DOENÇAS CRÔNICAS EM PESSOAS IDOSAS INTERNADAS PELA COVID 19 EM UM HOSPITAL DA FRONTEIRA DO RIO GRANDE DO SUL

  • Jaime Coffi de Souza
  • Cenir Gonçalves Tier
Rótulo Idoso, Enfermagem, Gasto, Saúde, COVID-19

Resumo

O envelhecimento da população é um fenômeno mundial, onde, historicamente a sociedade vem apresentando mudanças significativas na sua organização etária. Isso porque, enquanto a taxa de natalidade vem diminuindo ao longo das décadas, o crescimento da população idosa está aumentando, o que aponta como consequência da melhoria na qualidade de vida, dos avanços nos tratamentos de saúde, das novas tecnologias que prolongam a sobrevida, entre outros, principais fatores que contribuem na longevidade da população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, no mundo, no ano de 2020 havia 1,1 bilhão de idosos, e projeta que em 2100 serão cerca de 3,1 bilhões. O envelhecimento é um evento inevitável caracterizado por mudanças físicas, sociais e psicológicas que afetam cada pessoa de forma única. Para muitos, os anos extras possibilitam buscar novas atividades, novas experiências e mais educação. No entanto, muito depende de um fator, a saúde, isso porque, na maioria dos casos, a longevidade está associada às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), que estão diretamente relacionadas ao envelhecimento. Notadamente, a DCNT é a doença mais associada à limitação, função prejudicada, produtividade reduzida, redução da qualidade de vida e, possivelmente, morte prematura. Nos últimos anos, uma pandemia de doença infecciosa denominada Coronavírus Disease 2019 (COVID-19), cujo agente causador é a síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2) (OMS, 2020), e neste caso, pessoas idosas são o grupo de maior risco. Estudos recentes indicam que o risco de morrer de COVID-19 aumenta com a idade, pois a maioria das mortes ocorre em pessoas idosas, especialmente aquelas com condições de saúde crônicas. À medida que o sistema imunológico degenera naturalmente com o envelhecimento, a suscetibilidade a doenças infecciosas aumenta, e pacientes com doenças crônicas têm prognóstico ruim. A COVID-19 pode-se apresentar desde a forma assintomática até formas graves com importante comprometimento do sistema respiratório. Os sintomas podem ser compostos principalmente por febre, tosse seca e dispnéia e com possibilidade de complicações, como pneumonia, síndrome respiratória aguda grave e óbito. Teve-se como objetivo levantar os dados relacionados à internação de pessoas idosas pelo COVID-19 em um hospital público de um município da Fronteira do Rio Grande do Sul. Para serem incluídos os dados, foram analisados a idade, gênero, faixa etária, comorbidade e diagnósticos médicos segundo o Código Internacional de Doenças (CID). Caracteriza-se como pesquisa quantitativa, descritiva realizada no Serviço de Arquivamento Médico e Estatístico (SAME) de um hospital da fronteira oeste do Rio Grande do Sul com dados secundários de idosos internados notificados pelo COVID-19 de março de 2020 a março de 2022. Foram avaliados os prontuários por dia de internação, extraindo diversas informações tanto na evolução dos profissionais de enfermagem quanto nas prescrições. Também identificou-se o tempo médio de internação (TMI) de pessoas idosas internadas pela COVID-19. Como resultados teve-se dos 124 participantes, (n=61; 51%) do sexo feminino tendo com maior prevalência de idade entre 60 e 69 anos. Das pessoas idosas acometidas pelo vírus, (n=48; 39%) não possuía nenhuma doença crônica, contudo, (n=75,4; 61%) apresentou com prevalência, diagnósticos de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e 22 (17%) diagnóstico de Diabetes Mellitus (DM). Conforme os registros (n=46; 37%) dos pacientes com diagnóstico de COVID-19 possuíam algum tipo de doença crônica e, os mesmos se recuperaram da COVID-19 e tiveram alta. A internação ocorreu entre sete a 13 dias. Contudo, (n=32; 25%) das pessoas idosas acometidas por HAS e DM vieram a óbito devido complicações e agravo do caso clínico. Destaca-se que foi recomendado pelas Diretrizes Brasileiras para Tratamento Hospitalar do Paciente com COVID-19 o uso de medicamentos anticoagulantes e corticosteróides, na instituição a qual foi realizada a pesquisa, o uso comum de Enoxaparina 40mg, Ceftriaxona 1g, Metilprednisolona 500 mg, Dexametasona 4 mg, Cloroquina 150 mg e Azitromicina 500mg. Diante do contexto ora apresentado, faz-se necessário salientar que a letalidade da Covid-19 é acentuadamente superior entre a população idosa (em torno de 70% dos óbitos correspondem a pessoas de 60 anos ou mais). Neste sentido, deve-se investir mais em educação em saúde com a população em geral para que hábitos de vida possam ser modificados e, doenças crônicas prevenidas, focando em um envelhecimento saudável e ativo.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2022-11-23
Como Citar
COFFI DE SOUZA, J.; GONÇALVES TIER, C. DOENÇAS CRÔNICAS EM PESSOAS IDOSAS INTERNADAS PELA COVID 19 EM UM HOSPITAL DA FRONTEIRA DO RIO GRANDE DO SUL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.