HIPERTENSÃO: A RELAÇÃO DE SEXO DENTRO DO MUNICÍPIO DE URUGUAIANA

  • Arthur Acosta Cavalheiro
  • Vinicius Menegassi Pestana
  • Evelyn Cesca Vieira
  • Simone Pinton
  • Caroline Brandão Quines
Rótulo Hipertensão, Gênero, Uruguaiana, ESFs, HAS

Resumo

A hipertensão arterial (HAS) é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, considerada uma doença crônica não transmissível (DCNT) multifatorial, sendo caracterizada pelo aumento da pressão sanguínea sistólica e/ou diastólica, a qual correlaciona-se com doenças como infartos agudos do miocárdio, doenças renais, acidentes vasculares cerebrais e insuficiência cardíaca. Em relação a sua patofisiologia, diversos fatores de saúde estão ligados a existência de HAS, dentre eles: hereditariedade, idade, raça, obesidade, estresse,tipo de alimentação,vida sedentária, álcool, sexo, anticoncepcionais e alta ingestão de sódio. Além disso, há fatores sociais e físicos, que não favorecem diretamente o desenvolvimento da hipertensão, mas estão conectados a ela (baixo nível educacional, renda per capita, comorbidades como diabetes mellitus, dislipidemias). Em 2015, cerca de 1,13 bilhões de indivíduos no mundo são afetados pela hipertensão. Em uma perspectiva entre os sexos, a prevalência entre homens entre 18 a 39 anos, 40 a 59 anos e 60 anos ou mais é aproximada de 15%, 30% e 55%, respectivamente. Já entre as mulheres é em torno de 5%, 30% e 65% na mesma faixa de idade. Nesse ínterim, o presente estudo visa analisar a base de dados epidemiológica a respeito da HAS na cidade de Uruguaiana/RS, de acordo com cada microrregião atendida pela Estratégias de Saúde da Família (ESFs), observando uma possível relação com o sexo. Este estudo foi realizado através da análise de registros cedidos pela Secretaria de Saúde do Município de Uruguaiana, proveniente de serviços de saúde implementados dentro do serviço de saúde pública de Uruguaiana, onde é realizado o cadastro dos usuários das ESFs. Para a pesquisa, cada ESFs foi analisada separadamente avaliando o número de portadores de HAS e não portadores de cada unidade. Dentro dessa análise de portadores, os grupos foram divididos por sexo masculino e feminino, a fim de observar as possíveis diferenças entre os sexos. Foram analisados os usuários que apresentaram em seu cadastro, a unidade em que é atendido, como também se foi notificado como hipertenso ou não. Todos os usuários que não apresentaram uma unidade foram excluídos da pesquisa, bem como, aqueles que tinham diagnóstico inconclusivo de hipertensão. Foram analisadas duas ESFs de Uruguaiana, a ESF 3 (Cidade Nova, na região noroeste) e a ESFs 22 (Cabo Luiz Quevedo, na região sudoeste). Ao todo foram 1.583 usuários, divididos em 1.054 na ESF 22 e 529 na ESF 3. Na análise de portadores dessa comorbidade, foi observado uma taxa de 36% e 37% de casos de HAS nas ESF 22 e ESF 3, respectivamente. Em ambas as ESFs, foi observado uma prevalência de HAS no sexo feminino, de 71% e 72% na ESF 22 e ESF 3, respectivamente. E consequentemente, de 29% e 28% de casos de hipertensão no sexo masculino. Os resultados demonstraram que o sexo feminino apresenta um índice maior de prevalência para HAS nessas regiões no município de Uruguaiana, entretanto isso pode estar relacionado ao processo histórico de desvinculação do sexo masculino com a saúde. Ademais, as mulheres apresentam uma correlação maior com riscos cardiovasculares, devido fatores hormonais e, inclusive, gestacionais. Além disso, nossos dados revelam uma alta incidência da HAS nos pacientes atendidos nas ESFs 03 e 22 no Município de Uruguaiana, assim como demonstra que mais de 70% dos casos atendidos nestas estratégias são de pacientes do sexo feminino. Ademais, é nítido a diferença estabelecida no rastreio de HAS entre os sexos, exigindo formas de pensar para a elaboração de planos para atrair e cuidar desses indivíduos não cadastrados dentro de suas ESFs. Tendo em vista que a hipertensão é um caminho para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, seu tratamento e prevenção são necessários para se construir uma boa qualidade de vida.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
ACOSTA CAVALHEIRO, A.; MENEGASSI PESTANA, V.; CESCA VIEIRA, E.; PINTON, S.; BRANDÃO QUINES, C. HIPERTENSÃO: A RELAÇÃO DE SEXO DENTRO DO MUNICÍPIO DE URUGUAIANA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.