ANAMNESE AMBIENTAL COMO PARTE DA CONSULTA PEDIÁTRICA: ESTUDO PILOTO

  • Laíza Baida
  • Paulo Henrique Oliveira Lima
  • Carolina Menezes Nunes
  • Lídia Maria dos Santos Silveira Patrocínio
  • Gabriela Barcelos Leiria
  • Marilyn Nilda Esther Urrutia Pereira
Rótulo Saúde, Ambiental, Crianças, Exposição

Resumo

A Saúde Ambiental Pediátrica é o ramo da Pediatria que estuda a influência do meio ambiente na saúde infantil, baseando-se no entendimento de que as crianças possuem características fisiológicas e comportamentais que as tornam mais vulneráveis. Nesse sentido, as exposições ambientais representam séria ameaça à saúde infantil, sendo causa importante de mortes entre a faixa etária, o que demanda uma investigação mais aprofundada e ações. Em muitos países, pediatras carecem de capacitação para manejo e prevenção de enfermidades relacionadas ao meio ambiente. A Anamnese Ambiental é uma importante ferramenta para compreender os riscos ambientais e suas consequências para a saúde da criança, priorizando a orientação antecipada contra situações potencialmente perigosas. Sendo assim, o objetivo deste estudo é avaliar a saúde ambiental de uma amostra de crianças que vivem em Uruguaiana (Brasil), através da realização da Anamnese Ambiental Pediátrica. Estudo piloto, prospectivo observacional analítico com amostra de conveniência, realizado da cidade de Uruguaiana, RS, Brasil. O método utilizado foi a aplicação do questionário de Anamnese Ambiental em Pediatria, desenvolvido pelo departamento científico de Toxicologia e Saúde Ambiental da Sociedade Brasileira de Pediatria, em pais de crianças atendidas na Policlínica Infantil de Uruguaiana de janeiro a outubro de 2021. Os dados obtidos foram analisados de acordo com a zona que residem as famílias; zona urbana ou zona rural. Sob esse prisma, comparando os moradores em área urbana (n=660) com os da rural (n=54) as exposições foram significantemente maiores na zona rural: ter atividade com produto químico (15% vs 32,7%; p:0,004), viver em casa próxima à plantação (7,5% vs 74,5%; p:<0,001) casa com fonte de poluição (4,8% vs 32,7%; p:<0,001), ter cachorro (62% vs 87,3%; p:<0,001), uso de agrotóxico na plantação (0,6% vs 32,7%; p:<0,001), exposição à poluição química (2,6% vs 18,2%; p:<0,001). Entre os da área urbana predominou a exposição ao tráfego de veículos perto da casa (85% vs 48,1%; p<0,001). Aproximadamente um terço dos pais/responsáveis tinham ensino fundamental, ao redor de 90% tinham renda média inferior a 3 salários-mínimos e 32% recebiam bolsa família. Dentro da amostra estudada, as famílias da zona rural possuem maior exposição a pesticidas utilizados nos mais diversos contextos como a agricultura, uso doméstico e controle de vetores, além de terem uso limitado de equipamentos de proteção individual. A falta de conscientização, as práticas agrícolas deficientes e a eliminação inadequada dos recipientes aumentam as exposições e riscos dos efeitos para a saúde das crianças. Outros fatores agravantes para a saúde das crianças residentes em zonas rurais consistem na contaminação do ar devido a queima de biomassa para cozinhar e através da ingestão de alimentos e água contaminados. O risco à essas exposições é aumentado pelo comportamento exploratório das crianças, através do contato direto com o solo e jardins tratados com pesticidas. Nesse contexto, a preocupação com a saúde ambiental deve ser obrigatória para todos os pediatras, uma vez que eles desempenham posição privilegiada e papel chave na detecção de ameaças ambientais. As exposições a condições adversas nos lugares onde crianças vivem, estudam e brincam têm grande impacto em seu desenvolvimento emocional e nível educacional, além de influenciar no potencial de saúde em sua vida adulta. Lembrando sempre que essas ameaças são maiores em residentes de zonas rurais, populações de baixa renda e comunidades marginalizadas.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
BAIDA, L.; HENRIQUE OLIVEIRA LIMA, P.; MENEZES NUNES, C.; MARIA DOS SANTOS SILVEIRA PATROCÍNIO, L.; BARCELOS LEIRIA, G.; NILDA ESTHER URRUTIA PEREIRA, M. ANAMNESE AMBIENTAL COMO PARTE DA CONSULTA PEDIÁTRICA: ESTUDO PILOTO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.