AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIPARASITÁRIO DE EXTRATOS DE ACÍCULAS DE PINUS SP

  • Francielly Rios Menezes
  • Kimberly Costa Dias
  • Alessandra Sayuri Kikuchi Tamajusuku Neis
  • Catia Aline Veiverberg
Rótulo Toxicidade, Parasitoses, Pinus, sp, Extratos, vegetais

Resumo

Nos últimos anos, a aquicultura tem se amplificado gradativamente através do desenvolvimento de novas tecnologias. Embora o momento seja favorável, ainda existem obstáculos como a ocorrência de patógenos, principalmente as parasitoses, decorrentes da maior exposição ao estresse crônico, causando problemas ao sistema imunológico. No Brasil existem poucos produtos registrados e autorizados para o tratamento de parasitoses em peixes, sendo em sua maioria com eficiência limitada e alto risco de impacto ambiental. Assim, o uso de fitoterápicos é uma possível alternativa para o controle de parasitas, por serem facilmente biodegradáveis, apresentando lento desenvolvimento de resistência, menor possibilidade de toxicidade em concentrações elevadas e por causarem menores danos ao meio ambiente devido à menor liberação de resíduos. Dentre os fitoterápicos, destaca- se o Pinus sp. pelo seu potencial antiparasitário, antioxidante e anti-inflamatório, apresentando resultados promissores do uso da resina no controle de lerneas in vitro. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar a concentração de compostos bioativos em extratos de acículas de Pinus sp., visando seu uso para controle de parasitoses em peixes. Para isso, acículas secas foram recolhidas do chão e as acículas verdes foram coletadas diretamente dos galhos, em área periurbana do município de Uruguaiana. Após a coleta, as acículas foram limpas e trituradas manualmente para a avaliação de dois métodos de extração: extração em água fria e extração em etanol a 80°C. Foi realizada a quantificação dos compostos fenólicos totais dos extratos através do método Folin-Ciocalteu, utilizando o extrato bruto e duas diluições, de 10 e 50 vezes, sendo cada concentração testada em triplicata. O conteúdo total de flavonóides foi determinado através de leitura no espectrofotômetro, com diluições dos extratos em 10 e 50 vezes nas acículas verdes e 10 vezes nas acículas secas. Para o método utilizando 2,2-difenil-1-picrilhidrazil (DPPH), para medir a capacidade que as substâncias testadas possuem para doar hidrogênio ao radical DPPH, os extratos brutos foram diluídos em 50 partes para o extrato etanólico e em 10 partes para o extrato aquoso. Para a análise de Poder Antioxidante de Redução do Ferro (FRAP), os extratos de acículas verdes foram diluídos em 10, 20 e 50 vezes e os extratos de acículas secas foram diluídos em 10 e 50 vezes. O extrato de acículas verdes apresentou maior concentração de compostos fenólicos totais (1294,71±75,07 e 3218,28±248,33 μg eq. ácido gálico/ml para extrato aquoso e etanólico, respectivamente) em comparação ao extrato de acículas secas (156,86±33,63 e 551,18±59,82 μg eq. ácido gálico/ml para extrato aquoso e etanólico, respectivamente). O extrato etanólico obteve maior eficiência de extração em comparação ao extrato aquoso. Em relação aos flavonóides, o extrato de acículas verdes teve maior concentração (908,22±152,17 e 2787,34±217,35 μg/g para extrato aquoso e etanólico, respectivamente) do que o extrato de acículas secas (59,82±8,82 e 1109,77±74,48 μg/g para extrato aquoso e etanólico, respectivamente), com maior concentração de flavonóides no extrato etanólico. O teste de DPPH demonstrou que os extratos de acículas verdes possuem uma maior capacidade antioxidante (65,67±3,45 e 38,29±5,70 μmol sulfato ferroso/g para extrato aquoso e etanólico, respectivamente) do que os das acículas secas (6,91±0,44 e 44,82±5,51 μmol sulfato ferroso/g para extrato aquoso e etanólico, respectivamente), obtendo maior poder antioxidante no extrato aquoso de acículas verdes. Já no teste FRAP determinou-se que extratos de acículas verdes possuem maior poder antioxidante (6181,60±370,07 e 20776,73±757,77 g amostra/g DPPH para extrato aquoso e etanólico, respectivamente) em comparação ao de acículas secas (1622,01±273,97 e 2529,80±358,07 g amostra/g DPPH para extrato aquoso e etanólico, respectivamente), enquanto os extratos etanólicos possuem maior poder antioxidante que os extratos aquosos. Concluiu-se que os extratos de acículas verdes apresentaram maior concentração de compostos bioativos, uma vez que estes estão diretamente relacionados à ação de fatores estressantes sobre as plantas, com tendência a aumentar quando a árvore passa por um agente estressor, assim aumentando a sua imunidade. Após a senescência, as acículas secas vão perdendo os seus compostos bioativos ao longo do tempo, por não estarem mais conectadas às árvores e sofrerem oxidação. Também foi possível concluir que ambos os solventes são eficientes para a extração de compostos bioativos das acículas de Pinus sp. Portanto, a próxima etapa do projeto será avaliar a toxicidade aguda dos extratos de acícula de Pinus em juvenis de zebrafish, bem como avaliar o efeito de doses subcrônicas no crescimento e nos parâmetros de estresse oxidativo dos peixes.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
RIOS MENEZES, F.; COSTA DIAS, K.; SAYURI KIKUCHI TAMAJUSUKU NEIS, A.; ALINE VEIVERBERG, C. AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIPARASITÁRIO DE EXTRATOS DE ACÍCULAS DE PINUS SP. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.