BACTÉRIAS PROMOTORAS DE CRESCIMENTO DE PLANTAS EM ARROZ IRRIGADO

  • Fabiani Carpes Bretos Moro
  • Pablo Victor Guevara Marx Lenin Martins Mairesse
  • Camila Silva Alderete
  • Felippe Bretos Pradebon
  • Renata Silva Canuto de Pinho
Rótulo Tratamento, sementes, Bacillus, sp, Oryza, sativa

Resumo

O arroz (Oryza sativa L.) é um alimento com excelente balanço nutricional, capaz de fornecer 20% da energia e 15% da proteína necessária ao ser humano e é a espécie que apresenta maior potencial para o combate à fome no mundo. Na safra 2021/2022, o custo com fertilizantes minerais representou 15,5% dos custos totais da lavoura orizícola no estado do Rio Grande do Sul. Dados apontam que a produtividade será a principal variável do comportamento do arroz, quando estima que a atual produtividade média do RS, maior produtor nacional do cereal, de 7,8 toneladas por hectare, passe para 12,7 toneladas por hectare em 2026/27, necessitando, portanto, de um maior aporte mineral para sustentar essa produção. Nesse contexto, fica clara a necessidade de produzir mais, buscando reduzir custos com maior eficiência na adubação. Produtos comerciais à base de Bactérias Promotoras de Crescimento em Plantas (BPCP) são uma tecnologia sustentável, seja por questões ambientais, pela possibilidade de mitigar possíveis danos causados pelo uso inadequado de fertilizantes minerais, ou por questões financeiras, por ter um menor custo, por possibilitar o uso de menores doses de adubos e por possibilitar a autossuficiência de produção dos bioinsumos. As BPCP são capazes de produzir diferentes estímulos às plantas, como fixação biológica de N, produção de hormônios vegetais, auxinas, giberelinas e citocininas, melhorias nos parâmetros fotossintéticos das folhas, incluindo o teor de clorofila, no potencial hídrico, com a absorção de água e minerais, gerando aumento na tolerância a estresses como salinidade e seca e ao ataque de agentes patogênicos, pela solubilização de fosfato inorgânicos e por atuarem como agente de controle biológico de patógenos. Estudos demonstram que a especificidade da interação entre as BPCP e as plantas varia de acordo com as características genéticas das espécies envolvidas, a qualidade e quantidade dos microrganismos inoculados, o método de inoculação, a estirpe bacteriana, a fase de desenvolvimento da cultura, as condições edafoclimáticas, as interações com a microbiota nativa, a sanidade das plantas, entre outros. Sendo assim, estudos com diferentes cultivares e diferentes estirpes bacterianas são bastante pertinentes. Objetivou-se neste trabalho avaliar o efeito do tratamento de sementes com diferentes produtos à base de bactérias promotoras de crescimento, em plantas de arroz irrigado por inundação. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com cinco tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos foram: T1 - Tratamento controle; T2 - sementes inoculadas com Azospirillum brasilense; T3 - sementes inoculadas com A. brasiliense + Bacillus pumilus, B. subtilis, B. amyloliquefaciens; T4 - sementes inoculadas com B. pumilus, B. subtilis, B. amyloliquefaciens, Pseudomonas fluorescens + A. brasilense e T5 - sementes inoculadas com Bacillus licheniformes. Foi realizada a semeadura da cultivar BR IRGA 431 CL, com densidade de semeadura de 80 kg de sementes por hectare, com semeadora de 9 linhas, espaçamento de 0,17 m entre elas, com 5 m de comprimento, totalizando, 7,65 m² cada parcela. As avaliações realizadas foram: estande de plantas, número de perfilhos, comprimento de parte área e raiz, massa fresca e seca de parte aérea e raiz, número de espiguetas, número de grãos cheios e estéreis, percentual de grãos estéreis em relação ao número de espiguetas e massa de mil grãos. Todos os tratamentos diferiram do T1 para o estande de plantas. O tratamento T2 não apresentou incrementos no número de perfilhos. Os tratamentos T3, T4 e T5 apresentaram maior comprimento radicular quando comparado ao T1. Todos os tratamentos apresentaram maior massa de matéria fresca e seca de raiz, com destaque para T5 que aumentou 75% e 210%, respectivamente. Somente os tratamentos T4 e T5 apresentaram maior comprimento de parte aérea. O tratamento T5 apresentou 89,7% de aumento de massa de matéria fresca e 77% de aumento de massa seca de parte aérea, enquanto T2, não diferiu de T1. Os tratamentos apresentaram comportamento semelhantes para o número total de espiguetas e número de grãos cheios, onde todos geraram incrementos. Todos os tratamentos apresentaram menor percentual de grãos estéreis, com destaque para o T5. Todos os tratamentos apresentaram maior massa de mil grãos, sendo que o T5 gerou os maiores e T2 os menores incrementos. Concluiu-se que todos os microrganismos testados promovem incrementos em plantas de arroz, com destaque para a inoculação de Bacillus spp., principalmente o B. licheniformes.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
CARPES BRETOS MORO, F.; VICTOR GUEVARA MARX LENIN MARTINS MAIRESSE, P.; SILVA ALDERETE, C.; BRETOS PRADEBON, F.; SILVA CANUTO DE PINHO, R. BACTÉRIAS PROMOTORAS DE CRESCIMENTO DE PLANTAS EM ARROZ IRRIGADO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.