do parto e do recém-nascido. Assim, as intervenções que reduzem a natimortalidade e a mortalidade neonatal precoce também reduzem a mortalidade materna. Este estudo objetiva caracterizar a mortalidade fetal em um hospital universitário da Região Sul do Brasil. Pesquisa epidemiológica, do tipo transversal, com dados obtidos a partir dos prontuários eletrônicos de pacientes que tiveram parto realizado em Hospital Escola durante o período de 2017 a 2018 e 2020 a 2021.Os dados foram organizados em planilha eletrônica do programa Excel® 2010, e analisados por meio do software IBM® SPSS Statistics. Foram respeitados os princípios éticos com parecer favorável do Comitê de Ética e Pesquisa Institucional (protocolo CAAE número 593661116.5.0000.5346). Dos 4726 partos do Hospital Universitário, a maioria foi realizada no período de 2017 a 2018 (n=3447,81,8%). No período estudado, ocorreram 44 óbitos fetais, destes 36 (81,8%) ocorreram de 2017 a 2018, em mulheres com idade entre 19 e 24 anos (n=35; 79,5%), residentes na mesma cidade onde o hospital se localiza (n=26; 59,1%), solteiras (n=24; 55,8%), ensino fundamental completo ou menos (n=22; 52,4%). Em relação às características gestacionais, a idade gestacional foi de 28 a 36,9 semanas (n=17; 45,9%), com pré-natal incompleto, com menos de seis consultas (n=17; 58,6%), e com complicações gestacionais (n=36; 81,8%). Entre as comorbidades, as mais frequentes foram hipertensão (n= 12) e infecções, entre elas corioamnionite (n=5,13,9% ) e sífilis (n=5, 11,4%). Já as características fetais, concentraram-se no peso fetal menor que 2500g (n=34;81,0%), do sexo masculino (n=20; 57,1%). A mortalidade fetal tem sido um dos indicadores para avaliar a saúde materna e infantil. Dessa forma, como indicador mais apropriado para se avaliar a qualidade da assistência pré-natal e perinatal bem como, a utilização de serviços de saúde. Falhas na detecção precoce de doenças gestacionais, seu manejo e tratamento, bem como na prevenção de intercorrências durante a gestação, parto e puerpério são causas de morte evitáveis que contribuem para que esta ainda seja uma preocupação no âmbito da saúde pública no Brasil. Sendo assim se faz necessário conhecer os fatores associados a este indicador de mortalidade, onde se permite auxiliar o direcionamento de políticas públicas na busca por ações mais efetivas na redução da mortalidade fetal. O conhecimento do contexto que envolve a morte fetal é essencial para melhorias na prevenção, promoção e assistência da saúde materno-infantil. Os casos de morte fetal são avaliados pela Comissão de Mortalidade Materna, Infantil e Fetal , visando definir a causa do óbito caso a caso. No hospital do estudo, as principais causas foram a hipertensão e infecções, entre elas, corioamnionite e sífilis. Assim, destaca-se a importância de investir na modificação de fatores de risco, que vão desde os socioeconômicos, que exigem mudanças mais estruturantes de desenvolvimento humano social até fatores ligados à atenção pré-natal, as características da gestação e dos recém-nascidos, tais como patologias associadas, gravidez múltipla, malformações congênitas, nascimento pré-termo e baixo peso.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
VARGAS, D.; HAEFLIGER REINERI, A.; MANZAN FLORENCIO, E.; KOLLING KONOPKA, G.; FLORES JACOBI, L.; KOLLING KONOPKA, C. CARACTERIZAÇÃO DA MORTALIDADE FETAL EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.