INTRODUÇÃO E CONSUMO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS RICOS EM AÇÚCARES, GORDURAS E SÓDIO NO PÚBLICO INFANTIL

  • Taissiani Camargo Stahmke
  • Darlian Souza Quintero
  • Ingrid Mayara Garcia Fagundez
  • Shanda De Freitas Couto
Rótulo Nutrição, Criança, Alimentos, ultraprocessados, Obesidade, infantil, Hábitos, alimentares, Educação, alimentar, nutricional

Resumo

A globalização resultou em mudanças no padrão alimentar, marcado pelo aumento de ultraprocessados e redução do consumo de alimentos in natura e minimamente processados. No entanto, uma alimentação baseada no consumo de ultraprocessados, apresenta baixo valor nutricional e alto teor de açúcar, gordura e sódio. E, atualmente tem sido evidenciado tal cenário também na população infantil, que apresenta uma exposição prematura aos ultraprocessados, como refrigerante, salgadinhos e biscoitos recheados. Sabendo da importância do consumo alimentar saudável na população infantil, visto que essa relaciona-se diretamente com o crescimento e desenvolvimento saudáveis nessa fase da vida, e, em contrapartida os danos provocados por uma alimentação inadequada, se faz necessário o estudo sobre o consumo de tais alimentos. Dessa forma, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a introdução e o consumo alimentar de refrigerantes, salgadinhos e biscoitos recheados em crianças de uma escola municipal de educação infantil do município de Itaqui/RS. Foi aplicado um questionário às mães e/ou responsáveis, com questões sobre os aspectos sociodemográficos (cor da pele, sexo e idade em anos completos das crianças), e dois questionários sobre alimentação: o Questionário de Introdução Alimentar, para avaliar a idade de introdução dos produtos ultraprocessados analisados e outro para avaliação dos hábitos alimentares, investigados através do Questionário de Frequência Alimentar para Crianças. Ainda, realizou-se a coleta do peso, com balança portátil, e a estatura das crianças, com o antropômetro portátil. Para a classificação do estado nutricional atual da criança foram considerados os pontos de corte de Índice de Massa Corporal (IMC) segundo sexo e idade, para crianças de 0 a 5 anos. Foram avaliados 50 pré-escolares, com faixa etária de 2 a 5 anos, sendo que, 50% (n=25) era do sexo masculino e 50% (n=25) do sexo feminino. Dos participantes estudados, 4% (n=2) tinha de 1 a 2 anos completos; 18% (n=9) 2 até 3 anos completos; 48% (n=24) tinha de 3 até 4 anos completos e 30% (n=15) de 4 até 5 anos completos. E a maioria apresentava cor de pele branca (82,0% (n=41)). Na análise do estado nutricional foi verificado que 21,3% (n=10) das crianças avaliadas estavam com risco de sobrepeso e 25,5% (n=12) apresentavam sobrepeso/obesidade. Com base no questionário da introdução alimentar, 76% (n=38) apresentaram introdução do consumo de refrigerante antes dos 2 anos completos, enquanto que 24% (n=12) realizaram o consumo após 2 anos de idade. Em relação aos salgadinhos, 68% (n=34) foram expostos pela primeira vez a esse ultraprocessado antes dos 2 anos de idade, sendo que destes, 6% (n=3) consumiram antes de completar 1 ano. Da mesma forma, 84% (n=42) dos escolares tiveram a introdução do biscoito recheado na alimentação antes dos 2 anos completos, destes, 26% (n=13) consumiram biscoito recheado antes de 1 ano. Essas práticas se contrapõem às orientações do guia alimentar para menores de 2 anos, que recomenda não ofertar alimentos ultraprocessados, como o refrigerante, salgadinho e biscoito recheado, para crianças menores de 2 anos. Esses resultados são preocupantes, pois os ultraprocessados são altamente palatáveis, podendo acarretar no consumo frequente ou mesmo a dependência. A introdução precoce desses alimentos, ricos em açúcares, gorduras e sódio, pode refletir na formação de hábitos alimentares não desejáveis, além de acarretar, a longo prazo, em problemas como diabetes, sobrepeso/obesidade e/ou cárie dentária. Ainda, dos 50 pré-escolares avaliados, com base na frequência de consumo atual de cada um dos ultraprocessados avaliados, verificou-se que 54% (n=27) dos escolares consumiram refrigerantes em dois dias ou mais durante a semana e 28% (n=14) apresentaram consumo diário (1x ou + vezes/dia). Em relação ao consumo atual de salgadinhos, 32% (n=16) consumiram mais de duas a quatro vezes durante a semana. Da mesma forma, pode-se verificar que 26% (n=13) consomem de duas a quatro vezes durante a semana biscoito recheado e 26% (n=13) dos escolares consumiram diariamente (1x ou + vezes/dia). Com base nos resultados, pode-se verificar um consumo elevado de refrigerantes, salgadinhos e biscoitos recheados. Essa característica faz parte da transição alimentar, na qual um maior consumo de ultraprocessado é observado, somando-se excesso de peso na população infantil. Dessa forma, a análise dos resultados sugere a importância de seguir as recomendações, não expondo precocemente as crianças a estes alimentos. Sendo assim, são necessárias ações de incentivo à promoção de hábitos alimentares saudáveis, por meio das práticas de educação alimentar e nutricional promotoras de saúde, do pensamento crítico e da autonomia, para favorecer o crescimento e desenvolvimento adequado das crianças.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
CAMARGO STAHMKE, T.; SOUZA QUINTERO, D.; MAYARA GARCIA FAGUNDEZ, I.; DE FREITAS COUTO, S. INTRODUÇÃO E CONSUMO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS RICOS EM AÇÚCARES, GORDURAS E SÓDIO NO PÚBLICO INFANTIL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.