AÇÃO ANTIOXIDANTE DO HIDROLISADO DA CLARA DO OVO NO TECIDO ADIPOSO BRANCO EM RATOS HIPERTENSOS DOCA-SAL

  • Camila Rodrigues Moro
  • Luciana Venturini Rossoni
  • Dalton Valentim Vassallo
  • Marta Miguel Castro
  • Giulia Alessandra Wiggers
  • Edina da Luz Abreu
Rótulo Hipertensão, arterial, Hidrolisado, clara, ovo, Estresse, oxidativo

Resumo

A hipertensão arterial é uma doença crônica não-transmissível de caráter multifatorial altamente influenciada pelos fatores de risco modificáveis, como hábitos alimentares sustentados por dietas ricas em sódio. Além de impactar na homeostasia de órgãos-alvo, quando aliada a dislipidemia essa condição crônica promove diversos impactos socioeconômicos que são refletidos em grandes taxas de hospitalizações por agravos cardiovasculares como acidente vascular encefálico e infarto agudo do miocárdio. A sensibilidade ao sódio possui um papel central na patogênese dessa condição influenciando diretamente a volemia e débito cardíaco com repercussão direta no aumento pressórico. E o estresse oxidativo é um dos principais mecanismos que provocam danos vasculares na hipertensão por meio da disfunção endotelial e processo inflamatório crônico. A cronicidade do aumento pressórico sustentado desencadeia processo inflamatório mediado pelo aumento de espécies reativas de oxigênio (ROS) ativadas pela angiotensina-II que favorecem alterações nas vias de ativação catabólica em tecido adiposo. O manejo da hipertensão grave é difícil pois necessita de estratégias farmacológicas aliadas a estratégias não-farmacológicas para atingir o sucesso terapêutico. Neste contexto, os alimentos funcionais, dentre eles um hidrolisado da clara do ovo (HCO) com propriedades biológicas anti-hipertensivas e antioxidantes podem ser promissoras no tratamento e controle da hipertensão arterial e nos agravos promovidos em tecidos periféricos como o adiposo. Objetivou-se avaliar o uso de um alimento funcional sobre as alterações no tecido adiposo branco de ratos hipertensos DOCA-Sal. Para isso todos os animais foram submetidos à uninefrectomia prévia ao tratamento e foram divididos em: a) Grupo SHAM (água destilada via gavagem diariamente + veículo via subcutânea [propilenoglicol + óleo mineral, 1:1] semanalmente); b) Grupo SHAM+HCO (1 g/kg/dia de HCO via gavagem diariamente e veículo via subcutânea [propilenoglicol + óleo mineral, 1:1] semanalmente); c) Grupo DOCA (1ª sem: 20 mg/kg via subcutânea.; 2ª e 3ª sem: 12 mg/kg via subcutânea e 4ª a 8ª sem: 6 mg/kg via subcutânea de acetato de desoxicorticosterona e NaCl 1% + KCl 0,2% na água de beber diariamente); d) Grupo DOCA+HCO (1ª sem: 20 mg/kg via subcutânea.; 2ª e 3ª sem: 12 mg/kg via subcutânea e 4ª a 8ª sem: 6 mg/kg via subcutânea de acetato de desoxicorticosterona e NaCl 1% + KCl 0,2% na água de beber diariamente e 1 g/kg/dia de HCO via gavagem diariamente). Foram analisados semanalmente a ingesta hídrica e calórica e o peso corporal dos animais. Ao final do tratamento os animais foram anestesiados e eutanasiados, realizando a coleta do tecido adiposo branco subcutâneo inguinal (SCWAT) e retroperitoneal (RTWAT). Foram realizados ensaios bioquímicos para avaliação dos parâmetros de estresse oxidativo no tecido SCWAT com avaliação de níveis de ROS, de peroxidação lipídica (TBARS) e capacidade antioxidante total por meio de técnica espectrofotométrica. Além disso, também foi avaliado tamanho de adipócito por análise histológica com hematoxilina e eosina e analisada por meio do software Adiposoft e infiltração de macrófagos CD3+ por análise imunohistoquímica com o software Image J 1.45 no tecido RTWAT. Os animais do grupo DOCA apresentaram redução do peso corporal e o HCO não interferiu nessa alteração (SHAM 336,7±19,9; SHAM+HCO 330,6±19,8; DOCA 308,1±13,9*; DOCA+HCO 303,7±14,2). O HCO não alterou a ingesta calórica (SHAM 32,1±1,3; SHAM+HCO 30,7±2,1; DOCA 25,8±1,4; DOCA+HCO 25,7±1,5). A ingesta hídrica apresentou aumento considerável no grupo DOCA e o HCO não alterou esse aumento (SHAM 57,1±1,8; SHAM+HCO 51,0±1,5; DOCA 129,2±4,3*; DOCA+HCO 147,4±4,0). Os níveis de espécies reativas de oxigênio e peroxidação lipídica no tecido SCWAT foram aumentados nos animais com hipertensão DOCA-sal, o que é característico do modelo neste tecido devido a sua condição catabólica. No entanto, o co-tratamento com o HCO reduziu significativamente os níveis de ROS e TBARS dos animais hipertensos sendo capaz de prevenir/reverter o aumento do estresse oxidativo promovido pelo modelo de hipertensão. A capacidade antioxidante total deste tecido não modificou nos grupos estudados. A estrutura do tecido RTWAT e a área celular manteve-se inalterada em todos os grupos tratados, pois não há dano estrutural no adipócito. Porém, observou-se que o co-tratamento com o HCO preveniu o aumento da infiltração de macrófagos CD3+ no tecido RTWAT promovido pela hipertensão observado nos animais do grupo DOCA, demonstrando potencial efeito anti-inflamatório. O hidrolisado da clara do ovo demonstrou potencial efeito antioxidante e antiinflamatório em animais hipertensos DOCA-Sal no tecido SCWAT e RTWAT, caracterizando uma estratégia terapêutica dietética não-farmacológica de origem animal altamente funcional no tratamento da hipertensão e alterações catabólicas do tecido adiposo branco.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
RODRIGUES MORO, C.; VENTURINI ROSSONI, L.; VALENTIM VASSALLO, D.; MIGUEL CASTRO, M.; ALESSANDRA WIGGERS, G.; DA LUZ ABREU, E. AÇÃO ANTIOXIDANTE DO HIDROLISADO DA CLARA DO OVO NO TECIDO ADIPOSO BRANCO EM RATOS HIPERTENSOS DOCA-SAL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.