MUDANÇA NO SENSO DE POSIÇÃO ARTICULAR EM HOMENS COM DOR MUSCULAR DE INÍCIO TARDIO

  • Maria Eduarda Ferreira Pereira
  • Willian da Silva
  • Ana Carolina Lamberty de Moraes
  • Felipe Pivetta Carpes
  • Álvaro Sosa Machado
Rótulo CAPES, CNPq, FAPERGS, UNIPAMPA

Resumo

A dor muscular de início tardio (DMIT) acarreta uma sensação de desconforto que aparece geralmente 48 horas após a realização de exercícios físicos com predomínio de ações musculares excêntricas e/ou um com amplitudes ou velocidades diferentes do habitual e/ou que leva à fadiga muscular. No dia a dia, alguns dos sintomas da DMIT, como déficit de força e de amplitude de movimento, podem restringir tarefas básicas do cotidiano. Porém, ainda pouco se sabe sobre o efeito que a DMIT tem sobre a precisão do gesto motor. Uma ferramenta clínica e de fácil acesso para avaliar essa capacidade de precisão é o senso de posição articular. Nesse estudo preliminar (CAAE: 26037119.9.0000.5323), determinamos se um quadro de DMIT é capaz de afetar o senso de posição articular. Foram recrutados 14 participantes do sexo masculino, com média ± desvio padrão de idade de 25 ± 4,4 anos e massa corporal de 77,2 ± 15,4 kg, todos fisicamente ativos. O estudo envolveu duas visitas ao laboratório. No primeiro dia, para a indução da DMIT, os participantes realizaram o exercício de flexão de cotovelo unilateral com o membro não preferido. No segundo dia, 48 h após a primeira avaliação, medidas de dor na região exercitada foram feitas com um algômetro digital (Instrutherm DD-200). O senso de posição articular foi avaliado nos dois dias com cinemetria 2D, nos momentos pré, pós e 48 h pós exercício, utilizando marcadores reflexivos em referências ósseas na articulação acromioclavicular, no epicôndilo lateral do úmero e no processo estiloide do rádio, em ambos os membros superiores. As imagens foram capturadas no plano sagital, perpendicularmente ao eixo de rotação do cotovelo a uma distância de 1,20 m no plano sagital, do lado direito e do lado esquerdo do participante. As medidas foram realizadas considerando o membro contralateral como controle para o membro exercitado utilizando o software Kinovea versão 0.9. Os participantes foram vendados e seu cotovelo posicionado de maneira passiva pelo avaliador em uma angulação aguda (menor que 90º, induzindo uma condição de músculo mais encurtado) e uma angulação obtusa (maior que 90º, induzindo uma condição de músculo mais alongado). Eles foram instruídos a reproduzir as posições e mantê-las por 5 segundos. A diferença entre o ângulo posicionado pelo avaliador e o repetido pelo participante foi o indicador de erro do senso de posição articular. A normalidade dos dados foi verificada com teste de Shapiro-Wilk, e os pares de valores de erro no ângulo foram comparados com teste t de Student. Por fim, a correlação entre o erro no senso de posição articular e o limiar de dor sob pressão foi verificada com o teste de correlação de Pearson. O valor de P adotado foi de 0,05. No braço exercitado, não houve diferença no erro de senso de posição articular entre o pré (4,82º ± 3,78) e o 48 h pós exercício (4,60 ± 3,00) para ângulo agudo [t(₁)=0,234; p=0,818]. Da mesma forma, não houve diferença para a posição de ângulo obtuso entre o pré (5,56º ± 1,43) e o 48 h pós exercício (5,75º ± 3,40) [t(₁)=1,159; p=0,266]. No braço controle, não houve diferença no erro de senso de posição articular entre o pré (4,60º ± 3,00) e o 48 h pós exercício (3,61 ± 3,002,09) para o ângulo agudo [t(₁)=1,217; p=0,243]. Também não houve diferença para o ângulo obtuso entre o pré (5,75º ± 3,40) e o 48 h pós exercício (5,56º ± 4,05) no braço controle [t(₁)=0,155; p=0,878]. Não houve correlação significativa entre o erro no ângulo obtuso posicionado pelo participante (7,67° ± 5,12) e o limiar de dor sob pressão no momento 48 h [p = 0,248; r = -0.338]. Da mesma forma, não houve correlação significativa para o erro na posição de ângulo agudo (6,59° ± 5,97) e o limiar de dor sob pressão 48 h [p = 0,103, r = 0,453]. Dessa forma, a DMIT não parece influenciar o senso de posição articular, sem correlação significativa entre o limiar de dor sob pressão e o erro no senso de posição. Concluímos que não se pode relacionar a DMIT com a mudança e/ou erro no senso de posição para a articulação do cotovelo.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2022-11-23
Como Citar
EDUARDA FERREIRA PEREIRA, M.; DA SILVA, W.; CAROLINA LAMBERTY DE MORAES, A.; PIVETTA CARPES, F.; SOSA MACHADO, ÁLVARO. MUDANÇA NO SENSO DE POSIÇÃO ARTICULAR EM HOMENS COM DOR MUSCULAR DE INÍCIO TARDIO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.