DIAGNÓSTICO SITUACIONAL NO PLANEJAMENTO DA DETECÇÃO DA TUBERCULOSE EM UNIDADES BÁSICAS DO RIO GRANDE DO SUL

  • Ariane Pedrozo
  • Mariana Ineu de Lima
  • Milena Dal Rosso da Cruz
  • Jenifer Harter
  • Bruna Lixinski Zuge
Rótulo Atenção, primária, Saúde, Tuberculose, Diagnóstico, Situacional, Planejamento

Resumo

A tuberculose (TB), doença infectocontagiosa, afeta principalmente os pulmões, podendo acometer também outros órgãos e sistemas, está entre as principais causas de mortalidade, sendo considerada como um desafio para a saúde pública. O Brasil permanece entre os 30 países de alta carga, sendo, portanto, considerado prioritário para o controle da doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Diante disso, estratégias têm sido implementadas visando o controle e o fim da doença. O Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), dentre às recomendações, aponta o planejamento baseado no diagnóstico situacional para enfrentamento da TB. O diagnóstico situacional compreende a organização/reorganização da prática assistencial por meio da análise da realidade da população e suas necessidades. Diante disso, as ações voltadas a TB realizadas no contexto das unidades básicas de saúde devem considerar a detecção de casos como principal estratégia para o controle da tuberculose. Nesse sentido, o objetivo do presente manuscrito é descrever a disponibilidade e o uso de ferramentas que produzem informação para a realização do diagnóstico situacional no planejamento de ações de detecção de casos de tuberculose em unidades básicas de saúde de municípios do RS. Trata-se de um estudo do tipo descritivo, de corte transversal, realizado entre outubro de 2016 a janeiro de 2017, em Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Santa Maria, Uruguaiana e Pelotas, municípios considerados como prioritários para o controle da TB no Rio Grande do Sul (RS). Participaram da pesquisa médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, visto que esses profissionais, em geral, são o primeiro contato da pessoa Sintomática Respiratória (SR) de TB. Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário autoaplicável elaborado especificamente para esta pesquisa, o qual contém perguntas fechadas dicotômicas e categóricas. Para avaliação da disponibilidade de ferramentas para produção de informação e diagnóstico situacional nas unidades, considerou-se prontuários organizados por famílias, cadastros atualizado nos últimos 3 meses, a unidade possuir internet, utilizar o e-SUS, contar com equipe de apoio do NASF, participar no PMAQ e mapeamento das áreas de atuação no território. Quanto à disponibilidade de ferramentas sobre a tuberculose e o uso no diagnóstico situacional, considerou-se: livro de registro de Sintomático Respiratório (SR), livro de acompanhamento dos casos de tuberculose, receber relatório Sinan-tb e receber referência técnica para TB. As variáveis foram analisadas descritivamente de acordo com cada município em pacote estatístico da STATASOFT®. Participaram da pesquisa 382 profissionais da saúde. No que se refere a organização da atenção à tuberculose nos municípios, a disponibilidade de uma referência técnica para consultar aspectos sobre a doença ficou acima de 70% em todos os locais estudados. Porém, em contrapartida, a análise dos dados referentes à TB foi confirmada por menos de um quarto dos respondentes em todos locais estudados, bem como o mapeamento de casos de TB ocorreu em menos de um terço. Quanto ao planejamento de ações e manipulação de dados para diagnóstico situacional da tuberculose pelos profissionais nas unidades, mostrou-se insatisfatório, uma vez que o planejamento dessas ações em Pelotas foi de 17%, Santa Maria 16% e em Uruguaiana 30,9%. Em Uruguaiana, ainda, constatou-se que há disponibilidade de acesso à internet, mapeamento de áreas e a tuberculose inserida como pauta em reuniões, além da participação dos profissionais na definição de prioridades junto à gestão para TB. Ainda assim, observou-se que as visitas de monitoramento e o planejamento de ações para o território foram baixas. Considera-se que a ausência de livros e registros com informações epidemiológicas da doença ou a presença dos mesmos sem a manipulação das informações, representa o desconhecimento sobre o diagnóstico situacional da tuberculose no território em que a unidade de saúde está inserida. Nesse sentido, salienta-se que os municípios são prioritários e apresentam alta incidência da doença, portanto, o reconhecimento da situação crítica destes contextos e da responsabilidade de ações de detecção de casos na comunidade e unidade devem ser urgentes. Por fim, considerando a relevância do planejamento de ações e da realização de um diagnóstico situacional das unidades, buscando realizar a efetiva detecção de casos nos territórios, as ferramentas de produção da informação devem fazer parte do cotidiano e do contexto de todas as unidades, portanto, a sensibilização no uso e na manipulação e o aproveitamento de ações focadas na doença, são considerados pilares para a detecção e continuação do cuidado. Para isso, faz-se necessário que as gestões municipais, coordenações de programas municipais de TB e os setores de epidemiologia incentivem as visitas de monitoramento contínuo, articulados a momentos de educação permanente dos profissionais na atenção à TB.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
PEDROZO, A.; INEU DE LIMA, M.; DAL ROSSO DA CRUZ, M.; HARTER, J.; LIXINSKI ZUGE, B. DIAGNÓSTICO SITUACIONAL NO PLANEJAMENTO DA DETECÇÃO DA TUBERCULOSE EM UNIDADES BÁSICAS DO RIO GRANDE DO SUL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.