RELAÇÃO ENTRE A DOR MUSCULAR INDUZIDA PELO EXERCÍCIO, LIMIAR DE DOR E TEMPERATURA DA PELE ENTRE HOMENS E MULHERES

  • Mathias Sosa Machado
  • Felipe Pivetta Carpes
Rótulo Dano, muscular, temperatura, pele, termografia, infravermelha

Resumo

A termografia infravermelha tem ganho popularidade no contexto esportivo para avaliar variações da temperatura da pele relacionadas ao dano muscular. Esse método tem a vantagem de ser uma técnica não invasiva, mas ainda não há consenso sobre sua aplicabilidade para monitorar o dano muscular. Neste estudo determinamos a relação entre dor muscular de início tardio induzido pelo exercício, limiar de dor por pressão e temperatura da pele em homens e mulheres, pré e após exercício físico. Participaram do estudo 22 adultos (10 homens e 12 mulheres, média ± desvio-padrão de idade: 23.5 ± 6.6 anos, massa corporal: 72.7 ± 9.1 kg, estatura: 172 ± 0.1 cm) submetidos a um protocolo de exercícios de agachamento para indução do dano muscular no quadríceps. A temperatura da pele, dor muscular de início tardio e limiar de dor foram avaliados antes, imediatamente após exercício, e 48 h após, com uma câmera termográfica (Flir E-60; 320x240 pixels), escala numérica da dor de 0 a 10, e um algômetro digital (Instrutherm DD-200), respectivamente. Para padronização e melhor aplicabilidade dos métodos, ressaltamos que as imagens termográficas foram capturadas seguindo o TISEM checklist. A seguir apresentamos informações sobre a a análise estatística, a dor tardia foi comparada pelo teste de Friedman com post-hoc de Wilcoxon, e as diferenças entre os sexos por teste U de Mann-Whitney. Uma ANOVA de medidas repetidas com post-hoc de Bonferroni foi aplicada para comparar o limiar de dor no quadríceps com três fatores: tempo (pré, pós-exercício, e após 48 h), região muscular (região muscular do quadríceps proximal, região muscular do quadríceps medial e região muscular do quadríceps distal), preferência por perna (preferência por perna preferida e preferência por perna não preferida) e um fator intersujeito (fator intersujeito pelo sexo: homens e mulheres). Por fim, foram realizadas regressões lineares múltiplas usando os parâmetros de variação da temperatura da pele (ΔT) da coxa como variável preditora. A dor tardia aumentou de forma semelhante entre os sexos logo pós (p<0.001) e 48 h após exercício (p<0.001). Os resultados do estudo foram o limiar de dor que foi menor nas mulheres que nos homens (p<0.05), e diminuiu após 48 h para os homens (p<0.05), mas não diferiu entre os momentos para as mulheres. As respostas da temperatura da pele foram dependentes do sexo. Nas mulheres, a temperatura média e máxima da pele não diferiu entre pré e pós-exercício (p>0.05), enquanto a temperatura mínima foi maior após 48 h (pré-exercício 28.9 ± 1.1°C vs. 48h pós-exercício 30.0 ± 0.8°C, p=0.03). Em todos os momentos a temperatura média da região exercitada nas mulheres apresentou menor temperatura da pele que os homens (média pré-exercício: homens 32.1 ± 1.1°C vs. mulheres 31.1 ± 0.7°C, p = 0.02); temperatura média pós-exercício: homens 33.0 ± 0.9°C vs. mulheres 31.4 ± 1.0°C, p<0.001). A dor tardia não teve relação com a temperatura da pele, mas observamos uma capacidade preditiva fraca considerando a variação da temperatura máxima da pele pré e 48 h pós-exercício e limiar de dor sob pressão (R² = 0.15, p=0.01). A partir dos resultados do estudo, concluímos que há um efeito dependente do sexo na análise das mudanças de temperatura da pele em resposta ao exercício, fator não mencionado em estudos anteriores. Além disso, podemos afirmar que até o momento, as inferências são geralmente assumidas como independentes entre homens e mulheres, o que mostramos que pode não ser o caso.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
SOSA MACHADO, M.; PIVETTA CARPES, F. RELAÇÃO ENTRE A DOR MUSCULAR INDUZIDA PELO EXERCÍCIO, LIMIAR DE DOR E TEMPERATURA DA PELE ENTRE HOMENS E MULHERES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.