SELEÇÃO DE LINHAGENS DE AVEIA PRETA DE COBERTURA DE SOLO PARA ÁREAS DE TERRAS BAIXAS

  • Matheus de Lima Soares
  • Mary Kat da Silva Pinheiro
  • Alex Sander Barbo Pereira
  • Rafael Machado dos Santos
  • Leonardo Veiga Fracaro
  • Guilherme Ribeiro
Rótulo Linhagens, Melhoramento, genético, Várzea

Resumo

A Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul é caracterizada por ser um ambiente de várzea, terras baixas, prevalecendo como principal atividade a orizicultura, já a cultura da soja, presente neste ambiente é uma realidade auxiliando no sistema de rotação de culturas. Porém, no período do inverno se tem muita dificuldade de estabelecer cultivos devido ao estresse hídrico, a aveia preta, com características de cobertura de solo, surge como uma excelente alternativa, integrando o sistema de rotação e facilitando o sistema de plantio direto. No entanto, é de grande importância desenvolver novas cultivares de aveia para cobertura, através do melhoramento genético, cada vez mais produtivas, melhorando as condições do sistema. O objetivo do trabalho foi avaliar e selecionar linhagens de aveia preta de cobertura em terras baixas. O experimento foi conduzido na área experimental da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) - Campus Itaqui, durante a estação fria de 2022. Foi utilizado delineamento de blocos casualizados com três (3) repetições, cada unidade experimental composta de cinco (5) linhas de cinco (5) metros de comprimento e espaçamento entre linhas de 0,17 metros. A semeadura foi realizada de forma convencional utilizando uma semeadora experimental, com densidade de 350 sementes por metro quadrado, adubação de base foi de 350 kg ha-1 utilizando adubo na formulação 5-20-20. Na adubação de cobertura foram aplicados 85 kg ha-1 de ureia no perfilhamento (estágios V3/V4), e mais 85 kg ha-1 de ureia no emborrachamento. Foram avaliadas cinco (5) linhagens da geração F7 de aveia de cobertura de solo: linhagem 1, linhagem 2, linhagem 3, linhagem 4, linhagem 5 e uma cultivar UPFA 21- Moreninha, como testemunha. As variáveis analisadas foram: teor de clorofila (Chl), avaliado na folha bandeira de sete (7) plantas quando elas estavam aptas para realizar o corte, a medição ocorreu com auxílio do medidor eletrônico ClorofiLOG®, em uma escala de 0 a 100 ICF (índice de clorofila Falker); para a variável massa verde (MV) foi realizado o corte de um (1) m linear das unidades experimentais, quando 50% da parcela encontravam-se no florescimento pleno e com as panículas totalmente expostas, sendo pesadas com o auxílio de uma balança de precisão e estimado a produção em kg ha-1, logo após foi retirada uma subamostra de 100 gramas de matéria verde e submetida em uma estufa de secagem a 60°C por 72 horas, para determinação da matéria seca (MS), em (kg ha-1); ciclo (CICL), em dias, foi determinado a partir da data de emergência até a data do corte; a variável estatura (EST), em cm, realizada com auxílio de uma régua graduada do solo até a extremidade da panícula. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e posterior comparação de médias através do programa computacional Genes. O teor de clorofila pode ser utilizado como uma ferramenta que auxilia na verificação do estado nutricional da planta, desta forma é possível inferir o nível de nitrogênio (N) da mesma. O nutriente apresenta funções importantíssimas na planta, fazendo parte da clorofila, carboidratos, proteínas e vitaminas. Com relação ao teor de clorofila a cultivar UPFA 21 - Moreninha teve a maior média (49,2), superior a linhagem 4, com média de (40,9), não diferindo das linhagens 1, 2, 3 e 5. A utilização de plantas de cobertura é fundamental para a consolidação do sistema de plantio direto, neste caso identificar cultivares que possuem a capacidade de dar um maior aporte de matéria verde e consequentemente matéria seca é de grande importância para o setor agropecuário. Neste sentido para variável MV a linhagem 4 demonstrou a maior média de produção (65735 kg ha-1), sendo superior a linhagem 1 que apresentou a menor média (44594 kg ha-1), não divergindo das linhagens 2, 3, 5 e 6. Já para variável MS novamente a linhagem 4 apresentou maior produção (23044 kg ha-1), superior as linhagens 1 e testemunha com médias de (13839 kg ha-1) e (13615 kg ha-1) respectivamente, não divergindo das linhagens 2, 3 e 5. A escolha de um genótipo a ser semeado depende de diversos fatores, o ciclo é um deles, a partir dos ciclos das culturas é realizado o planejamento anual das propriedades, como por exemplo época de semeadura da cultura sucessora e consequentemente época de colheita. Para variável ciclo a testemunha (UPFA 21 Moreninha) mostrou um comportamento mais tardio quando comparados com os demais tratamentos. Normalmente materiais como maiores estaturas sofrem com acamamento, interferindo negativamente na sua produção, não houve problemas com acamamento no experimento. Para estatura a linhagens 4 apresentou maior valor (1,47 m), superior a linhagem 6 (1,28 m), porém não diferindo dos outros tratamentos. Destaca-se a linhagem 4 com grande potencial para o avanço de gerações no programa de melhoramento genético.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
DE LIMA SOARES, M.; KAT DA SILVA PINHEIRO, M.; SANDER BARBO PEREIRA, A.; MACHADO DOS SANTOS, R.; VEIGA FRACARO, L.; RIBEIRO, G. SELEÇÃO DE LINHAGENS DE AVEIA PRETA DE COBERTURA DE SOLO PARA ÁREAS DE TERRAS BAIXAS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.