AUTOPERCEPÇÃO ALIMENTAR E DE SAÚDE DE ADULTOS EM PERÍODO DE COVID-19

  • Vitória Schonwald da Silva
  • Carla Pohl Sehn
Rótulo Coronavírus, alimentação, situação, saúde

Resumo

No ano de 2020 foi declarado situação de pandemia do novo coronavírus, em razão disso, alguns estudos vêm sendo realizados com intuito de compreender melhor as consequências resultantes dessa nova realidade. A pandemia e as medidas de saúde pública que foram implementadas (essenciais para proteger as pessoas), emergem consequências em todos os setores da sociedade. A combinação de fatores de estresse decorrentes do distanciamento social, dificuldades socioeconômicas, desgaste da saúde psicossocial e um estilo de vida sedentário, influenciam no comportamento alimentar de modo negativo, além de acarretar mudanças na saúde da população. Em razão disto, o objetivo do estudo foi avaliar a autopercepção quanto a qualidade da alimentação e o estado de saúde de adultos durante a pandemia de covid-19. A população alvo foram indivíduos adultos residentes no Brasil, com acesso à internet, que possuíam contas em redes sociais e/ou de e-mail, através dos quais receberam o formulário on-line, contendo o termo de consentimento livre e esclarecido, e o questionário semi estruturado elaborado pelas próprias pesquisadoras. Todas as perguntas eram fechadas, não obrigatórias e com mais de uma opção de escolha. Foram coletadas variáveis demográficas (sexo, idade e cor da pele), socioeconômicas (situação conjugal, recebimento de auxílio financeiro e situação de trabalho atual) e de autopercepção quanto à qualidade da alimentação e o estado de saúde. A coleta de dados foi realizada entre 06 de maio a 03 de junho de 2022. Os dados foram extraídos do Google® Forms para planilha Excel, tabulados e analisados por meio de estatística descritiva simples. A presente pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNIPAMPA, sob o número 5.335.517. Dos 132 participantes da amostra, 131 atenderam aos critérios de inclusão, os quais eram ser residente no Brasil e ter idade igual ou superior a 18 anos, a maioria da amostra foi do sexo feminino (73,1%), faixa etária entre 18 e 39 anos (85,4%) e cor de pele branca (77,9%), a situação conjugal declarada pela maioria foi casado ou vivendo com companheiro (a) (42,7%), a família não recebe qualquer tipo de benefício financeiro (84,7%) e pouco mais da metade da amostra (51,1%) afirmou estar em trabalho remunerado no momento da pesquisa. Na amostra estudada foi prevalente o consumo de alimentos marcadores de uma alimentação saudável, como verduras e/ou legumes (72,0%) e feijão (57,0%), assim como a prática de atividade física (64,9%), podendo indicar uma maior preocupação com a saúde. Entretanto, fatores negativos para a saúde como consumo de álcool (57,3%), bebidas adoçadas (55,0%) e uso de cigarro (20,0%) também foram relatados. Sabe-se que o álcool e o cigarro são fatores de risco para diversas doenças, como problemas respiratórios e imunes, assim como a prática de atividade física, consiste em fator de proteção para saúde de forma geral, já que reduz o desenvolvimento de doenças crônicas. Quanto a autopercepção sobre a qualidade da alimentação e o estado de saúde em momento anterior a pandemia de Covid-19, a maioria os considerou como bom, correspondendo a 37,4% e 43,8%, respectivamente. No entanto, quando questionado sobre o momento atual (correspondente ao período de coleta de dados), a maioria apresentou uma autopercepção regular para ambos aspectos avaliados, com 40,5% e 46,2% do total. Quanto ao diagnóstico de doença atual, 63,8% da amostra afirmou não apresentar qualquer tipo de doença, considerando diagnóstico médico, exceto para covid-19, em que 33,3% e 5,4% afirmaram ter testado positivo (por teste PCR e/ou antígeno), uma e duas vezes respectivamente, para a doença nos últimos 24 meses. Em estudo de coorte com adultos brasileiros que objetivou descrever características alimentares, antes e durante a pandemia, o consumo de alimentos considerados marcadores de uma alimentação saudável aumentou, sendo pouco reportado o consumo de ultraprocessados, o que pode estar relacionado a uma maior preocupação com a saúde. A partir dos dados apresentados, percebe-se que a população estudada possui, na sua maioria, comportamentos favoráveis à saúde, como a prática de atividade física, prevalência no consumo de marcadores de uma alimentação saudável e não possuir diagnóstico de doença ou Covid-19. Ao passo que, também foram identificados comportamentos de risco à saúde, como autorrelato de consumo de álcool, bebidas adoçadas e tabaco, que podem ter contribuído para uma piora na autopercepção sobre o estado de saúde dessa população. Ainda que, comportamentos desejáveis como a prática de atividade física e alimentação saudável também estejam presentes, se faz necessário melhor compreender como as emoções decorrentes da situação de pandemia podem estar contribuindo para essa autopercepção de saúde. Agradecimentos: Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação - PROPPI. Palavras-chave: Coronavírus; alimentação; situação de saúde.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
SCHONWALD DA SILVA, V.; POHL SEHN, C. AUTOPERCEPÇÃO ALIMENTAR E DE SAÚDE DE ADULTOS EM PERÍODO DE COVID-19. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.