ALTERAÇÕES NOS EXAMES DE IMAGEM DO PACIENTE CARDIOPATA: RELATO DE CASO

  • Ariane Diniz da Silveira
  • Natiele Kuter Lopes
  • Gustavo Kayser Boelhouwer
  • Thaís Cristina Vann
  • Taila Lilge Scheer
  • Paula Priscila Correia Costa
Rótulo Cardiopata, Cardiopatia, Ultrassonografia, Radiografia, Vasos

Resumo

O sistema cardiovascular é composto pelo coração, artérias, veias, vasos e capilares. Ele é responsável por manter a pressão arterial e o fluxo sanguíneo em parâmetros habituais e exclusivos de cada ser vivo, no entanto, quando ocorre um desequilíbrio de suas funções a distribuição de oxigênio, nutrientes e remoção de metabólitos dos tecidos são extremamente prejudicados, impossibilitando assim o funcionamento dos processos vitais. Essas alterações podem ser de caráter anatômico e/ou funcional do coração e de seus componentes, dando origem as chamadas cardiopatias. As doenças do coração podem atingir animais de todas as idades, tamanhos e raças, porém os cães idosos, obesos, sedentários e com predisposição genética são acometidos com mais frequência por esta enfermidade. Para auxiliar no diagnóstico das doenças cardíacas, os exames de imagem como raio x e ultrassonografia são muito utilizados rotineiramente na clínica e através deles é possível visualizar grosseiramente as dimensões dos órgãos, presença de radiopacidades, vascularização dos grandes vasos e outras não conformidades. Há também os exames de diagnóstico definitivo, como o eletrocardiograma (ECG) que avalia a atividade do coração através das ondas elétricas emitidas e o ecocardiograma, que avalia com uma maior exatidão a espessura, tamanho, formato, fluxo sanguíneo do coração. No mês de Fevereiro de 2022 foi atendido um cão da raça Lulu da Pomerânia, macho, não castrado, 3,400kg, com cerca de 11 anos e diagnóstico prévio de prolapso da valva mitral no Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) da Universidade Federal de Pelotas. Na anamnese o tutor relatou que estava tendo dificuldades para administrar os medicamentos do paciente e em decorrência disso o animal acabou tendo uma piora do seu quadro clínico e começou a apresentar tosse, engasgos e dispneia. Diante do exame clínico foi possível auscultar um SOPRO grau V, mucosas estavam levemente cianóticas, frequência cardíaca de 150bpm, frequência respiratória de 28 mpm e temperatura em 38ºC. De acordo com o diagnóstico, relato do tutor e sinais clínicos compatíveis com a recidiva, o médico veterinário optou por internar o paciente para que fosse possível trata-lo de imediato e solicitou exames de radiografia e ultrassonografia no Laboratório de Diagnóstico por Imagem e Cardiologia Veterinária (LADIC). Também foram requisitados no atendimento hemograma, bioquímico, ecocardiograma e eletrocardiograma/Holter. Como resultados do raio x, o coração apresentou aumento do ventrículo esquerdo, ocupando 4 espaços intercostais e debruçando-se sobre 3 esternébras; VHS (VERTEBRAL HEART SCALE) de 11,3 corpos vertebrais (Valor de referência nos cães1: 9,2 10,5 corpos vertebrais); Aumento de radiopacidade pulmonar do tipo mista vascular e bronquial; Mineralização das cartilagens costais e junções costocondrais; Demais estruturas com padrões preservados e achados radiográficos estáveis quando comparado ao exame anterior, realizado 8 meses antes. Já no exame de Ultrassom, foi observado adrenomegalia direita sugerindo neoplasia em polo cranial; hiperplasia prostática benigna; pâncreas com fibrose relacionada a senescência e pancreatopatia crônica; nódulo esplênico sugerindo hiperplasia nodular; hiperplasia mucinosa em vesícula biliar; hepatomegalia discretamente hipoecogênica que sugere congestão passiva secundária a cardiopatia. Achados renais que sugerem nefropatia inicial devido à sobrecarga funcional. Os demais exames não tiveram alterações e optou-se por não realizar o eletrocardiograma, pois o paciente estava dispneico e poderia gerar falsos resultados. Os achados nos exames de imagem estão diretamente relacionados a cardiopatia do paciente e idade, visto que qualquer alteração no desempenho do sistema cardíaco pode desencadear uma sobrecarga sistêmica gerando alterações morfológicas e funcionais, como pode ser observado no aumento de volume ocupado pelo coração, na hepatomegalia sugerindo congestão secundária a cardiopatia, nefropatia pela sobrecarga funcional. Após o tratamento em âmbito hospitalar, o paciente teve melhora e demonstrou diminuição das tosses, engasgos e do quadro dispneico podendo retornar para casa.Com isso, conclui-se que os exames de imagem são ferramentas fundamentais no auxílio do diagnóstico e monitoramento das cardiopatias. Ressalta-se ainda, a importância do acompanhamento e tratamento assíduo, tendo em vista a gravidade da enfermidade e as complicações causadas por ela.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
DINIZ DA SILVEIRA, A.; KUTER LOPES, N.; KAYSER BOELHOUWER, G.; CRISTINA VANN, T.; LILGE SCHEER, T.; PRISCILA CORREIA COSTA, P. ALTERAÇÕES NOS EXAMES DE IMAGEM DO PACIENTE CARDIOPATA: RELATO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.