DANO RENAL INDUZIDO NA HIPERTENSÃO ARTERIAL DOCA-SAL EM RATOS - AÇÃO PROTETORA DO HIDROLISADO DE CLARA DE OVO

  • Samia Kanaan
  • Camila Rodrigues Moro
  • Camila Teixeira Herrera
  • Pedro Henrique Dorneles Costa
  • Edina da Luz Abreu
  • Giulia Alessandra Wiggers Peçanha
Rótulo Hipertensão, Hidrolisado, clara, ovo, Rim, Alimento, funcional, DOCA-Sal

Resumo

As doenças crônicas cardiovasculares são uma das principais causas de internação no Brasil e no mundo. A hipertensão é considerada a principal doença crônica detectada na população brasileira, e pode ser primária quando de origem desconhecida ou secundária quando derivada de doenças crônicas como insuficiência renal, diabetes dentre outras. A hipertensão arterial está associada ao aumento de estresse oxidativo e do processo inflamatório, disfunção vascular e pode atingir órgãos alvo especialmente rins, cérebro e retina. O modelo de hipertensão arterial em animais experimentais DOCA-sal é um mimetizador da hipertensão secundária grave, dependente de volume, a partir da realização de uninefrectomia e injeções de desoxicorticosterona (um precursor de aldosterona e cortisol) associadas a sobrecarga de sal. O estudo de alternativas terapêuticas de origem animal, como um Hidrolisado de Clara de Ovo (HCO) como uma opção não-farmacológica adjuvante, de baixo custo, com propriedades antioxidante, anti inflamatória e anti-hipertensiva tem sido valorizada e ainda pouco explorada em seus efeitos em órgão alvo como os rins. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi avaliar o efeito protetor do HCO nos danos induzidos pelo aumento dos níveis pressóricos em ratos no modelo DOCA-Sal, na estrutura e no estado redox do tecido renal. Para tal, ratos Wistar machos de 3 meses de idade foram tratados por 8 semanas e divididos em 4 grupos: a) SHAM (uninefrectomia + água destilada, via gavagem); b) SHAM+HCO (uninefrectomia + HCO - 1 g/Kg/dia, via gavagem); c) DOCA (uninefrectomia + acetato de desoxicorticosterona - 1ª (20 mg/Kg), 2ª - 3ª (12 mg/Kg) e 4ª - 8ª semanas (6 mg/Kg); d) DOCA+HCO (HCO 1 g/Kg/dia, via gavagem da 4ª - 8ª sem). Os grupos hipertensos receberam água suplementada com NaCl (1%) + KCl (0,2%) - UNIPAMPA/ CEUA Nº 003/2020. Foram avaliadas as estruturas da massa renal, por meio de análises histológicas, para isso cortes sagitais do rim foram realizados e fixados com formol 4% e mantido refrigerado (4 ºC) por 24h, na sequência os cortes foram lavados com tampão fosfato-salino e armazenados em álcool 70% até emblocamento, para o processo de emblocamento as amostras passaram por desidratações em álcool etílico, após foi realizado a clarificação em xilol e a inclusão em parafina, posteriormente são realizadas microtomias de 5µm de espessura e coradas com Hematoxilina e Eosina (H & E) e posteriormente Ácido Periódico de Shiff (PAS). Para avaliar o estado redox do tecido renal, uma porção do órgão foi homogeneizada com Tris-HCl (50 mM), centrifugada e o sobrenadante foi utilizado para análises bioquímicas por meio do método espectrofluorimétrico. Os níveis de espécies reativas de oxigênio (ROS) foram determinados por DCF-DA, e expressos por unidades de fluorescência (FU). Os níveis de peroxidação lipídica, foram analisados através da expressão de malondialdeído (MDA) pelo método colorimétrico, os valores foram expressos em nmol de MDA/g de tecido e também foi avaliado a capacidade antioxidante total através do ensaio bioquímico de FRAP, os resultados são expressos em nM de Trolox equivalentes. Os dados das análises bioquímicas foram expressos em média ± EPM, e analisados por ANOVA de duas vias, seguidos pelo teste de Post Hoc de Bonferroni, os resultados foram considerados significativos quando p<0,05. Ao analisar a estrutura renal, foi possível observar no grupo DOCA um comprometimento morfológico da massa renal, como a atrofia dos glomérulos e espessamento da cápsula de Bowman. No entanto, no grupo tratado com HCO (DOCA+HCO) foi observado uma melhora significativa destes parâmetros, indicando um efeito protetor deste HCO sobre os efeitos deletérios da hipertensão provocada pelo modelo DOCA-sal. Adicionalmente, no grupo DOCA, foi observado um aumento de tecido fibrótico na massa renal, e o tratamento com HCO foi capaz de proteger a morfologia renal deste dano. Os níveis aumentados de ROS induzidos pela hipertensão DOCA-sal não foram alterados pelo co-tratamento com HCO (SHAM: 290,1 ± 25,5; SHAM+HCO: 297,6 ± 13,6; DOCA: 419,6 ± 28,1*; DOCA+HCO: 393,1 ± 31,3*, * vs SHAM). Os níveis de peroxidação lipídica no tecido renal aumentaram significativamente nos animais DOCA e o tratamento com HCO foi capaz de reverter esse aumento (SHAM: 0,39 ± 0,02; SHAM+HCO: 0,39 ± 0,04; DOCA: 0,58 ± 0,06*; DOCA+HCO: 0,43 ± 0,04# , # vs DOCA). Ao investigar a capacidade antioxidante total no rim, a hipertensão DOCA-sal reduziu o status antioxidante no rim e o co-tratamento com HCO preveniu este efeito, mantendo os valores a nível de grupo controle (SHAM: 72,8 ± 2,4; SHAM+HCO: 72,6 ± 3,2; DOCA: 57,6 ± 1,8*; DOCA+HCO: 70,2 ± 3,4#). Conclui-se que o HCO demonstrou ser um alimento funcional com potencial efeito protetor renal nos danos induzidos pela hipertensão grave.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
KANAAN, S.; RODRIGUES MORO, C.; TEIXEIRA HERRERA, C.; HENRIQUE DORNELES COSTA, P.; DA LUZ ABREU, E.; ALESSANDRA WIGGERS PEÇANHA, G. DANO RENAL INDUZIDO NA HIPERTENSÃO ARTERIAL DOCA-SAL EM RATOS - AÇÃO PROTETORA DO HIDROLISADO DE CLARA DE OVO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.