EFEITO DO ÓLEO DE AÇAÍ (EUTERPE OLERACEA) FRENTE A NEUROTOXICIDADE INDUZIDA POR PARAQUAT EM DROSOPHILA MELANOGASTER

  • Raquell Leaes Garcia
  • Nathalie Savedra Gomes Chaves
Rótulo Açaí, Neuroprotetor, Antioxidante

Resumo

A doença de Parkinson (DP) é uma doença complexa causada por fatores poligênicos e ambientais. Diagnóstico da DP depende da apresentação clínica de sintomas motores, como tremor, rigidez, bradicinesia e instabilidade postural, e sintomas não motores, incluindo perda de olfato, distúrbio do sono, constipação e depressão. As principais alterações patológicas no sistema nervoso central de pacientes com doença de Parkinson são a degeneração dos neurônios pigmentados dopaminérgicos na substância negra e o acúmulo intracitoplasmático de corpos de Lewy no tronco cerebral. Estima-se que a doença afeta 1 milhão de pessoas nos Estados Unidos e 4 milhões de pessoas em todo o mundo. Não há cura para a DP e os tratamentos permanecem sintomáticos com agentes que aumentam a concentração de neurônios dopaminérgicos como a levodopa, e que podem causar efeitos colaterais. O estresse oxidativo foi evidenciado estar relacionado na patogênese da DP, o paraquat (1,1''-dimetil-4,4''-bipiridina-dicloreto) é um herbicida que induz estresse oxidativo ao prejudicar a reciclagem redox de glutationa e tioredoxina, o que inibe a função dos sistemas antioxidantes intracelulares, assim reduzindo os neurônios dopaminérgicos. Os alimentos funcionais contêm ingredientes biologicamente ativos associados a benefícios fisiológicos para a saúde na prevenção e controle de doenças. O açaí (Euterpe oleracea Mart.), uma palmeira nativa amazônica, tem recebido muita atenção nos últimos anos devido aos potenciais benefícios à saúde associados à sua alta capacidade antioxidante e composição fitoquímica que confere ao fruto função neuroprotetora. Objetivo do estudo presente foi avaliar o possível efeito neuroprotetor do óleo de açaí sobre alterações comportamentais e bioquímicas causadas pela exposição crônica de Drosophila melanogaster ao paraquat. Foi utilizada a mosca da fruta (Drosophila melanogaster linhagem Harwich) de ambos os gêneros (1-4 dias de idade), mantidas sob condições controladas de luz (ciclo claro/escuro de 12 horas), temperatura (25 ± 1°C) e 60 % de umidade, alimentadas com dieta padrão. As seguintes concentrações foram utilizadas nos tratamentos óleo de açaí 50 µL (0,5%) (dose encontrada em testes anteriores) e Paraquat na concentração de 1.8mM (dose encontrada em testes anteriores) diluídos em 10 mL de meio padrão para Drosophila Melanogaster. As moscas foram divididas em 4 grupos: (grupo 1) controle; (grupo 2) óleo de açaí 50 µL; (grupo 3) paraquat 1.8mM; (grupo 4) óleo de açaí 50 µL mais paraquat. Para verificar o efeito do açaí (Euterpe oleracea) sobre a prevenção da neurotoxicidade induzida por paraquat, as moscas foram avaliadas na tarefa comportamental campo aberto após exposição durante 5 dias a dieta padrão (controle) ou dieta contendo óleo de açaí. Foi avaliado os marcadores bioquímicos como da atividade da acetilcolinesterase (AChE) que é uma importante enzima bioquímica, pois controla a transmissão neuronal mediada pela acetilcolina no sistema nervoso central. E determinação de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS). Nossos resultados demonstraram no teste de campo aberto que o paraquat diminui a capacidade locomotora e exploratória das moscas, no entanto o óleo de açaí protegeu contra o dano locomotor causado pelo paraquat. Na atividade da AChE o grupo exposto ao paraquat diminuiu sua atividade e o óleo de açaí conseguiu proteger contra a diminuição da atividade da AChE. A enzima AChE hidrolisa a acetilcolina em colina e acetato e regula a disponibilidade do neurotransmissor na fenda sináptica. Devido à propriedade antioxidante do óleo de açaí, pode desempenhar a capacidade de tratar distúrbios relacionados à neurodegeneração. As moscas expostas ao paraquat apresentaram um aumento na peroxidação lipídica no teste de TBARS, devido a capacidade antioxidante do óleo de açaí houve uma diminuição da peroxidação lipídica nas moscas que foram expostas ao óleo de açaí. Concluímos que o óleo de açaí devido sua capacidade antioxidante promove um efeito protetor contra os danos causados pelo paraquat, com esses dados supomos que o óleo de açaí possa ser uma alternativa com capacidade neuroprotetoras.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2022-11-23
Como Citar
LEAES GARCIA, R.; SAVEDRA GOMES CHAVES, N. EFEITO DO ÓLEO DE AÇAÍ (EUTERPE OLERACEA) FRENTE A NEUROTOXICIDADE INDUZIDA POR PARAQUAT EM DROSOPHILA MELANOGASTER. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.