EFICIÊNCIA ALIMENTAR DE VACAS DA RAÇA HOLANDÊS NO PÓS-PARTO RECENTE

  • Milene Lopes dos Santos
  • Uriel Secco Londero
  • Maria Carolina Narval de Araújo
  • Marcio Nunes Corrêa
Rótulo Bovinocultura, leite, Produtividade, Rentabilidade

Resumo

A bovinocultura leiteira é um dos setores que se destaca no agronegócio brasileiro, apresentando uma produção média diária de 25.508 litros de leite e 35,3 bilhões de litros anuais. Isso se deve a rebanhos leiteiros cada vez mais padronizados, tecnificados e de uma seleção genética focada em maior produtividade. Entretanto, um dos grandes gargalos da atividade que afetam diretamente a lucratividade, são os custos oriundos da alimentação, que representam cerca de 60% da totalidade dos mesmos. Tendo em vista tamanha relevância, a seleção de animais com maior eficiência alimentar (EA), ou seja, aqueles que produzem mais leite por quilograma de alimento consumido, pode diluir parte destes custos. Sendo assim, o objetivo desse estudo foi avaliar a eficiência alimentar de vacas da raça Holandês no pós-parto recente mantidas em sistema confinado. O experimento ocorreu em uma propriedade comercial localizada no município de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Foram avaliadas dez vacas de 0 a 21 dias pós-parto, divididas em dois grupos de acordo com a produção de leite média: grupo A, com menos 24,15kg de leite/dia e grupo B com mais de 24,15kg de leite/dia. Os animais estavam alocados em um galpão do tipo compost barn em sistema confinado, foram ordenhados duas vezes ao dia, com ordenha mecânica em sistema espinha de peixe e a quantidade de leite produzida foi obtida através do software DelPro (DeLaval®). A dieta foi ofertada nos períodos matutino e vespertino, composta por silagem de milho, pré-secado de azevém, ração comercial para bovinos de leite e sal mineral de forma totalmente misturada (TMR) e possuíam acesso à água ad libtum. O consumo alimentar diário foi medido através dos comedouros inteligentes da empresa Intergado® que mensuraram com precisão a quantidade ofertada e consumida individualmente, utilizando uma identificação através de um brinco eletrônico fixado na orelha do animal. Como os comedouros avaliavam o consumo de matéria natural (CMN) e o cálculo da eficiência alimentar utiliza consumo de matéria seca (CMS), era necessária a secagem de uma amostra da dieta para conversão da matéria natural (MN) em matéria seca (MS). Esse procedimento foi realizado através do método de secagem utilizando-se o eletrodoméstico air fryer, na qual 100g da dieta foi seca a 105ºC por 30 minutos, pesado e seguido por um ou mais ciclos de 5 minutos sucessivos até obtenção de dois valores de pesagens iguais. Os dados de produção de leite, CMN e CMS foram planilhados e posteriormente foram processadas as análises estatísticas, utilizado o programa estatístico JMP Pro 14, analisando grupo, dia e a interação entre grupo*dia e considerado como significativo quando p≤0,05. Com isso, os animais do grupo A apresentaram uma produção média de 22,2 kg de leite/dia, com CMS de 17,61kg e uma EA de 1,52. Já o grupo B apresentou uma média de 27,79kg de leite/dia, com CMS de 18,26kg e EA de 1,79. Para EA foi encontrado um p=0,02, demonstrando que houve diferença estatística entre os grupos. Considerando que todos os animais estavam no mesmo estágio de lactação, percebe-se que há superioridade do grupo B sobre o grupo A em relação à EA, levando em conta que com uma diferença de menos de 1kg de CMS, o grupo B produziu 5,59kg de leite a mais. Isso demonstra que, mesmo numa lactação recente já é possível identificar animais geneticamente superiores para essa característica, o que permite selecionar dentro do rebanho aquelas vacas que demonstram melhor desempenho e produtividade, gerando melhor lucratividade dentro do sistema. Todavia, vale ressaltar que, somente esse parâmetro é muito frágil para determinar quão produtivo um animal é em relação a outro, tendo em vista que uma série de fatores fisiológicos, ambientais e de manejo, como a matéria seca da dieta e temperatura, por exemplo, podem afetar tanto o consumo quanto a produção de leite. Ainda, os animais não estavam todos no mesmo dia experimental, já que dependia da data de seu parto, foi utilizado um número pequeno de animais e, ainda, as vacas não foram identificadas por categorias. Sabe-se que vacas multíparas produzem uma maior quantidade de leite em relação à primíparas e secundíparas que necessitam dispender energia também para seu crescimento, enquanto as multíparas, que já alcançaram seu peso adulto, podem priorizar a utilização da energia ofertada na dieta apenas para mantença e lactogênese. Sendo assim, seria necessário o estudo de outros parâmetros produtivos para selecionar de forma mais adequada. Sendo assim, conclui-se que os animais do grupo B apresentaram uma maior eficiência alimentar que grupo A.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
LOPES DOS SANTOS, M.; SECCO LONDERO, U.; CAROLINA NARVAL DE ARAÚJO, M.; NUNES CORRÊA, M. EFICIÊNCIA ALIMENTAR DE VACAS DA RAÇA HOLANDÊS NO PÓS-PARTO RECENTE. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.