CARACTERIZAÇÃO DO MODELO EXPERIMENTAL DE INFLAMAÇÃO INDUZIDA POR SULFATO DE COBRE EM PEIXE-ZEBRA

  • Maria Vitória Takemura Mariano
  • Ana Beatriz dos Santos
  • Karen Kich Gomes
  • Thaís Posser
  • Jeferson Luis Franco
  • Luana Paganotto Leandro
Rótulo Inflamação, Sulfato, Cobre, Estresse, oxidativo, Peixe-zebra

Resumo

A inflamação é um processo fisiológico do organismo mas quando não resolvida, pode se tornar crônica e consequentemente prejudicial. Como por exemplo, comprometendo a integridade tecidual de diferentes órgãos e contribuindo para a progressão de doenças de cunho inflamatório como aterosclerose, diabetes mellitus tipo 2 e doenças neurodegenerativas, incluindo a doença de Alzheimer e Parkinson. A indução de uma condição fisiológica fornece suportes para a compreensão dos mecanismos bioquímicos envolvidos, além disso, a padronização de um modelo experimental é indispensável para a elucidação e compreensão dos alvos celulares prejudicados. O peixe-zebra (Danio rerio) é um organismo modelo que se destaca no ponto de vista científico, principalmente por ser um vertebrado diplóide de alta complexidade, bem como suas características com base molecular da neurobiologia e alta similaridade com o genoma humano, permitindo a extrapolação dos resultados obtidos. Nesta perspectiva, o presente trabalho teve como objetivo a caracterização do modelo experimental de inflamação induzida por Sulfato de cobre (CuSO4) em peixe-zebra para o avanço no conhecimento sobre aspectos fundamentais envolvidos na resposta inflamatória. Todos os protocolos experimentais utilizados neste trabalho foram aprovados pelo comitê de ética local (CEUA/UNIPAMPA protocolo n°003/2016). Larvas de peixe-zebra com 3 dias pós-fertilização foram expostas durante 24 horas ao CuSO4, nas concentrações de 1, 2 e 10 µM, tendo como grupo controle larvas no mesmo estágio expostas com a água do sistema Zebtec®. Após o período de exposição, o potencial inflamatório do composto foi avaliado por parâmetros comportamentais e bioquímicos em 4 dias pós-fertilização. Larvas de peixe-zebra com 4 dias pós fertilização foram submetidas ao teste comportamental de resposta ao toque e capacidade natatória, baseado na quantidade de estímulos necessários para o primeiro deslocamento, como também a capacidade da larva em realizar uma resposta de escape em direção à periferia. A avaliação de parâmetros bioquímicos foram avaliados por meio da detecção dos níveis de espécies reativas de oxigênio, através da quantificação por fluorescência da oxidação do diacetato de diclorofluoresceína (DCFH-DA) e também, pelo ensaio de viabilidade celular, medida pelo ensaio da resazurina, baseada na capacidade de mitocôndrias viáveis em reduzir a resazurina (não fluorescente) em resorufina (fluorescente). Como resultado, em todas as concentrações testadas o CuSO4 prejudicou o comportamento das larvas, ao necessitarem de um número maior de estímulos para apresentar a resposta de escape, assim como diminuição na capacidade natatória, em não exibir o nado padrão de fuga em direção à periferia quando comparado com o controle, sendo que neste estágio de desenvolvimento as larvas iniciam a atividade natatória e adquirem a capacidade de resposta a estímulos táteis. O aumento dos níveis de espécies reativas de oxigênio foi demonstrado nas concentrações de 2 e 10 µM de CuSO4, assim como a diminuição da viabilidade celular, podendo indicar o envolvimento da inflamação induzida pelo composto na geração de espécies reativas de oxigênio e o comprometimento no metabolismo de mitocôndrias viáveis das larvas de peixe-zebra, respectivamente. Mais estudos são necessários para a compreensão das vias biológicas envolvidas na relação entre a inflamação e o estresse oxidativo, em razão da relevância na progressão de doenças de cunho inflamatório.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
VITÓRIA TAKEMURA MARIANO, M.; BEATRIZ DOS SANTOS, A.; KICH GOMES, K.; POSSER, T.; LUIS FRANCO, J.; PAGANOTTO LEANDRO, L. CARACTERIZAÇÃO DO MODELO EXPERIMENTAL DE INFLAMAÇÃO INDUZIDA POR SULFATO DE COBRE EM PEIXE-ZEBRA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.