ELE (A) AINDA MAMA?: DESAFIOS E DIFICULDADES DE MULHERES DA FRONTEIRA OESTE DO RIO GRANDE DO SUL QUE VIVENCIARAM AMAMENTAÇÃO PROLONGADA

  • Milena Dal Rosso da Cruz
  • Gabriela Bahi da Silva
  • Lisie Alende Prates
Rótulo Saúde, Mulher, Criança, Aleitamento, Materno, Nutrição, Lactente

Resumo

O leite materno possui propriedades nutritivas, imunológicas e fisiológicas essenciais e adequadas para a atender a saúde da criança, podendo ser considerado a sua primeira vacina. Dessa forma, a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde orientam a amamentação na primeira hora de vida do bebê e a manutenção dessa prática de forma exclusiva por seis meses e complementada até dois anos ou mais. Estudos recentes reafirmam o papel protetor da amamentação contra doenças infecciosas e crônicas, estando também associada ao melhor desempenho em testes de inteligência. Esta proteção se perpetua com a continuidade da prática, pois o leite materno muda sua composição ao longo do tempo e se adapta às necessidades da criança, propiciando também benefícios para a saúde física e psíquica da mãe. Desta forma, o estudo teve como objetivo identificar os desafios e dificuldades enfrentadas por mulheres que vivenciam a prática de aleitamento materno prolongado ou continuado. Trata-se de pesquisa qualitativa, desenvolvida de forma online por meio da ferramenta Google Forms, com seis mulheres, maiores de 18 anos, residentes em municípios da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul (Alegrete, Barra do Quaraí, Itaqui e Uruguaiana), cujos bebês já tinham mais de dois anos de idade e permaneciam em aleitamento materno. A coleta de dados ocorreu entre novembro de 2021 e maio de 2022. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, em 28 de setembro de 2021, sob o número de parecer 5.004.667 e CAAE 50839621.2.0000.5323. Nos depoimentos, as participantes revelam julgamentos de terceiros sobre o tamanho e a idade da criança, associados aos sentimentos de vergonha, culpa e constrangimento devido à manutenção da amamentação por mais de dois anos. Elas também são questionadas constantemente quanto à duração dessa prática. Segundo elas, o aleitamento materno prolongado é entendido pelas pessoas do seu entorno como dependência emocional e física do bebê, que pode interferir e refletir negativamente no desenvolvimento infantil, acarretando em atraso intelectual e de crescimento, dificuldades na alimentação e indisciplina. Elas ainda escutam que o aleitamento materno pode ser prejudicial anatomicamente e fisiologicamente para o corpo da mulher. Entretanto, observou-se que as mulheres apresentam conhecimento e informação quanto aos benefícios dessa prática, que as mantém seguras e determinadas a mantê-la, apesar dos julgamentos e comentários, inclusive, de profissionais de saúde, que consideram a manutenção do aleitamento materno como desnecessária e sem finalidade para criança. A partir do exposto, observa-se que, muitas vezes, as crenças culturais e geracionais quanto ao aleitamento materno prolongado encontram-se enraizadas e topam com obstáculos para a sua desconstrução, devido, principalmente, à desinformação sobre os benefícios da manutenção da prática após os dois anos de idade da criança. Esse desconhecimento pode representar um fator de risco para a interrupção da amamentação, como também pode levar à culpabilização da mulher e implicações para a sua saúde mental. É preciso disseminar os benefícios do aleitamento materno prolongado, de modo que a sociedade possa contribuir para o apoio, promoção e proteção ao aleitamento materno, além de incentivar pesquisas na área materno-infantil para acadêmicos da área da saúde, e investir na atualização e capacitação nesta temática para profissionais de saúde, com a finalidade de respeitar a decisão da mulher em manter ou não o aleitamento materno, pelo tempo que desejar.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
DAL ROSSO DA CRUZ, M.; BAHI DA SILVA, G.; ALENDE PRATES, L. ELE (A) AINDA MAMA?: DESAFIOS E DIFICULDADES DE MULHERES DA FRONTEIRA OESTE DO RIO GRANDE DO SUL QUE VIVENCIARAM AMAMENTAÇÃO PROLONGADA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.