EFEITOS DO TREINO E DESTREINO DURANTE A GESTAÇÃO SOBRE A MEMÓRIA DA MÃE NA ÚLTIMA SEMANA GESTACIONAL

  • Pedro Luiz Erves Ribeiro
  • Ben Hur Souto das Neves
  • Karine Ramires Lima
  • Gabriela Jaques Sigaran
  • Pamela Billig Mello Carpes
  • Guilherme Salgado Carrazoni
Rótulo Exercício, Físico, Fisiologia, Humana, Destreino, Neuroplasticidade

Resumo

A formação do nosso sistema nervoso inicia-se durante o período gestacional e continua até a vida adulta, quando diversas estruturas ainda estão sendo consolidadas. Ademais, já se sabe que a prática de exercício físico apresenta inúmeros benefícios para o organismo tendo ações, por exemplo, sobre as estruturas e funções do sistema nervoso relacionadas à memória, tanto das mães como da prole. Por outro lado, o destreino, ato de diminuir consideravelmente ou interromper a prática de exercício físico, pode ser tão prejudicial quanto a não-prática de exercício, conforme estudos que investigaram a formação e consolidação de memória em machos. No entanto, os efeitos do exercício e do destreino sob a memória de fêmeas ainda são pouco pesquisados, especialmente durante um período tão sensível como a gestação. Dessa forma, este estudo busca investigar os efeitos de diferentes intensidades de exercício, antes e durante a gestação, e do destreino sobre a memória de ratas na última semana de gestação. Para isso, ratas Wistar fêmeas (n = 28) foram divididas em 5 grupos (n = 5-7/grupo): Sedentário (SED); Exercício Pré-gestação (PRÉ); Exercício Pré-gestação e Gestacional com Diminuição de Intensidade (EPGD); Exercício Pré-gestação e Gestacional em Igual Intensidade (EPGI), e; Exercício Gestacional (GEST). Foram realizados testes de consumo máximo de oxigênio indireto (VO2máx) para avaliar a capacidade aeróbia das ratas mães. Os testes foram realizados em três tempos: antes de iniciar o protocolo de exercício pré-gestacional, ao final da segunda semana de exercício e um dia antes do acasalamento. As fêmeas foram habituadas a esteira rolante na velocidade de 5m/min, 10 minutos/dia, durante 4 dias. No 5º dia foi realizada a medida de VO2máx. O grupo SED foi habituado à esteira, mas não realizou exercício físico antes e/ou durante a gestação. As ratas do grupo PRÉ e do grupo EPGD realizaram o protocolo de exercício em intensidade moderada (60% VO2máx, aproximadamente 24m/min) durante as 4 semanas antes da gestação, 50 minutos por dia, 5 vezes por semana. As fêmeas do grupo EPGI realizaram tanto o exercício pré-gestação quanto durante a gestação na velocidade fixa de 12m/min, 30 minutos por dia, 5 vezes na semana, e as ratas dos grupos GEST e EPGD, realizaram o exercício de corrida na esteira na velocidade de 8m/min durante as duas primeiras semanas de gestação e 6m/min na última semana de gestação, 30 minutos por dia, 5 vezes por semana, até o dia do parto. Na última semana de gestação, nós utilizamos a tarefa de reconhecimento de objetos (RO) para avaliação da memória. Para tal, os animais foram habituados a um aparato (arena medindo 60 cm x 60 cm x 60 cm), durante 4 dias consecutivos, 20 min/dia. No 5º dia foi realizada uma sessão de treino, na qual foram colocados dois objetos diferentes (A e B) para livre exploração por 5 minutos. Após 24 horas da sessão de treino, foi realizada a sessão de teste, quando um dos objetos foi aleatoriamente substituído por um novo objeto (C) e os animais foram colocados novamente para livre exploração por 5 minutos. O tempo de exploração de cada objeto foi convertido em porcentagem do tempo total de exploração. Os tempos de exploração de cada objeto foram comparados com uma média teórica de 50% através do teste de T de uma amostra. Este estudo foi aprovado pelo CEUA/UNIPAMPA (protocolo 020/2021). Na sessão de treino, as fêmeas de todos os grupos exploraram por um tempo similar a 50% do tempo total de exploração os dois objetos. Na sessão de teste, as fêmeas do grupo SED exploraram por mais de 50% do tempo o objeto novo (64.4 +- 10,13; P = 0,027), assim como as fêmeas do grupo PRÉ (59,58 +- 2,102; P = 0,0005), o que demonstra que estes animais foram capazes de lembrar do objeto apresentado durante a sessão de treino e, logo, consolidar a memória. Já o grupo EPGD, passou um tempo similar a 50% explorando cada um dos objetos (P = 0,0998), de forma semelhante ao grupo EPGI (P = 0,7529) e ao grupo GEST (P = 0,3501), o que demonstra um déficit de memória. Deste modo, nossos resultados não corroboram os achados na literatura com machos, onde o destreino causou déficit de memória. Por outro lado, também observamos que todos os grupos que se exercitavam na última semana de gestação não foram capazes de formar a memória. Nossa hipótese é de que pode ter havido uma competição por proteínas relacionadas à neuroplasticidade, requeridas para a consolidação da memória e para a indução de neuroplasticidade pelo exercício, já que os testes de memória foram realizados na última semana de gestação, quando as ratas ainda realizavam exercício. Ainda, cabe destacar que esta é uma fase única da vida das fêmeas, e outros fatores relacionados ao feto podem estar envolvidos.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
LUIZ ERVES RIBEIRO, P.; HUR SOUTO DAS NEVES, B.; RAMIRES LIMA, K.; JAQUES SIGARAN, G.; BILLIG MELLO CARPES, P.; SALGADO CARRAZONI, G. EFEITOS DO TREINO E DESTREINO DURANTE A GESTAÇÃO SOBRE A MEMÓRIA DA MÃE NA ÚLTIMA SEMANA GESTACIONAL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.