CLOROQUINA, IVERMECTINA E ZINCO NO TRATAMENTO DE PACIENTES COM COVID-19: ANÁLISE DE CASOS DOS ANOS DE 2020 E 2021

  • Nadine Grzeczinski Frankukoski
  • Fabianne Recart Davila
  • Andressa dos Santos Ferreira
  • Josefine Busanello
  • Lucas Pitrez da Silva Mocellin
Rótulo Cloroquina, Zinco, Ivermectina

Resumo

A pandemia de COVID-19 provocou diversos óbitos no Brasil, principalmente nos anos de 2020 e 2021. A doença, originada na China no ano de 2019, desafiou a ciência e a tecnologia a promoverem medicamentos eficazes para o controle da patologia, que já havia tomado proporções mundiais. O primeiro manual para controle e prevenção da COVID-19, lançado no ano de 2019, preconizava medicações como cloroquina, ivermectina, zinco e azitromicina para tratamento de pacientes contaminados com o vírus Sars-CoV-2. No mesmo período foram publicados estudos indicando que o uso destes medicamentos, mesmo de forma precoce, não contribuem para o avanço da doença e das formas mais graves. Assim, o presente estudo teve como objetivo analisar a prevalência do uso de cloroquina, ivermectina e zinco em pacientes com COVID-19 que necessitaram de atendimento hospitalar nos anos de 2020 e 2021, e a associação com o desfecho clínico. O estudo, do tipo transversal e retrospectivo, está vinculado ao macro projeto de pesquisa intitulado Perfil clínico e epidemiológico dos pacientes com COVID-19 e fatores relacionados ao óbito e à assistência hospitalar, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNIPAMPA, CAAE: 30837520.2.3004.5324, conforme parecer número 4.062.712, em 25 de maio de 2020. O cenário de pesquisa foi um hospital de médio porte, referência para atendimento na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Os participantes foram pacientes atendidos no cenário de pesquisa, nos anos de 2020 e 2021, por meio de uma amostra aleatória simples. A coleta de dados ocorreu através da técnica de análise documental dos prontuários dos pacientes, acessados no serviço de arquivamento do hospital. O presente estudo é um recorte do banco de dados, considerando as seguintes variáveis: uso de cloroquina, ivermectina e zinco; ano de internação e desfecho clínico. Para análise dos dados utilizou-se software Statistical Package for Social Sciences® (SPSS), versão 26.0, para a análise uni e multivariada, utilizando teste de qui-quadrado para a comparação do ano e desfecho, com valor p<0,05. Foram analisados 422 prontuários de pacientes, sendo destes 159 atendidos em 2020 e 263 em 2021. Para o desfecho, o óbito prevaleceu em 19,1% dos pacientes atendidos. Em relação ao tratamento farmacológico analisado, evidenciou-se que a cloroquina foi indicada em 33,9% dos casos, já o zinco em 31,3% e a ivermectina possui uma frequência menor de prescrição, apenas 29,9% dos pacientes. Por conseguinte, com o avanço dos estudos e da fabricação de vacinas para o combate à doença, a eficácia de tais fármacos, exceto da azitromicina, foi descartada. Assim, houve uma diminuição na prescrição do tratamento com cloroquina de 64,2% no ano de 2020, para 15,6% em 2021. A indicação de zinco também caiu de 57, 9% em 2020, para 15,2% em 2021 e a de ivermectina apresentou maior queda de adesão, de 58,5% em 2020, para 12,5% em 2021. Comparando o uso destes medicamentos no primeiro e segundo ano de pandemia, observa-se que a ivermectina, cloroquina e o zinco foram mais utilizados no ano de 2020. Já em relação à associação do desfecho clínico e o uso dos medicamentos analisados, evidenciou-se que o uso de ivermectina, cloroquina e zinco, foram prevalentes entre os pacientes com desfecho de alta. Contudo, estas associações não possui inferência estatística, pois apresentaram valor de p>0,05. Assim, o estudo possibilitou evidenciar o uso de tais fármacos e relacionar com os óbitos e altas hospitalares, para avaliar a eficácia para o tratamento da COVID-19 durante os anos de 2020 e 2021. Ademais, com as novas notificações e atualizações referentes ao tratamento e farmacologia contra a doença, o uso de cloroquina, ivermectina e zinco diminuiu drasticamente, podendo ser uma variável de destaque para a prevalência de altas hospitalares. Conclui-se que os medicamentos, atualmente descartados para o tratamento de COVID-19, não ofereceram risco para o prognóstico dos pacientes analisados no período de internação, porém não é possível mensurar o estado clínico após a alta hospitalar.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
GRZECZINSKI FRANKUKOSKI, N.; RECART DAVILA, F.; DOS SANTOS FERREIRA, A.; BUSANELLO, J.; PITREZ DA SILVA MOCELLIN, L. CLOROQUINA, IVERMECTINA E ZINCO NO TRATAMENTO DE PACIENTES COM COVID-19: ANÁLISE DE CASOS DOS ANOS DE 2020 E 2021. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.