IDENTIFICAÇÃO MORFOLÓGICA DE MICROALGA ENDOFÍTICA DO MUSGO ANTÁRTICO POLYTRICHASTRUM ALPINUM (HEDW.)

  • Steffany Virgolino Araujo Nobre
  • Steffany Virgolino Araujo Nobre
  • Daniel Martins
  • Maysa Renata Lopes Peruzzo
  • Caroline dos Santos Ferreira
  • Gustavo Guedes de Morais
  • Filipe de Carvalho Victoria
Rótulo Identificação, morfológica, Microalga, endofítica, Musgo, antártico

Resumo

As microalgas são organismos procariontes ou eucariontes, unicelulares e fotossintetizantes, que vivem em ambientes aquáticos. Devido a seu rápido crescimento, as microalgas formam a base da teia alimentar nos ambientes aquáticos, sendo o principal produtor primário nesses ecossistemas. Além disso, microalgas também podem ocorrer em ambientes terrestres, na maioria das vezes associados a outros organismos, vivendo em simbiose. Por conta de sua ampla diversidade, facilidade de cultivo, acelerado desenvolvimento e baixo custo de manutenção, as microalgas apresentam grande potencial biotecnológico em diversas áreas, como a biorremediação, a produção de cosméticos e insumos farmacêuticos. A caracterização e identificação de microalgas é necessária, pois é importante ter conhecimento das características bioquímicas exatas de cada espécie, visto que em certas condições de estresse, as algas produzem metabólitos únicos, com propriedades antibióticas, antioxidantes e anti-inflamatórias. Além disso, existe uma demanda nutricional diferente para espécies distintas. Os musgos antárticos, por estarem em um ambiente tão único e extremo, vivem sob fortes condições de estresse diariamente, principalmente devido ao frio, seca e radiação, e os organismos endófitos associados a eles também sofrem com estes fatores, e por isto podem apresentar condições únicas e diferentes dos demais organismos. Tendo isso em vista, os objetivos desse resumo são identificar morfologicamente com ajuda de literatura especializada uma espécie de microalga endofítica de musgo antártico e quantificar sua produção de biomassa. Para o isolamento das algas o musgo Polytrichastrum alpinum (Hedw.) foi coletado durante a Operação Antártica Brasileira XXVIII durante o verão austral de 2019/2020 na Ilha Rei George. O musgo foi levado para laboratório embarcado no Navio Polar Almirante Maximiano e passou por um protocolo de desinfestação superficial, onde foi lavado com Álcool 70%, Hipoclorito e submetido a diversas lavagens com água destilada. Os fragmentos de musgos resultantes da lavagem foram armazenados em tubos com água destilada autoclavada e transferidos para o Brasil. Os fragmentos foram inoculados em placas de petri estéreis com meio KNOP e armazenado à 16°C com fotoperíodo de 16h luz/ 8 horas escuro em câmara de fotoperíodo no Núcleo de Estudos da Vegetação Antártica na UNIPAMPA- Campus São Gabriel. Após o crescimento inicial da colônia de microalga associada ao musgo em placa de petri, a mesma foi isolada separadamente em meio KNOP, com a adição do antibiótico estreptomicina (1g/L) a fim de obter uma cultura pura e axênica. As culturas então foram armazenadas à 16°C com fotoperíodo descrito acima. Posteriormente, foram escolhidas três culturas para observação em microscópio óptico. Para a análise da produção de biomassa, a microalga foi inoculada da placa de petri para um Erlenmeyer de 250 mL, com auxílio da alça de platina, com meio Bolds Basal, com agitação de 190 rpm e mesmo fotoperíodo descrito acima. Após um período de crescimento de 7 dias, a biomassa foi coletada através da floculação química com 0,8 g de sulfato de alumínio. Depois da sedimentação total da microalga, o sobrenadante foi descartado e a biomassa passou por secagem em estufa a 50 °C por um período de 1 hora ou até toda água ser evaporada. Após, a massa resultante foi pesada em balança analítica e a massa seca foi obtida pela diferença entre a massa inicial e a massa final. As médias dos valores de biomassa obtidos foram submetidas à análise de variância e comparadas pelo teste de Tukey. A partir das análises de microscopia e comparações com a literatura específica, foi possível observar que a espécie de microalga endofítica isolada do musgo P. alpinum pertence a Classe Chlorophyta e a Família Trebouxiaceae, sendo uma possível representante do gênero Trebouxia, gênero este já relatado para a região da Antártica associada a líquens em diferentes locais do continente. Além disso, a média da produção total de biomassa seca foi de 3,82 g, e a média da massa úmida foi 57,4 g. As análises demonstraram significância estatística somente para a massa úmida (p= 0,003), porém sem significância para a massa seca (p= 0,23). Este resultado pode ser devido à variação na produtividade dos isolados em meio líquido, pois apesar de alguns isolados apresentarem alta produtividade e adaptação ao meio líquido, outros demonstraram um tempo maior para crescimento e produção de biomassa. Portanto, a microalga não mostrou boa resposta à transição do meio sólido para o líquido e à mudança de substrato, considerando a grande variação no crescimento desse isolado, tendo em vista que a mudança de substrato pode acarretar em problemas para aclimatação in vitro das linhagens testadas. A fim de concluir a identificação desta espécie, análises moleculares com regiões específicas do gênero Trebouxia deverão ser realizadas, possibilitando assim, o uso deste isolado antártico para trabalhos futuros.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
VIRGOLINO ARAUJO NOBRE, S.; VIRGOLINO ARAUJO NOBRE, S.; MARTINS, D.; RENATA LOPES PERUZZO, M.; DOS SANTOS FERREIRA, C.; GUEDES DE MORAIS, G.; DE CARVALHO VICTORIA, F. IDENTIFICAÇÃO MORFOLÓGICA DE MICROALGA ENDOFÍTICA DO MUSGO ANTÁRTICO POLYTRICHASTRUM ALPINUM (HEDW.). Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.