IMPACTO DA IMPLANTAÇÃO DE UM COMITÊ DE MORTALIDADE POR AIDS MEDIANTE INDICADORES DE SAÚDE MUNICIPAIS

  • Pedro Henrique Drehmer de Vargas
  • Beatriz Herbst Sanday
  • Davi Henrique da Rocha Gonçalves Miranda
  • Bárbara Angelo de Moraes
  • Laís Amanda Ranucci Fernandes
  • Lucas Pitrez Da Silva Mocellin
Rótulo aids, Mortalidade, Letalidade, Indicadores, saúde, Estudo, ecológico

Resumo

A síndrome da imunodeficiência adquirida (aids) é considerada uma epidemia no Brasil, onde o estado do RS apresenta elevadas taxas de detecção e óbito por este agravo. Em meio à conjuntura epidemiológica local do HIV/aids, em dezembro de 2017 a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Uruguaiana implementou o Comitê de Mortalidade por aids (CMaids), o que se estabelece como um movimento de gestão importante para compreensão desses óbitos. Assim, o trabalho apresentado objetiva analisar o impacto da implantação do Comitê de Mortalidade por aids (CMaids) de Uruguaiana por meio de indicadores de saúde municipais. Para isso, propôs-se um estudo ecológico de série temporal, utilizando dados secundários das plataformas oficiais do Ministério da Saúde entre o período de 2008 a 2020, referente às informações de Uruguaiana. Os indicadores elencados nesta série temporal foram a frequência absoluta de óbitos por aids e os coeficientes bruto de mortalidade e letalidade por aids. Foi utilizado um modelo de regressão logarítmica com pontos de junção para verificar tendências entre os indicadores. Os parâmetros resultantes da análise foram as mudanças percentuais anuais (Annual Percent Change - APC). Além disso, foram apresentados médias e desvios-padrões (DP) dos valores de cada indicador listado para os recortes no tempo pré-CMaids (2008-2017) e pós-CMaids (2017-2020). As médias dos indicadores foram comparadas por meio do Teste-T ou ANOVA de uma via, utilizando-se como referência o período de 2018-2020 (após efetivação do CMaids)Valores P menor ou igual a 0,05 foram considerados estatisticamente significativos. As análises foram realizadas por meio dos softwares Joinpoint Regression Program 4.9.0.0. e IBM SPSS versão 22.0. Observou-se o valor mais elevado de óbitos por aids em 2010, com 44 mortes, ao passo que em 2020 verificou-se o menor número (9 óbitos). Para o indicador de mortalidade, foram observados três segmentos de tendências: 1-elevação, 2-redução moderada e 3-redução acentuada, com as APC de 12,4 de 2008 a 2010, -5,5 de 2010 a 2017 e -22,3 de 2017 a 2020. Percebe-se redução de 59,1% em 2020 entre o valor observado (7,1 óbitos/100.000 habitantes) e o esperado (17,4 óbitos/100.000 habitantes), conforme projeções com base na tendência 2. O indicador letalidade por aids também evidencia três tendências (1-redução moderada, 2-estabilização e 3-redução acentuada), com os respectivos APC de -10,2 de 2008 a 2014, 2,1 de 2014 a 2017 e -32,8 de 2017 a 2020. Percebe-se redução de 73,4% no ano de 2020 ao comparar-se o valor observado (9,61 óbitos/1.000 habitantes) e o esperado (36,13 óbitos/1.000 habitantes), com base nas projeções segundo tendência 2. Quanto aos indicadores número de óbitos, taxa de mortalidade e taxa de letalidade, constatou-se redução no valor da média e DP no período pós-CMaids (2018-2020), quando comparado ao período anterior à implantação do Comitê. O indicador número de óbitos por aids apresentou, para o período 2018-2020, média de 14,3 mortes, enquanto que no período 2008-2017 registrou média de 30,3 óbitos (p=0,002). A média da taxa de mortalidade por aids no período 2018-2020 foi 11,3 óbitos/100.000 habitantes, já no período de 2008-2017, verificou-se média de 23,77 (p=0,002). Em relação à taxa de letalidade, para o período 2018-2020 a média exibiu o valor de 15,8 óbitos a cada 1.000 pessoas vivendo com HIV/aids, enquanto que o período de 2008-2017 apresenta valor médio de 40,5 (p=0,005). Portanto, os achados deste estudo possibilitaram verificar o impacto da implantação de um comitê de mortalidade por aids em um município de fronteira, onde o contexto do fluxo de populações transitórias facilitam a manutenção do ciclo de transmissão da infecção pelo HIV. Logo, conclui-se que os achados permitem conjecturar que o CMaids contribuiu para melhorias dos indicadores de saúde, evidenciando este como uma estratégia relevante para o enfrentamento do HIV/aids a nível local.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
HENRIQUE DREHMER DE VARGAS, P.; HERBST SANDAY, B.; HENRIQUE DA ROCHA GONÇALVES MIRANDA, D.; ANGELO DE MORAES, B.; AMANDA RANUCCI FERNANDES, L.; PITREZ DA SILVA MOCELLIN, L. IMPACTO DA IMPLANTAÇÃO DE UM COMITÊ DE MORTALIDADE POR AIDS MEDIANTE INDICADORES DE SAÚDE MUNICIPAIS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.