EFEITO DE NANOPARTÍCULAS CARREGADAS DE LUTEÍNA SOBRE ESTRESSE OXIDATIVO DÉFICT COMPORTAMENTAL INDUZIDO PELO MODELO EXPERIMENTAL DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

  • Naeli Loureiro Cortes
  • Mustafa Munir Mustafa Dahleh
  • Cristini Escobar Viana
  • Vandreza Cardoso Bortolotto
  • Nathalie Savedra Gomes Chaves
  • Gustavo Petri Guerra
Rótulo Autismo, Carotenoide, Tratamento, terapêutico, Antioxidante

Resumo

Transtorno do espectro autista (TEA) é uma desordem neurológica, diagnosticada na infância e caracterizada por prejuízos na interação social, deficiências na comunicação e comportamento repetitivos e estereotipados. Nesse sentido, há demanda por maior conhecimento sobre o desenvolvimento do TEA no sexo feminino, o que ainda é pouco relatado e a necessidade de desenvolver tratamentos específicos para o gênero. Em pacientes e modelos animais de TEA, a literatura mostra alterações neuroquímicas significativas, como aumento de espécies reativas de oxigênio, peroxidação lipídica, disfunção mitocondrial e diminuição da atividade de enzimas antioxidantes. Esses eventos causam um aumento no estresse oxidativo seguido de morte celular. Portanto, a associação entre estresse oxidativo e apoptose surgiu como supostos candidatos às causas do TEA. A luteína um carotenoide com importante ação antioxidante, destaca-se por atravessar a barreira hematoencefálica contribuindo para melhoramento da memória, do aprendizado e habilidades cognitivas. Objetivo: Avaliar a ação das nanopartículas carregadas de luteína sobre o estresse oxidativo e o comportamento repetitivo e ansioso no modelo experimental de TEA induzido pelo ácido valproico (VPA) em ratas. Metodologia: Foram utilizados ratos Wistar adultos (90 - 120 dias de idade) para compor os casais genitores. No 12,5 dia as fêmeas prenhes foram divididas em dois grupos e receberam injeção intraperitoneal de VPA (600 mg/kg) ou salina (0,9 % NaCl, 1 mL/kg). Vinte e um dias após o nascimento, os filhotes (F1) foram subdivididos em dois grupos e receberam nanopartículas carregadas com luteína na forma de nanopartículas (5 mg/kg) ou salina (1 mL/kg), por gavagem oral durante 14 dias. Após a última administração, os animais foram submetidos ao teste de campo aberto para avaliar comportamentos semelhantes ao TEA, sendo analisada a distância total percorrida, o tempo que o animal permaneceu no centro do aparato, o tempo de imobilidade e o número de vezes que o animal realizou a autolimpeza. No final do teste comportamental, o hipocampo foi removido para a determinação de indicadores de estresse oxidativo, como espécies reativas de oxigênio (ROS) e substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS) (CEUA/UNIPAMPA 041/2018). Resultados: Nossos resultados mostraram que a exposição pré-natal ao VPA induziu comportamentos semelhantes ao TEA, como déficit de interação social e déficit de memória social e comportamento repetitivo e ansioso em ratas. No entanto a exposição a nanopartículas carregadas de luteína reverteu o comportamento ansioso e repetitivo induzido por VPA, representado pelo aumento de tempo em que o animal permaneceu no centro do equipamento e a redução da autolimpeza. Além disso, as nanopartículas carregadas de luteína restauraram os indicadores de estresse oxidativo (ROS e TBARS) no hipocampo, indicando proteção antioxidante e diminuição aos danos celulares. A associação entre baixa atividade de enzimas antioxidantes, estresse oxidativo e apoptose tem sido considerada um dos principais fatores contribuintes para o TEA e suas alterações comportamentais. Além disso, o aumento do estresse oxidativo pode induzir diretamente a morte celular. Conclusão: Esses resultados fornecem evidências de que nanopartículas carregadas de luteína possui potencial de combater aos déficits comportamentais induzidos por VPA em ratas, este efeito envolve a restauração do estresse oxidativo. Entretanto, novos ensaios devem ser realizados para esclarecer o mecanismo de ação das nanopartículas carregadas de luteína.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2022-11-23
Como Citar
LOUREIRO CORTES, N.; MUNIR MUSTAFA DAHLEH, M.; ESCOBAR VIANA, C.; CARDOSO BORTOLOTTO, V.; SAVEDRA GOMES CHAVES, N.; PETRI GUERRA, G. EFEITO DE NANOPARTÍCULAS CARREGADAS DE LUTEÍNA SOBRE ESTRESSE OXIDATIVO DÉFICT COMPORTAMENTAL INDUZIDO PELO MODELO EXPERIMENTAL DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.