AVALIAÇÃO DE CUSTOS PARA IMPLEMENTAÇÃO DE UMA CENTRAL DE MISTURAS INTRAVENOSAS EM UM HOSPITAL DA FRONTEIRA SUDOESTE DO BRASIL

  • Alex Geovane da Silveira Pereira
  • Neimah Maruf Ahmad Maruf Mahmud
  • Naira Thalita de Castro Pessano
  • Camilla Fioravanti de Pauli
  • Fernanda Bruxel
Rótulo Segurança, paciente, Unidade, terapia, intensiva

Resumo

Introdução: As farmácias hospitalares são unidades que tem como propósito garantir o uso seguro e racional de medicamentos. Nestas, pode ser empregado quatro tipos de sistemas de distribuição de medicamentos, que devem ser escolhidos de acordo com as condições e demandas da instituição. Portanto, os Sistemas Individualizado, Coletivo e Misto de distribuição de medicamentos, corroboram para grande incidência de erros de medicações. Por outro lado, com o emprego do Sistema de Distribuição de Medicamentos por Dose Unitária (SDMDU), os medicamentos são destinados às unidades de internação já preparados, além disso, oferece maior segurança ao paciente e menor possibilidade da ocorrência de erros de medicações. Portanto, o requisito a ser seguido para adoção do SDMDU é a implantação da Central de Misturas Intravenosas (CMI), que requer altos recursos financeiros iniciais para sua aquisição. Objetivo: Este estudo teve como objetivo realizar uma avaliação de custos para implantação de uma central de misturas intravenosas (CMI) em um hospital filantrópico da fronteira sudoeste do Brasil e sugerir uma proposta de teste piloto para sua implantação. Métodos: Foi realizado um estudo descritivo retrospectivo, a partir de um levantamento de custos e documental. Inicialmente, foi realizado um levantamento das necessidades de área física, equipamentos, mobiliários, utensílios e recursos humanos exigidos pela legislação vigente para implantação desta central, considerando principalmente os requisitos legais mínimos exigidos pela Resolução de Diretoria Colegiada nº 67/2007 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), seguindo por uma investigação dos aspectos econômicos relacionados com uma pesquisa de preços em sítios de internet de fornecedores. Ressalta-se que os valores foram convertidos em dólar americano através de uma cotação média dos meses de julho a dezembro/2020 (US$ 5,38393). Por outro lado, para a investigação dos aspectos econômicos relacionados com contratação de profissionais em um número suficiente para atuar na CMI nos quatros diferente turnos, foi realizada uma consulta ao Portal de Transparência da Prefeitura Municipal de Uruguaiana e ao Sindicato dos Farmacêuticos do estado do Rio Grande do Sul/Brasil. Além disso, foi realizado uma análise documental de prescrições de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva Adulta (UTI-AD) e Neonatal (UTI-NEO) (julho a dezembro/2020) que fizeram uso de medicamentos injetáveis. Foram estimados os custos desses medicamentos e de perdas por sobras de medicamentos devido à instituição não ter local apropriado para centralizar o preparo destas medicações. Sete medicamentos/misturas foram então selecionados como proposta para a realização de um teste piloto para a implantação da CMI. Resultados: Os custos envolvendo área física, móveis, equipamentos e materiais foram estimados em US$ 10.446,52, este investimento inicial é considerado elevado para uma instituição hospitalar de caráter filantrópico, que apresenta déficit financeiro decorrente da baixa remuneração praticada pela tabela do Sistema Único de Saúde, por outro lado, os resultados apontam para uma compensação deste investimento com a redução de problemas relacionados aos medicamentos e redução de desperdícios com medicamentos. Estima-se também que seria necessário empregar pelo menos 2 farmacêuticos, 4 auxiliares de farmácia e mais 2 estudantes, com custos mensais calculados entorno de US$ 2.267,80, excluindo-se encargos trabalhistas. O custo total estimado de medicamentos injetáveis, soluções e materiais para atender às prescrições médicas para os 169 pacientes incluídos no estudo foram de US$ 24.748,13. Considerando que o hospital não possui CMI para centralizar o preparo de doses unitárias de medicamentos injetáveis, uma perda total de sobras de medicamentos foi estimada em aproximadamente US$ 7.764,64. O que preocupa é o elevado custo estimado em perdas relacionadas a sobras de medicamentos, que é justificado pelo atual sistema de dispensação utilizado pela instituição, onde, o aproveitamento e fracionamento de doses a partir de ampolas tornam-se inadequado, por não haver nas unidades ambientes adequados para manipulação dos medicamentos estéreis de forma asséptica. Para o teste piloto, foram sugeridas as seguintes preparações: omeprazol, heparina, midazolam e insulina (UTI-AD), soluções eletrolíticas, ampicilina e gentamicina (UTI-NEO). Conclusão: O atual sistema de dispensação de medicamentos empregado pela instituição em estudo apresenta inúmeras desvantagens, porém, a implantação de uma CMI proporcionaria diferentes vantagens de ordem técnica, clínica e econômica, além de proporcionar uma economia de aproximadamente 31,4% com medicamentos e materiais. A barreira que dificulta a execução desta unidade em hospitais que dependem de recursos públicos é a demanda de altos recursos financeiros.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
GEOVANE DA SILVEIRA PEREIRA, A.; MARUF AHMAD MARUF MAHMUD, N.; THALITA DE CASTRO PESSANO, N.; FIORAVANTI DE PAULI, C.; BRUXEL, F. AVALIAÇÃO DE CUSTOS PARA IMPLEMENTAÇÃO DE UMA CENTRAL DE MISTURAS INTRAVENOSAS EM UM HOSPITAL DA FRONTEIRA SUDOESTE DO BRASIL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.