PERFIL SOCIOECONOMICO DOS ORIZICULTORES DE DOM PEDRITO

  • Divo Friedrich
  • Cristhiane Madruga Farinha
  • Janaina Wohlenberg
  • Osmar Manoel Nunes
Rótulo ORIZICULTORES, DIFICULDADES, PRODUTOR, RURAL

Resumo

O arroz é um dos produtos de maior representatividade econômica no agronegócio brasileiro, em virtude da sua magnitude e representatividade para a geração de emprego e renda, além de contribuir com o propósito da segurança alimentar. O estado do Rio Grande do Sul se destaca por ser o maior produtor do cereal no Brasil, tendo produzido mais de 8,5 milhões de toneladas na Safra 2020/2021, o que correndo a 70% do total da produção do grão no país. O município de Dom Pedrito/RS, ocupa a 6ª posição em área e produtividade da cultivar. O presente estudo, se justifica devido a economia do município ser voltada às atividades do agronegócio, em especial a agricultura, a pecuária e a indústria de beneficiamento de grãos. O estudo buscou identificar o perfil dos orizicultores do município de Dom Pedrito/RS, realizando um comparativo entre os anos de 2013 e 2021, analisando os aspectos: idade, escolaridade, número de filhos, posse da terra, utilização da água, formas de gestão, acesso a políticas públicas e principais dificuldades na atividade. O estudo foi realizado em três momentos: o primeiro tendo por base a análise documental de uma pesquisa realizada no ano de 2013; em segundo, a pesquisa de campo, em que foram entrevistados 31 orizicultores de Dom Pedrito; e, a terceira, a compilação, análise e comparativo dos dados das referidas pesquisas. O questionário utilizado na pesquisa campo foi o mesmo aplicado na pesquisa de 2013. Os resultados demonstraram que, em relação ao perfil dos orizicultores, no ano de 2013 houve maior participação de produtores entre 31 e 41 anos (33%), com formação em ensino superior (33%) e que possuíam dois filhos (38%); no ano de 2021, os orizicultores possuíam idade acima de 63 anos (35%), com nível fundamental incompleto (45%) e que possuíam 2 filhos (51,6%). Em relação a posse da terra utilizada para o cultivo, nos anos de 2013 e 2021, respectivamente, 29% e 32% cultivavam em terras próprias; 33% e 20% arrendavam; 24% e 36% cultivavam em terras próprias e arrendadas; e, 5% e 13% faziam uso de terras próprias, arrendadas e em parceria. Apenas na coleta de dados de 2013 foi observada a atividade de plantio em parceria, com 5%. Em relação ao uso da água utilizada na irrigação foi evidenciado que, em 2013 e 2021, respectivamente, 47% e 37% era proveniente de fonte própria (açude na propriedade); 24% e 26% arrendada; 24% e 23% própria e arrendada; e, 5% e 14% do rio. A gestão das propriedades é realizada pelos próprios produtores, dados das pesquisas de 2013 e 2021; também foi observada a participação do núcleo familiar, em especial, dos filhos que, em sua maioria, possuíam ensino superior. Em relação ao acesso às políticas públicas foi observado o aumento na utilização de financiamento das lavouras com recursos próprios e de terceiros (empresas fornecedoras de insumos), diminuindo pela metade os financiamentos com recursos bancários. O Seguro Fundo Granizo, direcionado a cobrir perdas por temporais de granizo, foi a prática de maior destaque identificada em ambos os estudos. A orizicultura é uma atividade que necessita de alto capital de giro, além de contar com as incertezas relacionadas às intempéries. Na pesquisa de 2013 foi observado como principais dificuldades: os preços de comercialização, o déficit hídrico e os custos de produção, bem como, os fatores climáticos, em especial, o frio e o granizo. Na pesquisa de 2021, houve destaque para o déficit hídrico, seguido dos fatores climáticos, custos de produção e dificuldades de acesso a financiamentos de custeio. Outras dificuldades relatadas em 2021 foram a disponibilidade de mão de obra qualificada e políticas de preços mínimos. A pesquisa de 2021 enfatizou o direcionamento para o uso de atividades complementares de geração de renda como alternativa às incertezas provenientes da orizicultura, sendo elas: o cultivo de soja, pecuária, forrageiras e, mais recentemente, a viticultura e o cultivo de oliveiras. Considera-se que essa pesquisa, além de tratar de importantes questões relacionadas ao perfil, a gestão e as dificuldades dos produtores na orizicultura, pode contribuir para instigar estudos relacionados ao agronegócio e a necessidade futuras intervenções no meio rural com vistas aos aspectos ambientais.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
FRIEDRICH, D.; MADRUGA FARINHA, C.; WOHLENBERG, J.; MANOEL NUNES, O. PERFIL SOCIOECONOMICO DOS ORIZICULTORES DE DOM PEDRITO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.