AVALIAÇÃO DA VARIABILIDADE ESPACIAL DO PH DO SOLO EM VIVEIRO ESCAVADO PARA FINS DE MANEJO DE SOLO EM AQUICULTURA

  • Emily Roth
  • Sérgio Domingos Silveira Serra
  • Dioni Glei Bonini Bitencourt
Rótulo Variabilidade, espacial, Propriedade, química, Manejo, solo, Viveiro, escavado, Aquicultura

Resumo

O solo que é considerado como um produto das interações entre os seus fatores de formação que ocorrem num determinado ambiente é composto de partículas coloidais como a argila e matéria orgânica que são reativas. Devido a complexidade do seu processo de formação é amplamente reconhecido que suas propriedades químicas podem variar no espaço. O pH do solo pode afetar a qualidade da água utilizada para o cultivo aquícola baixando a sua alcalinidade a níveis inadequados. Muitos estudos já foram relatados a respeito das propriedades químicas do solo para fins agrícolas, mas ainda pouco se sabe a respeito destas propriedades para o uso e manejo do solo para fins aquícolas. O objetivo deste trabalho foi avaliar a variabilidade espacial do pH do solo do fundo de um viveiro escavado sob três padrões de amostragem de solo utilizados na aquicultura. Após drenagem da água e a limpeza do fundo de um viveiro procedeu-se a coleta de solo, na profundidade de 0 a 10 cm, onde nove amostras de solo foram coletadas para cada um dos três padrões de amostragem utilizados em aquicultura (aleatório, ao longo de uma curva S e em quadrantes). O viveiro escavado, utilizado neste estudo, possui os taludes de concreto e fundo de solo com área de lâmina de água, aproximadamente, 325m2. Para a obtenção das coordenadas espaciais das amostras foi utilizado um nível topográfico. Avaliou-se o pH em água para cada amostra de solo usando um pHmetro de bancada. Em cada padrão de amostragem foi realizada a estatística descritiva e a análise geoestatística para a variável em estudo. Foram realizados os testes de Dagostino e Anscombe-Glynn para a verificação da assimetria e curtose, respectivamente, considerando que o pH do solo apresenta uma distribuição normal de probabilidade.Na estatística descritiva foi analisado os valores mínimo e máximo, média, mediana, coeficiente de variação e os coeficientes de assimetria e curtose. Na análise geoestatística, para cada padrão de amostragem, foi avaliado o semivariograma experimental da variável e posteriormente foi ajustado um modelo teórico a esses valores experimentais para obtenção dos parâmetros deste modelo (C0 = efeito pepita, C0+C = patamar e a = alcance efetivo). Os modelos teóricos utilizados foram o esférico, exponencial e gaussiano. Para avaliar o ajuste obtido dos modelos teóricos aos dados experimentais foi usada a validação cruzada, isto é, comparou-se os valores observados com os preditos pela krigagem (técnica de interpolação). O teste da assimetria do pH do solo para os padrões de amostragem apresentaram os seguintes valores p (0,58; 0,21 e 0,05) e para o teste de kurtose (0,85; 0,69 e 0,63), considerando a sequência de amostragem aleatório, curva S e quadrantes. Isto indica que a distribuição de probabilidade para esta variável é normal, ao nível de 5% de significância, e o uso da estatística frequentista é adequado e também utilizou-se o estimador de semivariância de Matheron para a análise geoestatística. Assim ao analisarmos os valores da variável, do ponto de vista da estatística descritiva, observa-se que os valores mínimos (7,78; 7,71 e 7,91) e máximos (7,90; 7,84 e 8,06) do pH do solo foram próximos em todos padrões. O mesmo ocorreu com os valores da média (7,83; 7,79 e 8,01) e mediana (7,83; 7,80 e 8,03), com valores um pouco superiores para o padrão de amostragem em quadrantes. Isto sugere que a variabilidade do pH do solo é baixa na área do fundo do viveiro escavado, o que é confirmado pelos valores do coeficiente de variação (0,48; 0,54 e 0,72%), sendo independente do tipo de padrão de amostragem utilizado. Porém ao analisarmos a variabilidade espacial pela geoestatística, que leva em conta a dependência espacial da variável, observou-se que o modelo teórico que melhor se ajustou, considerando o padrão aleatório, foi o esférico (C0 = 0,0003 , C0+C = 0,0017 e a = 12,64m) de acordo com a validação cruzada (r2=0,40). O alcance efetivo (a) indica que existe dependência espacial para a variável pH do solo até uma distância de 12,64m e que amostras devem ser coletadas a intervalos de distâncias superiores a esta visando uma melhor avaliação do pH do solo para fins de manejo de solo na aquicultura. O padrão de amostragem curva S não foi capaz de captar uma faixa de dependência espacial para o pH do solo. No padrão de amostragem quadrante o modelo teórico obtido foi o exponencial (C0 = 0,0000 , C0+C = 0,0033 e a = 7,65m) com r2=0,41 . O alcance efetivo(a) obtido foi de 7,65m indicando uma faixa de dependência espacial mais estreita para o pH do solo e que um maior número de amostras é necessário para fins de avaliação desta variável. Conclui-se que a variabilidade espacial do pH do solo no fundo de um viveiro escavado para fins aquícolas foi melhor avaliado nos padrões de amostragem aleatório e em quadrantes.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
ROTH, E.; DOMINGOS SILVEIRA SERRA, S.; GLEI BONINI BITENCOURT, D. AVALIAÇÃO DA VARIABILIDADE ESPACIAL DO PH DO SOLO EM VIVEIRO ESCAVADO PARA FINS DE MANEJO DE SOLO EM AQUICULTURA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.