TERRITORIALIZAÇÃO EM SAÚDE: O USO DO MAPA DE TERRITÓRIO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

  • Maria Eduarda Costa de Almeida
  • Maria Eduarda Dornelles de Oliveira
  • Carla de Oliveira Michelin
  • Jenifer Harter
  • Bruna Lixinski Zuge
Rótulo Atenção, Primária, Saúde, Tuberculose, Mapa, território, Territorialização

Resumo

A atenção primária à saúde (APS) é considerada a principal porta de entrada para o Sistema Único de Saúde (SUS), sendo o primeiro nível de atenção em saúde, atuando como um centro regulador de comunicação entre toda a rede de atenção à saúde do SUS. Para maior efetividade das ações nos serviços, é necessário um planejamento em saúde, que deve ocorrer por meio de ferramentas que auxiliem no processo de diagnóstico local. Esse, trata-se do conhecimento do território e da realidade em que os sujeitos estão inseridos, bem como de possíveis problemas, demandas e necessidades em saúde que a população a ser atendida apresenta. Destaca-se o uso dos mapas de território, uma das ferramentas que auxiliam no processo de planejamento, que caracteriza-se como a representação gráfica da área de responsabilidade da equipe de saúde, permitindo a visualização e o conhecimento do território, para que dessa forma, os profissionais de saúde possam intervir e contribuir de maneira mais efetiva na saúde dos indivíduos. Ainda, o uso dos mapas permite identificar a incidência e prevalência das doenças transmissíveis, como a Tuberculose (TB), buscando que sua transmissão seja controlada e a incidência na população diminuída. Dessa forma, o objetivo desse trabalho é evidenciar a existência e a usabilidade do mapa de território na APS no controle e atenção à tuberculose. Trata-se de um estudo do tipo descritivo, de corte transversal, realizado em 2017, nas cidades de Santa Maria, Uruguaiana e Pelotas no Rio Grande do Sul (RS). Foram entrevistados sobre as Unidades Básicas de Saúde (UBS) médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. O instrumento de pesquisa constitiu em um questionário autoaplicável composto por perguntas fechadas dicotômicas e categóricas, analisadas com estatística descritiva absoluta e relativa. Foram entrevistados 382 profissionais. Desses, quando questionados se a unidade possuía o mapeamento das áreas e microáreas de atuação disponíveis na unidade, 242 (63,4%) responderam que dispõem do mapa na unidade. Tratando-se das unidades que possuíam mapa, 133 (54,9%) profissionais responderam que este ilustrava as zonas de risco ou vulnerabilidade social da população. A identificação de zonas mais vulneráveis com seus principais fatores de risco, contribui para que a equipe de saúde possa atuar buscando identificar os sintomáticos respiratórios, monitorar os contatos e direcionar as ações para as pessoas em acompanhamento e tratamento para TB e outras demandas de saúde. Porém, das unidades que possuíam o mapa, 141 (58,2%) dos profissionais informaram que este não pontuava os casos de agravos de saúde e 186 (76%) referiram que os casos de tuberculose não estavam identificados no mapa de áreas e microáreas. Nesse sentido, faz-se essencial identificar os agravos de saúde, buscando traçar um perfil epidemiológico do território detalhado e preciso, para que dessa forma ocorra o acompanhamento da evolução desses agravos. Os resultados mostram um percentual significativo de unidades que utilizam os mapas de território como uma ferramenta para o planejamento e gestão de saúde, sendo a maioria em zonas de risco ou vulnerabilidade social. Contudo, observaram-se unidades que, mesmo com a existência da ferramenta, não demonstraram utilizá-la, tal fato colabora com a dificuldade de identificação dos casos de TB e agravos nas áreas e microáreas. A falta de identificação dos casos de TB pode indicar uma realização insuficiente de busca ativa na comunidade, o que consequentemente ocasiona baixas testagens diagnósticas e aumento da transmissão familiar e comunitária. Dessa forma, mapear e monitorar as zonas mais vulneráveis e os principais fatores de risco, permite aos profissionais realizarem ações de detecção de casos de TB e agravos de saúde, de maneira a traçar um perfil epidemiológico do território, e assim acompanhar a evolução dos agravos, obtendo um controle epidemiológico mais eficiente. Por fim, conclui-se que o uso de mapa de território na APS é de suma importância, uma vez que permite às equipes de saúde conhecerem o perfil epidemiológico e demográfico, as características culturais, sociais e econômicas dos indivíduos pertencentes ao território. Apropriar-se dessas informações proporciona o estabelecimento de vínculo, definição de prioridades, elaboração de um plano de ação apropriado e atuação junto à comunidade.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
EDUARDA COSTA DE ALMEIDA, M.; EDUARDA DORNELLES DE OLIVEIRA, M.; DE OLIVEIRA MICHELIN, C.; HARTER, J.; LIXINSKI ZUGE, B. TERRITORIALIZAÇÃO EM SAÚDE: O USO DO MAPA DE TERRITÓRIO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.