AVALIAÇÃO FITOQUÍMICA QUANTITATIVA EM DIFERENTES EXTRATOS DAS FOLHAS DE Eugenia uniflora L.

  • Rafael Pintos Gonçalves
  • Patrícia Marino
  • Graciela Maldaner
Rótulo pitangueira, Eugenia, uniflora, fitoquímica, metabólitos, secundários

Resumo

A Eugenia uniflora L., é uma planta nativa do Brasil facilmente encontrada em regiões do Bioma Pampa (no sul do país). Essa espécie pertence à família Myrtaceae é conhecida popularmente como pitanga (o fruto) e pitangueira, a árvore. As folhas da pitangueira apresentam propriedades com ações para profilaxia e tratamento de diversas doenças e, assim, são bastante utilizadas na medicina popular. Suas folhas apresentam ações anti-hipertensiva, diurética, antirreumática, antiinflamatória, hipolipidêmico, hipercolesterolemiante, antioxidante, antifúngica e antibacteriana. Entretanto, as aplicações na medicina são decorrentes de metabólitos secundários presentes nas folhas. A prospecção fitoquímica das folhas de Eugenia uniflora L. confirmou a presença de compostos fenólicos e, em determinações colorimétricas foi confirmado a presença de flavonoides. Assim, esta pesquisa objetivou em realizar o doseamento de polifenóis e flavonoides totais em extratos da folha da pitangueira obtidos em diferentes métodos de extração. O material vegetal foi coletado no Bioma Pampa, em perímetro urbano, no município de Bagé, Rio Grande do Sul, em fevereiro de 2021. A amostra foi seca à sombra em temperatura ambiente, em local seco e livre de possíveis contaminantes. Após a secagem completa dos ramos da pitangueira, as folhas foram rasuradas manualmente de forma grosseira em pequenos pedaços e armazenadas em vidro. Foram obtidos três extratos diferentes empregando as seguintes formas de preparo: infuso e decocto aquoso e macerado etanólico 93%. O teor de fenóis totais foi determinado pelo método de Folin-Ciocalteau. O doseamento de flavonoides totais foi realizado de acordo com a metodologia descrita na Farmacopeia Brasileira IV (2002) para calêndula, com leitura em espectrofotômetro em 425 nm. Os testes foram feitos em triplicata em três diferentes dias e os teores de polifenóis foram expressos em g de ácido gálico por grama de amostra e os flavonóides totais, em mg de quercetina por grama de folha seca. Os resultados das análises quantitativas, as médias e os desvios padrões foram avaliados pelo programa estatístico PrismaPad 5.01. Dentre os métodos de extração empregados, o método de infusão foi o que obteve a menor média na dosagem de fenóis totais (5,91 g/g; DP= 0,166). Os métodos de decocção aquosa e macerado hidroalcoólico obtiveram médias maiores (10,698 g/g; DP= 0,247; 10,029 g/g; DP= 0,151), com uma pequena variação significativa entre eles, demonstrado por p˂05. Igualmente, o doseamento de flavonóides foi menor encontrado no infuso aquoso (0,471 mg/g; DP= 0,058). Entretanto, a maceração hidroalcoolica apresentou valores estatisticamente superiores aos demais extratos (2,591 mg/g; DP= 0,115). Estes dados revelam que o método de preparo do extrato e o tipo de solvente extrator interferem na quantidade de metabólitos extraídos. Além disso, durante o preparo do decocto aquoso e da maceração, houve um maior tempo de contato entre a planta e os solventes extratores. Na maceração, a planta permaneceu por 15 dias sob abrigo da luz e com agitação diária; já na decocção, o tempo de preparo foi de 7 minutos, idêntico ao da infusão, porém com a fervura das folhas durante todo este tempo. As folhas da pitangueira apresentam uma diversidade de propriedades com ações para profilaxia e tratamento de diversas doenças. Entretanto, para que a planta desenvolva sua atividade terapêutica é preciso que os metabólitos secundários responsáveis por tais ações estejam contidos na mesma. Os resultados obtidos nesta pesquisa podem confirmar que além dos fatores intrínsecos e extrínsecos, os métodos de extração e solventes empregados interferem nos metabólitos secundários. Nesta pesquisa, o método de infusão foi o que obteve a menor média na dosagem de fenóis totais e flavonoides. Este achado comprova que os diferentes métodos de extração, extraem diferentes compostos e assim atuam para diferentes fins. Novos testes empregando diferentes metodologias devem ser realizados para a confirmação destes achados

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
PINTOS GONÇALVES, R.; MARINO, P.; MALDANER, G. AVALIAÇÃO FITOQUÍMICA QUANTITATIVA EM DIFERENTES EXTRATOS DAS FOLHAS DE Eugenia uniflora L. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.