EXAME CITOLÓGICO: FORMAS AMASTIGOTAS DE LEISHMANIA SPP. EM NÓDULO SUBCUTÂNEO DE CANINO – RELATO DE CASO

  • Bianca Molina Valle
  • Yasmin Tieppo Rhor
  • Fernanda Horstmann Risso
  • Natalia Horstmann dos Santos
  • Fernanda Porcela dos Santos
Rótulo Leishmania, spp, nódulo, citologia

Resumo

Exame citológico: Formas amastigotas de Leishmania Spp. em Nódulo Subcutâneo de Canino Relato de Caso A leishmaniose visceral canina (LVC) é uma enfermidade crônica de caráter zoonótico de ampla relevância no âmbito da medicina veterinária. Seu agente causador é o protozoário Leishmania sp e sua transmissão ocorre por meio da picada de flebotomíneos infectados (Lutzomyia longipalpis). Os animais geralmente apresentam linfadenomegalia, perda de peso, hepatomegalia, esplenomegalia, hipotricose, seborreia seca, úlceras na pele, onicogrifose, dentre outros sinais clínicos. O diagnóstico é realizado através de exame parasitológico de linfonodos e/ou sorológico, tendo sido retratado com certa complexidade, posto que, os sinais clínicos desta patologia são variados. Neste viés, tem-se como desígnio relatar a identificação através do exame citológico, de formas amastigotas de Leishmania sp em um nódulo subcutâneo de um canino. Foi atendida em um Centro Veterinário localizado no município de Santana do Livramento, uma paciente canina, fêmea, com treze anos de idade, sem raça definida, castrada, com peso corporal de 32kg, sem histórico anterior. O animal apresentava lesão nodular na articulação tíbio-társica esquerda com tempo de evolução de cinco meses, realizou tratamento anterior em outra clínica com corticosteróides e antibióticos sem êxito. Ao exame clínico verificou-se a presença de nódulo ulcerado, com aspecto regular, de consistência firme e aderido ao tornozelo medindo 2,2 x 2,2x 1 cm. Observou-se ainda leve desidratação e linfonodos submandibulares reativos. Foram solicitados os seguintes exames complementares: hemograma e perfil bioquímico (albumina, alanina aminotransferase - ALT, aspartato aminotransferase - AST, creatinina, fosfatase alcalina, gama glutamil transferase GGT, proteínas totais e ureia), além de urinálise, todos os exames estavam em conformidade com os valores de referência para a espécie. Diante do quadro clínico exposto, suspeitou-se de um processo neoplásico, por consequência, solicitou-se o exame citológico do nódulo. Na citologia verificou-se a presença de alta celularidade, composta essencialmente por macrófagos ativados, escassos queratinócitos, neutrófilos e células mesenquimais interpretadas como fibroblastos. Ao fundo da lâmina foram visualizadas estruturas compatíveis com formas amastigotas de Leishmania spp. em quantidade moderada livres no meio extracelular. Sendo esta citologia compatível com processo inflamatório misto moderado, com presença de formas amastigotas de Leishmania spp. Foram solicitados: o teste imunocromatográfico, que resultou positivo para a doença; e posteriormente a este, testes sorológicos de ELISA (Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay) e RIFI (reação de imunofluorescência indireta) para estadiamento da paciente, ambos os testes resultaram reagentes com altas titulações de anticorpos para LVC. O caso foi notificado no órgão competente. Em suma, é indubitável que esta enfermidade possui uma ampla variedade de manifestações clínicas, no entanto, sua aparição em nódulos não é a mais frequente. A apresentação clínica da paciente, apenas com aumento de linfonodos submandibulares, não fez da LVC um diagnóstico diferencial inicial, ocasionando um diagnóstico presuntivo errôneo de neoplasia. Com isso, foi essencial a realização do exame citológico para o diagnóstico correto, pois foi através da visualização das formas amastigotas de Leishmania spp. que foi estabelecido o diagnóstico de LVC, posteriormente confirmado nos testes sorológicos. Há de se destacar que a Leishmaniose é uma doença não endêmica no local onde a paciente foi atendida, entretanto cada vez mais diagnósticos vem sendo realizados na cidade. Portanto, mesmo em áreas não endêmicas, casos dermatológicos devem sempre ser investigados para leishmaniose visceral canina, em virtude que, esta é uma doença cada vez mais frequente na rotina clínica da medicina veterinária no Brasil.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
MOLINA VALLE, B.; TIEPPO RHOR, Y.; HORSTMANN RISSO, F.; HORSTMANN DOS SANTOS, N.; PORCELA DOS SANTOS, F. EXAME CITOLÓGICO: FORMAS AMASTIGOTAS DE LEISHMANIA SPP. EM NÓDULO SUBCUTÂNEO DE CANINO – RELATO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.